All That Metal: fotos e resenha do show de Andre Matos em POA

Resenha - Andre Matos (Teatro do CIEE, Porto Alegre, 03/05/2013)

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Por Tiago Alano
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

No dia 3 de maio, sexta-feira, Porto Alegre recebeu novamente o vocalista Andre Matos, um dos nomes mais importantes do Metal nacional. O vocalista está realizando uma série de shows para divulgar seu álbum mais recente, "The Turn Of The Lights", além de celebrar os 20 anos de "Angels Cry", álbum clássico do Angra que está sendo tocado na íntegra na atual turnê. A apresentação foi realizada no Teatro do CIEE, mesmo local onde o Viper apresentou-se ano passado, e o ALL THAT METAL estava lá para fazer a cobertura do evento e trazer todos os detalhes para vocês.

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A banda responsável por abrir a noite foi o King Of Bones, banda paulista que aposta em um Heavy Metal tradicional de alta qualidade. A banda apresentou várias faixas de seu debut lançado no final do ano passado, "We Are The Law". O mais impressionante de tudo, é que segundo o vocalista Júlio Federici, essa era a estréia da banda nos palcos, algo difícil de acreditar para uma banda com tanto profissionalismo como o King Of Bones. Geralmente, a banda de abertura não é tão apreciada pelos presentes, mas os paulistas mandaram muito bem e conquistaram o público presente.

Todos os integrantes são excelentes, fazendo o King Of Bones funcionar como uma unidade poderosa. O guitarrista Rene Matela tem muito feeling e uma ótima presença de palco. Renato Nassif é um baterista com uma pegada marcante que dá mais vida ao som da banda, acompanhado por Rafael Vitor na cozinha, baixista preciso nas 5 cordas. Já o vocalista Júlio Federici é um ótimo frontman, conseguiu levantar a platéia e tem um timbre com personalidade.

Abriram com "We Are The Law" e "Fly Away", surpreendendo a todos logo de cara. O repertório foi quase todo composto de músicas próprias (apenas um cover foi tocado), atitude mais do que louvável, pois ficar tocando muitos covers ao abrir para outra banda é total perda de tempo. Destaque especial para "Hell's Pub", que tem uma pegada mais Rock'n'Roll, e "Broken Dreams", possivelmente a melhor faixa do primeiro registro. Encerraram com um cover de "Perry Mason", de Ozzy Osbourne.

Finalizado o show de abertura, o público aguardou por pouco tempo até as luzes apagarem-se e começar a tocar a canção "Masked Ball", trilha sonora de "Eyes Wide Shut", filme do louvável Stanley Kubrick. A banda de Andre Matos entrou no palco para logo mais o vocalista surgir gerando um delírio total na platéia. A apresentação teve início com "Liberty", faixa do trabalho mais recente, que foi seguida por "I Will Return" (do álbum "Mentalize"), canção cantada a plenos pulmões por todos presentes. Fechando a trinca de abertura do show, "Course Of Life", mais uma faixa do novo álbum que foi muito bem recebida pelos fãs.

Após esse início empolgante, pausa para Andre Matos saudar o público, agradecendo a presença de todos e falando que era ótimo estar no Rio Grande do Sul novamente. Ele afirmou que a banda apresentaria nessa noite o show completo e não se importava se havia um horário para entregar o local, deixando todos empolgados pelo que ainda estava por vir. Aqui cabe um comentário mais específico sobre algo que foi dito: como vocês todos sabem, os ingressos já estavam esgotados alguns dias antes da apresentação, a casa estava lotada. "E depois tem gente que fala que não tem público para o Metal nacional... tem gente que fala que o sul está acabado, que não vale a pena fazer show aqui, né?" - essas foram as palavras que geraram gargalhadas gerais na platéia. Uma clara alusão ao que foi dito no polêmico vídeo de Edu Falaschi. Me desculpem os fãs do Falaschi, mas contra um show sold out não existem argumentos válidos. Existe sim público para shows de bandas nacionais aqui no sul, sendo algo de qualidade é isso que acontece, casa cheia e os fãs agitando do início ao fim.

A próxima canção foi a que deu início a carreira solo do maestro do Metal tupiniquim, "Rio", com centenas de vozes fazendo o Teatro do CIEE tremer durante o refrão. A clássica "Fairy Tale" veio logo a seguir, um dos pontos altos da apresentação, um momento realmente emocionante que mais uma vez teve a participação essencial do público. Ainda tivemos mais uma do novo álbum, "Stop", provando de vez que o trabalho mais recente de Andre Matos foi muito bem recebido pelas pessoas que acompanham sua carreira. Ao final da canção, Hugo Mariutti ainda entregou sua guitarra para as pessoas que estavam bem a frente do palco. Isso mesmo, entregou a guitarra!

"Lisbon" foi a primeira canção do Angra que a banda tocou, causando uma histeria generalizada em todos. Certamente, muitos ali começaram a acompanhar a carreira de Andre Matos quando ele ainda integrava a banda, o que faz com que essas músicas tenham uma recepção muito calorosa quando executadas ao vivo. A última canção de "Turn Of The Lights" presente no repertório foi "On Your Own", talvez o único momento morno do show, que foi antecedida por um breve solo de bateria de Rodrigo Silveira.

