William DuVall encara desafio do metal ao gravar com Metal Allegiance: "É preciso estar à altura"
Por Franklin Monteiro
Postado em 21 de janeiro de 2026
Conhecido por comandar os vocais do Alice In Chains há duas décadas, William DuVall sempre ocupou uma posição curiosa no mapa do rock pesado. Oriundo das cenas hardcore e punk, ele ajudou a manter viva uma das bandas mais sombrias e pesadas do grunge de Seattle - movimento que, apesar das origens alternativas, sempre dialogou fortemente com o heavy metal.
Agora, DuVall cruza essa fronteira de forma ainda mais explícita ao participar do projeto all-star Metal Allegiance, assumindo os vocais e a letra da faixa "Black Horizon", que também conta com Alex Skolnick (Testament), Mike Portnoy (Dream Theater) e Mark Menghi. O resultado é um encontro raro entre peso técnico, narrativa densa e interpretação vocal carregada de atmosfera.
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Metal-adjacente, mas sem rótulos
DuVall nunca escondeu sua relação ambígua com o metal. Embora o Alice In Chains jamais tenha sido uma banda "metal pura", sua sonoridade sempre flertou com o peso extremo - algo que o próprio Layne Staley fazia questão de assumir, como fã declarado de Black Sabbath, Slayer, Venom e King Diamond.
Para DuVall, a questão nunca foi o rótulo, mas a música em si. Ele se define como um músico que evita ser encaixado em categorias rígidas, ainda que reconheça a necessidade prática dessas divisões. Crescido em meio à cultura do tape trading, ele viu de perto o nascimento do thrash e acompanhou de perto o impacto inicial do Metallica ainda antes do lançamento de Kill 'Em All.
Segundo ele, punk e metal sempre coexistiram - mesmo quando as tribos insistiam em brigar entre si.
Um desafio fora da zona de conforto
A entrada no Metal Allegiance representou exatamente isso: um desafio. DuVall reconhece que não escreveria naturalmente riffs ou estruturas como as que Skolnick e Portnoy criam, mas foi justamente esse deslocamento criativo que tornou o convite atraente.
Ao receber a música, ele reagiu primeiro como ouvinte. Em seguida, como compositor. O título Black Horizon surgiu quase imediatamente, junto de uma narrativa inspirada em jornadas, deslocamento e incerteza - uma metáfora que dialoga tanto com ficção científica quanto com o próprio espírito do metal épico.
"Esse tipo de música exige que você escreva um papel para si mesmo e depois o interprete", explicou. Para DuVall, cantar nesse contexto é quase um exercício de atuação.
Do grunge ao metal técnico - sem pedir licença
A presença de DuVall no Metal Allegiance também reforça algo que muitos fãs já sabiam: o Alice In Chains sempre foi a banda mais "metal" do grunge. Não por estética, mas por densidade emocional, afinações graves e um senso de peso que nunca dependeu de velocidade ou pirotecnia.
Não por acaso, a banda conseguiu algo raro: permanecer relevante no rádio rock mainstream e, ao mesmo tempo, dividir palcos com gigantes do metal sem causar estranhamento.
A colaboração com o Metal Allegiance deve se estender aos palcos em 2026, ampliando ainda mais esse diálogo entre universos que, hoje, parecem menos separados do que nunca.
20 anos à frente do Alice In Chains - e o futuro em aberto
DuVall também refletiu sobre o marco de ser o vocalista mais longevo da história do Alice In Chains. Para ele, não há como "fechar a conta" do passado de forma definitiva. A trajetória da banda envolve perdas, reinvenções e pressões constantes - muitas delas autoimpostas.
Sobre material novo do Alice In Chains, a resposta segue cautelosa. A banda deve se reunir para avaliar caminhos, sem cronogramas rígidos. A pressão existe, mas a autonomia também.
Em um mundo onde a indústria mudou radicalmente desde os tempos de cartas e fitas cassete, DuVall valoriza algo simples e cada vez mais raro: continuar fazendo música que importa para as pessoas.
E, como mostra Black Horizon, quando o desafio é grande, ele não recua - sobe o volume e encara.
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