Alice In Chains: Em SP, banda mostra estar mais viva do que nunca

Resenha - Alice In Chains (Espaço das Américas, São Paulo, 26/09/2013)

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Por Jorge A. Silva Junior
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Importante nome do rock oriundo de Seattle no início década de 1990, o ALICE IN CHAINS encerrou sua turnê pelo Brasil no show realizado nesta quinta-feira (26), no Espaço das Américas, em São Paulo. A banda trouxe na bagagem seu quinto álbum de estúdio, 'The Devil Put Dinosaurs Here', lançado no começo do ano. Durante uma hora e meia, o grupo liderado pelo guitarrista Jerry Cantrell mostrou que, além de superar a morte do vocalista Layne Staley, segue mais afiado e entrosado do que nunca.

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Após passar pelo Rock In Rio e por Porto Alegre, o ALICE IN CHAINS chegou à capital paulista em meio a um dia gelado, mas que logo esquentou para o público que encheu o Espaço das Américas. Grande parte disto deu-se pelo fato de não ser mais novidade a qualidade de William Duvall, 46, que estreou oficialmente no disco 'Black Gives Way To Blue' (2009). Com carisma e muita competência, o vocalista sabe injetar ao som da banda seu próprio estilo, que em nada tem a ver com Layne Staley, morto por overdose de heroína com cocaína em 2002.

Neste clima de expectativa por um ótimo show, o grupo entrou em cena às 21h30 com "Them Bones" e "Dam That River" - petardos que também abrem o álbum 'Dirt' (1992) -, e daí pra frente não decepcionou. Por se tratar de uma casa com capacidade para 8 mil pessoas, quantidade bem abaixo do habitual encontrado pelo ALICE IN CHAINS em diversos festivais pelo mundo, a ligação público-banda esteve em grande sintonia desde o início.

Foi notável a ótima recepção para as canções mais recentes, tocadas na sequência com "Hollow" - primeiro single do novo disco - e "Check My Brain", que mesmo lançada há apenas quatro anos está na ponta da língua dos fãs como se fosse um clássico. Por este motivo fica evidente que o excelente guitarrista Jerry Cantrell continua compondo com a mesma qualidade do passado. Graças a sua enorme contribuição, o ALICE IN CHAINS continua a soar como ALICE IN CHAINS.

Peso este que perdura também se deve ao ótimo e subestimado baterista Sean Kinney, que, assim como Cantrell, tocou em todos os álbuns do grupo. Vale destacar que no bumbo da bateria constava a sigla "LSMS", clara homenagem a Layne Staley e ao antigo baixista Mike Starr, que morreu em 2011.

"E aí, galera! É muito bom ver vocês outra vez em São Paulo!", disse Duvall antes de entoar "Again" (Alice In Chains, 1995) e o maior sucesso do grupo, "Man In The Box", responsável por fazer o local tremer em virtude da euforia geral. Foi sem dúvida o ponto alto da primeira parte da apresentação.

Voltando às novas composições, ainda estiveram presentes a balada "Your Decision" e "Last Of My Kind", ambas do álbum 'Black Gives Way To Blue', além de "Stone" (The Devil Put Dinosaurs Here, 2013). Mas a cota do repertório novo terminou ali, já que a sequência reservou espaço exclusivo para a nostalgia.

Músicas mais cadenciadas como "No Excuses" (Jar Of Flies, 1993) e "Sludge Factory" (Alice In Chains, 1995) foram intercaladas com as agressivas "We Die Young" e "It Ain't Like That", contidas no disco de estreia da banda: 'Facelift' (1990). O resultado, como não poderia ser diferente, foi de puro êxtase para os fãs, que seguiam cantando a plenos pulmões.

Em um dos momentos mais emocionantes do show, duas camisetas da seleção brasileira de futebol personalizadas com "9. Layne" e "2. Starr" foram penduras em cada canto do palco. E esta foi a deixa perfeita para o que viria a seguir: "Nutshell" e sua levada delicada aliada a uma mensagem forte e depressiva. Ao término desta, o grupo deixou o palco ovacionado.

Após uma pausa de cinco minutos, Jerry Cantrell, William Duvall - com uma cerveja na mão - e Sean Kinney retornaram vestindo camisetas do Brasil. Mike Inez, no entanto, pareceu não partilhar do mesmo entusiasmo futebolístico. Contudo, a sequência com a pesada "Would?" serviu para lavar a alma do público que, mesmo sem voz naquela altura do campeonato, gritou e cerrou os punhos até as últimas palavras da letra: "If - I - Would - Could - You".

Ainda teve tempo para "Rooster" (Dirt, 1992) fechar com chave de ouro uma apresentação impecável e muito profissional de uma banda que, mesmo depois de tanto tempo parada, segue cada vez mais viva. O Rock And Roll agradece, ALICE IN CHAINS!

ALICE IN CHAINS em São Paulo
Data: 26 de setembro de 2013
Local: Espaço das Américas
Duração: 1h30

William Duvall - vocal
Jerry Cantrell - guitarra
Mike Inez - baixo
Sean Kinney - bateria

SET LIST

1. Them Bones
2. Dam That River
3. Hollow
4. Check My Brain
5. Again
6. Man In The Box
7. Your Decision
8. Last Of My Kind
9. Stone
10. No Excuses
11. It Ain't Like That
12. We Die Young
13. Sludge Factory
14. Grind
15. Nutshell

BIS

16. Would?
17. Rooster


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Sobre Jorge A. Silva Junior

Jorge Junior é paulistano, jornalista diplomado e colaborador do Whiplash.Net desde 2009. Tem mais de 400 matérias e notas publicadas, que somam aproximadamente um milhão e meio de acessos. Também realizou a cobertura de shows de grande porte, entre eles Ringo Starr, Eric Clapton, Deep Purple, System Of A Down, Red Hot Chili Peppers e Ozzy Osbourne. O autor pode ser seguido no Twitter: @jorgejunior85.

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