Paramore: Um show sensacional em São Paulo
Resenha - Paramore (Espaço das Américas, São Paulo, 30/07/2013)
Por Hugo Alves
Postado em 03 de agosto de 2013
Esta é a terceira vez em que o Paramore passa por terras tupiniquins. Desta feita, o trio formado por Hayley Williams (voz), Jeremy Davis (baixo) e Taylor York (guitarra) veio promover seu quarto disco de estúdio, o auto-intitulado lançado há pouquíssimo tempo. A banda ainda trouxe os seguintes músicos de apoio: Justin York (guitarra e voz), Jon Howard (guitarra, piano, teclado e voz) e Ilan Rubin (bateria).
O que se via ao redor e dentro do Espaço das Américas, na noite de 30 de julho (primeira das duas datas da banda em São Paulo) era um clima de imenso respeito e, acima de tudo, via-se que o Paramore vem crescendo no conceito de uma grande gama de fãs da música e do Rock, livrando-se cada vez mais de preconceitos bobos. Não era necessário andar muito para ver fãs mais velhos com camisetas de Iron Maiden, AC/DC, Black Sabbath e Metallica. Esses mesmos fãs curtiram – e muito – o show da trupe de Hayley Williams, independente de serem pais acompanhando as filhas adolescentes (que compareceram em peso) ou simplesmente fãs tão ávidos pelo Paramore como por Rock clássico, de um modo geral (como este que vos escreve).
A banda, como de costume, mostrou respeito com os presentes e usou de pontualidade. Hayley Williams e Taylor York subiram sozinhos ao palco, às 21h30, tocando "Moving on", singela canção presente no mais recente disco da banda, "Paramore", de 2013. Foi apenas uma entrada bonita e classuda que, rapidamente, deu lugar para que Jeremy Davis e os músicos de apoio completassem o time e fizessem o EDA vir abaixo com o peso e os primeiros acordes de "Misery Business", seguida por "For a Pessimist, I’m Pretty Optimistic", ambas do disco "Riot!", de 2007, e este peso foi completado com classe por "Decode", música-tema do primeiro filme da saga "Crepúsculo". Não importa se você gosta ou não do filme, há de concordar que se trata de uma canção poderosa, e foi com certeza o primeiro grande momento onde o público consegue cantar mais alto que Hayley.
Em seguida, "Now", que tem um refrão marcante e obviamente foi cantado em uníssono por todos, e "Renegade", pesada, rápida, agitada e mantendo o clima lá em cima. Do primeiro disco da banda, o excelente "All We Know is Falling", de 2005, a banda resgatou "Pressure", sendo rapidamente substituída pela nova "Ain’t it Fun", provavelmente a melhor canção do novo disco. É difícil explicar o que essa canção representa; claramente, é uma latente evolução dos componentes da banda enquanto compositores e intérpretes. Lembra muito do Maroon 5, mas ainda mais dançante e bonita – afinal, trata-se de Hayley Williams na voz e na dança, extremamente sensual até sem querer...
De longe, o momento mais sentimental do show foi durante a execução de "The Only Exception", com seu fundo suave e todas as vozes presentes no EDA fazendo jus à reputação desta fantástica banda. O sentimentalismo, porém, foi rapidamente posto abaixo pela animação resultante de "Let the Flames Begin" e "Fast in my Car", mas a casa novamente veio abaixo com "Ignorance", já clássica do disco "Brand New Eyes", de 2009. Durante a execução dessa música, até mesmo a banda parecia estar tocando/ cantando como se fosse a última coisa que estivessem fazendo na vida, e a empolgação vinha da banda e voltava para a banda, tamanha era a interação durante todo o espetáculo.
A banda seguiu firme com "Looking up", também de "Brand New Eyes", e "Whoa", do primeiro disco. Nesta última, Hayley Williams comandou uma brincadeira, dividindo a plateia pela metade e usando o microfone para comandar. Quando a plateia errava o comando, era nítida a diversão de Hayley, que dizia algo como "You have to be fast, fast!". Não é mais novidade para ninguém que Hayley Williams, apesar da pouca idade, é uma frontgirl de primeira linha e que, muito embora já entre no palco com o jogo ganho, não se acomoda e agita durante todo o show, cantando perfeitamente – a garota não falhou em nenhum momento durante todo o espetáculo, que absurdo! –, dançando, pulando e às vezes até parecendo estar numa luta. A banda toda também não fica devendo em nada; tratam-se de ótimos músicos que seguraram a peteca muito bem. Destaques: o baterista Ilan Rubin, um verdadeiro monstro, e o baixista Jeremy Davis, que certamente agitou quase que a mesma coisa que Hayley, chegando até a dar um salto espetacular no meio do palco durante o show. Felizmente, o show do Paramore oferece tudo o que um verdadeiro fã da boa música pode esperar: palco muito bonito e bem montado, músicos de primeira, uma vocalista espetacular em todos os sentidos e, obviamente, música de primeira linha!
Já caminhando para o final do show, seis fãs sortudos foram escolhidos a dedo por Hayley Williams para – pasme! – subir ao palco e "ajudar" durante a divertida "Anklebiters". Eles tiveram oportunidade para abraçar Hayley, tirar fotos com ela e os outros membros da banda durante a canção e, logicamente, cantar junto dos músicos. Fico imaginando como será boa essa lembrança para eles, certamente um momento inesquecível, e invejável para as outras pessoas presentes. O clima de festa introduziu a arrasa-quarteirão "That’s What You Get", urrada a plenos pulmões Espaço das Américas afora. O encerramento da primeira parte do show se deu com a nova "Still Into You", melódica, bonita e animada ao mesmo tempo.
Mas todos sabiam que não era o fim.
O público cantou para Hayley, num coral lindíssimo de ouvir, e ela voltou, mas não atendeu esse pedido criativo. Em vez disso, mandou "Proof", última do novo disco que disse "presente" e, finalmente, encerrou a primeira noite de 2013 do Paramore em São Paulo com "Brick by Boring Brick", esgotando o que restava das energias de todos ali presentes. A banda se despediu do público – que lotou o Espaço das Américas – com gestos, beijos, baquetas, palhetas, munhequeiras e muito carinho. A qualidade do show é incontestável, descontando apenas as estranhas ausências de "My heart" e "Crushcrushcrush" no setlist, já que são tão essenciais na carreira da banda. De qualquer modo, não comprometeu e o show foi sensacional!
O Paramore tornou-se uma verdadeira instituição do Rock atual. É claro que estamos falando de uma banda que difere muito do que chamamos de "instituição" quando nos referimos aos dinossauros do Rock, mas eles oferecem música de qualidade, com personalidade – diferente das "Avril Lavignes" da vida, que oferecem "Sk8er Boy" ou "Girlfriend", dependendo do que for melhor pra vender no momento –, com temas bem atuais e questionamentos que realmente fazem a galera jovem que os ama tanto parar pra refletir nas letras e naquilo de que tratam nas canções. Só nos resta torcer para que isso seja mantido e que a banda continue a crescer tanto quanto já vem crescendo desde que nasceu. Fica agora a saudade desse show fantástico e a ansiedade pelo retorno da banda. Enfim... Vida longa ao Paramore!
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