Quando os primeiros acordes de "Living For The Night" começaram a tocar, Andre Matos simplesmente entregou o microfone para a platéia cantar. Após duas tentativas que geraram boas risadas, o terceiro fã a pegar o microfone mandou muito bem e foi aplaudido pelo próprio Andre Matos. Aliás, esse foi outro ponto alto da apresentação, o bom humor, o carisma dos músicos e essa interação próxima com os fãs, algo raro de ver hoje em dia. Aqui chegamos a metade do show, com essa canção que foi primordial para fundamentar a cena nacional, intercalada por Andre Matos pedindo para todos os presentes cantarem junto. Um momento épico!

Uma pequena pausa embalada por música erudita e logo as luzes apagam-se novamente, a introdução "Unfinished Allegro" começa a tocar e todos já sabiam o que estava por vir. Teve início a celebração de 20 anos de "Angels Cry"! Obviamente, tudo começou com "Carry On", possivelmente o maior clássico de toda a carreira de Andre Matos. É impressionante o efeito que essa música causa nas pessoas, ainda mais com seu vocalista original cantando, soando exatamente igual ao álbum. Confesso que isso me impressionou, pois imaginava que algumas daquelas notas mais altas poderiam ser mais difíceis para ele alcançar hoje em dia. Ainda bem que eu estava errado, muito errado!

O álbum foi todo tocado em sua sequência original e o show continuou com "Time" e "Angels Cry". A banda está executando as canções com exímia perfeição, com apenas alguns pequenos detalhes faltando. Talvez o único fator de maior relevância que está fazendo muita falta são os backing vocals de algumas faixas, uma vez que nenhum integrante está fazendo eles. Isso tornou-se ainda mais perceptível em "Stand Away", que originalmente inclui vocais essenciais para a música. Mas tudo bem, o importante é que Andre Matos continua mandando muito bem em composições mais antigas e o público mesmo deu conta de muitos backing vocals.

"Never Understand" veio na sequência com seu início bem brasileiro, uma música épica e repleta de variações. A essa altura da apresentação, notei que vários presentes já estavam extasiados com o que estava sendo tocado naquele palco, pois muitos jamais poderiam imaginar que algumas dessas músicas voltariam a ser tocadas ao vivo. Logo depois, Andre Herandes fez um rápido solo que contou também a participação da platéia, testando qual lado estava gritando mais alto. Hugo Mariutti juntou-se a ele logo depois e mandou um trecho de "Black Magic", do Slayer, uma maneira de homenagear Jeff Hanneman.

Após os solos, o som de ventos uivantes ecoam pelo Teatro do CIEE, seguidos das primeiras notas de "Wuthering Heights". Esse cover da Kate Bush, presente no álbum de estréia do Angra, foi o único momento em que Andre Matos realmente não conseguiu cantar exatamente igual ao álbum. O que não faz muita diferença também, pois sua versão original é algo quase sobre-humano. Mais um pequeno solo de guitarra de Hugo Mariutti e Andre Hernades, dessa vez intercalados pelos riffs de "Streets Of Tomorrow", outra música que levantou a platéia. Importante citar que mais uma vez Hugo tocou um trecho de uma música do Slayer, dessa vez "Dead Skin Mask".

Chegando ao fim da apresentação, ainda tivemos "Evil Warning", uma das melhores faixas de "Angels Cry". Para encerrar de vez a noite, "Lasting Child", um final emocionante para uma apresentação que fez história em solo gaúcho. A banda despediu-se enquanto "Renaissance" ainda estava tocando nos PAs. Satisfação total, tanto do público quanto da banda.

Nota 10 para a banda, público e produção do evento por parte da Abstratti. Um show com exímio profissionalismo e excelente interação entre os músicos no palco com aqueles que prestigiaram essa brilhante performance. Independente do que muitas pessoas pensam sobre Andre Matos, ele segue mostrando que ainda tem muito caminho para percorrer e afirma seu nome como o maior frontman do Metal nacional. Quem estava lá assistiu uma apresentação que não deve em nada para bandas gringas e ainda conferiu um álbum que marcou a cena brasileira sendo tocado na íntegra. Uma noite para ser lembrada por muito tempo!

SET LIST

KING OF BONES:
We Are The Law
Fly Away
Find Your Salvation
Heroes
Hell's Pub
Broken Dreams
Rise And Fall
Perry Mason (Ozzy Osbourne)

ANDRE MATOS:
Parte 1
Masked Ball (intro)
Liberty
I Will Return
Course Of Life
Rio
Fairy Tale (Shaman)
Stop
Lisbon (Angra)
Solo de bateria
On Your Own
Living For The Night

Parte 2 - Angels Cry
Unfinished Allegro
Carry On
Time
Angels Cry
Stand Away
Never Understand
Solo de guitarra
Wuthering Heights
Solo de guitarra
Streets Of Tomorrow
Evil Warning
Lasting Child

Para conferir a galeria de fotos, acesse:
http://allthatmetal.blogspot.com.br/2013/05/review-de-show-a...

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Sobre Tiago Alano

Tiago Alano cresceu em meio aos maiores clássicos do Rock da coleção de discos de vinil de seu pai, mas foi quando conheceu o Iron Maiden aos 13 anos que sua vida mudou por completo. É publicitário, fotógrafo e escreve sobre música desde 2005. Além de colaborar com o Whiplash, também possui seu próprio blog, o All That Metal, e é um dos apresentadores de um programa na Rádio Putzgrila voltado para bandas independentes.

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