Alice in Chains: banda levanta o público paulistano
Resenha - Alice In Chains (Espaço das Américas, São Paulo, 26/09/2013)
Por Diego Camara
Postado em 28 de setembro de 2013
Um show animal e quase perfeito em São Paulo. Se pudéssemos resumir o show do Alice in Chains em São Paulo, nesta última quinta-feira, essa seria a frase que nós usaríamos e que melhor representaria o que foi um espetáculo mais que digno para uma banda clássica como eles. Com um repertório munido da maioria dos principais clássicos da banda e com uma homenagem perfeita aos finados Staley e Starr, o show sem dúvidas não poderia fugir de tomar posto na lista dos melhores do ano até agora.
Pontualmente, a banda abriu o show as 21h30m com a ótima música "Them Bones", do clássico "Dirt". Se a primeira impressão é a que fica, então a banda sem dúvidas ganhou o público na primeira música: a plateia, bastante lotada e com a pista premium esgotada, cantou junto durante toda a música. A música, que já havia aberto ambos os shows no Rio de Janeiro e Porto Alegre, se mostrou perfeita para animar o público e levantar o astral de todos.
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Seguiu o show as músicas "Dam That River", "Hollow" e "Check my Brain". A primeira continuous o legado da entrada, o publico pulou junto com a banda desde o primeiro acorde. O som estava perfeito e foi acompanhado com a afinação da banda, que parece incansável de entregar bons shows – quem viu a apresentação no Rio de Janeiro, como eu, viu que a banda somente melhorou de lá para cá.
"Hollow" já não empolgou tanto o público. Apesar disso, ainda se via muita gente cantando a plenos pulmões o refrão. Nessa música também saiu um dos melhores solos de guitarra do show, mostrando toda a técnica de Cantrell. "Check my Brain", sem dúvidas o maior sucesso da banda neste seu retorno, complementou com perfeição a entrada do show. O público foi a loucuram e Duvall parece realmente se sentir extremamente mais a vontade por tocar músicas como esta, feitas especialmente para sua voz.
"É muito bom ver vocês novamente!", gritou Duvall em um ótimo português, arrancando aplausos dos fãs. A banda então tocaria um dos seus maiores sucessos, "Man in the Box", e é difícil pensar em como a música poderia ficar melhor ao vivo: 7 mil pessoas, cantando em uma única voz a música e um solo mais que perfeito de Cantrell ecoaram por todo o Espaço das Américas. A acústica fantástica fez parecer uma voz só daquela multidão.
O show porém traria surpresas, que começariam com a sequência de "Your Decision" e "Last of my Kind", ambas do "Black Gives Way to Blue" e que não foram tocadas em nenhum dos shows. A primeira deu uma quebra no show, com seu ar calmo após a pancada que foi a música anterior: o público levantou as mãos e cantou a melodia junto com Duvall.
"Stone", do último lançamento, também levantou o público e trouxe o melhor e mais perfeito solo da noite de Jerry Cantrell. A plateia obviamente respondeu com palmas o vocalista, especialmente quando ele resolveu se aproximar do público na ponta do palco. "Vocês são demais!", falou o guitarrista para o público, de maneira um pouco tímida. Podia-se ver nos olhos dele o contentamento pela ótima recepção do público de São Paulo, realmente acolhedor.
Outro destaque do meio do show foi "We Die Young", do "Facelift". Duvall correu de um lado para o outro da borda do palco e fez questão de interagir com cada parte do público que lotava a pista premium. Não deixou também de olhar o povo das grades mais atrás, erguendo seu microfone apontou para eles. Não poderia ser diferente, o público se encostou sobre as grades e cantou junto com o vocalista.
A banda fechou o show com a música "Nutshell", onde como no Rio de Janeiro se fez a homenagem aos finados Mike Starr e Layne Staley. Duas camisetas da seleção brasileira, as amarelinhas, foram colocadas nos telões que estavam dos dois lados da bateria de Sean Kinney. Duvall puxa a música no violão, que é cantada por todo o público para Layne Staley. Com o fim da homenagem, a banda sai rapidamente no palco. Os holofotes marcam apenas as camisetas, enquanto o público grita o nome da banda e bate palmas.
A banda volta e todos usam camisetas da seleção com seus próprios nomes nas costas. O público grita e aplaude, parecem ter gostado da homenagem feita ao público brasileiro. O bizarro foi Mike Inez, que estava fumando e parece ter perdido o tempo de voltar ao palco e não vestia uma camiseta. A banda olhou para ele com dúvida, mas então não perderam mais tempo e tocaram "Would?", que foi puxada por Inez. O som estava perfeito e mais uma vez a apresentação foi impecável.
Finalizaram as 1h30m de show com "Rooster", e mais uma novidade ocorreu. Desta vez a plateia surpreendeu a banda e, só ao ouvir os primeiros acordes da guitarra, já saiu cantando o coro que abre o início da música. A banda super contente deixou o público fazer esta parte e continuou a música. O refrão também foi cantado por todos e o público não conseguia esconder a alegria quando a música entrou em sua parte mais pesada. Como se eles estivessem no próprio palco, as camisetas continuaram sobre os telões. Não eram quatro que tocavam, mas 6, acompanhados de 7 mil vozes.
No geral é difícil apontar problemas no show. Se podemos dizer que alguma coisa faltou, isso acho que todos devem concordar, foi TEMPO: tempo para tocar mais músicas, tempo para interagir mais com o público.
Sem dúvidas apenas 1h30m é muito pouco para um artista como o Alice in Chains. Assim cortar músicas acabou sendo a toada da banda, que cortou "Down in a Hole" do show de São Paulo – músicas que tinha sido tocada tanto no Rio de Janeiro como em Porto Alegre. Outras músicas que ficaram de fora foram a também conhecida "Angry Chair", uma das preferidas do público brasileiro, "Acid Bubble", "Rain When I Die", "Heaven Besides You", entre outras. O último disco, aqui em São Paulo, também foi muito pouco aproveitado: músicas como "Voices", "Phantom Limb" e a própria "The Devil Put Dinosaurs Here" poderiam ter sido parte de um setlist mais estendido.
Somente mais e mais Alice in Chains poderia ter deixado o público mais contente, mas acredito que, do que foi entregue no show, ninguém pode reclamar da totalidade do trabalho da banda e da consistência que o novo vocalista, William Duvall, que vem a cada dia evoluindo mais e mais no comando da banda. Layne Staley vai sempre deixar saudades, mas o público deveria olhar com bons olhos o novo vocalista e dar chances para ele, pois seu esforço e sua técnica são indiscutíveis.
Alice in Chains é:
William Duvall – Vocal, Guitarra e Violão
Jerry Cantrell – Guitarra, Segunda Voz
Mike Inez – Baixo, Segunda Voz
Sean Kinney – Bateria e Percussão
Setlist:
1. Them Bones
2. Dam That River
3. Hollow
4. Check My Brain
5. Again
6. Man in the Box
7. Your Decision
8. Last of My Kind
9. Stone
10. No Excuses
11. It Ain't Like That
12. We Die Young
13. Sludge Factory
14. Grind
15. Nutshell
Bis:
16. Would?
17. Rooster
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