Mad Max: revivendo a aura mágica da década de 80
Resenha - Mad Max (Blackmore Rock Bar, São Paulo, 13/04/2013)
Por Willba Dissidente
Postado em 21 de abril de 2013
A banda alemã MAD MAX vive na linha tênue entre o Hard Rock e o Heavy Metal, sendo referência nesse estilo típico dos anos oitenta. Ainda sem receber a devida atenção da mídia e mesmo sem ter um único disco oficialmente lançado no Brasil, a tour marcada para abril desse ano era seguida de muita expectativa pelos fãs da banda, pois o grupo já havia cancelado sua apresentação em terras tupiniquins por dois anos consecutivos. Assim, o MAD MAX passou por Goiânia, Brasília e Catanduva, antes de chegar em São Paulo (capital) para apresentar a "Another Night Of Passion Tour", em um show que buscava re-viver a aura da década de 1980. Teriam eles conseguido trazer de volta essa mágica?
Em noite de muito frio e chuva, o Blackmore estava com boa lotação quando, por volta da meia-noite, o MAD OLD LADY subiu, sem aviso ou apresentação, no palco. O grupo chegou tocando músicas que farão parte do seu vindouro disco "Viking Soul". Composta por oito integrantes, o som do grupo é tão sui generis quanto sua formação; que incluí, além do básico duas guitarras, baixo, bateria e teclado, TRÊS vocalistas. Acredito que muitos dos presentes não tenham entendido a proposta da banda, com seu vocal principal grave, lembrando até o SISTERS OF MERCY, guitarras pesadas e muito criatividade (e variedade) nas composições. A apresentação ainda contou com um mascote fantasiado no palco, e, em determinadas músicas, como "My Heart", vários amigos da banda subiram no palco, gerando uma lotação de até dezesseis pessoas (!) sob os holofotes principais do Blackmore... Interessante notar que um número grande de pessoas no bar estavam com a camiseta do fã-clube do MAD OLD LADY (My Heart), estando no show justamente para prestigiá-los. Ao fim de nove canções, a banda se despediu tão timidamente quanto entrou no palco.
Cerca de uma hora para acertos e ajustes e logo subiu o SAGITTA. Com seu power metal que fleta frequentemente com o metal melódico, Sandra Kison (teclados), Pedro Crispi (Baixo), André Alves (Bateria ), Silvio Vasconcellos (guitarra) e Ricky Wychovaniec (vocais), animaram os presentes. Logo após o primeira música, o vocalista avisou que a apresentação da banda seria curta, somente 03 canções e que logo viria o MAD MAX. Após duas músicas próprias, o SAGITTA se despediu com um inusitado cover de "Take Hold Of The Flame" do disco "The Warning", de 1984, do QUEENSRYCHE; sendo muito aplaudidos pelo público.
Novamente o palco é modificado e precisamente às 02:30 da manhã ouve-se uma voz felicitando os presentes vinda dos PA's: "Welcome to Another Night of Passion". Então começa a clássica introdução da canção "Burning the Stage", de 1987, com a bateria e a banda toda entrando em seguida. Nesse momento, a empolgação era geral no Blackmore, com a entrada triunfal do MAD MAX logo com um de seus hinos. Como muito entrosamento e bom humor vinha do palco a platéia respondia com empolgação à cada movimento do grupo.
O vocalista e guitarrista Michael Voss se mostrou um excelente frontman, dotado de muito carísma, cantando e tocando com maestria. O membro fundador Jürgen Breforh (que estava com uma touca a lhe cobrir o seu tradicional corte de cabelo usado, com poucas variações, desde a primeira foto promocional do MAD MAX) era o que se mostrava mais feliz de estar no palco do Blackmore, agitando muito, empunhando a guitarra para platéia e sempre sorrindo e cumprimentando a os membros da platéia que mais agitavam junto com ele. Em dados momentos, Breforth e Voss juntavam em leads e solos dobrados, demonstrando o quanto ambos dominam seus instrumentos. O mesmo é facilmente afirmado do baterista Axel Kruse (JADED HEART), muito eficaz dos seus andamentos e viradas. O baixista Roland Bergmann, ficava headbangin' mais no seu canto do palco e mandava super bem nos background vocals, sendo de condição sine qua non seu suporte à voz principal de Voss. Só ao vivo é perceptivél o quanto esse indivíduo canta bem, seja nos tons mais graves ou nos agudos.
Uma característica notada ao assistir o MAD MAX é que, em todas as músicas, a banda alterou algo no andamento das canções. Seja alongando uma introdução, dobrando um solo, ou qualquer outra modificação de arranjo, o MAD MAX se esforça por dar vida nova, dentro da temática oitentista, às músicas que os fãs já bem conhecem, o que torna a apresentação mais prazeirosa de ser assisitida. Um outro fato marcante é que a banda, basicamente, alternou entre músicas do disco "Night Of Passion" (1987) e sua continuação "Another Night Of Passion" (2012). Ainda que este último soe exatamente como um play de Hard Rock / Heavy Metal da década de 1980, muitos fãs ainda não estavam familiarizados com as músicas dele. Para garantir a empolgação por toda a apresentação, o MAD MAX apelou para bateção de palmas, gritos de "Hey", e tudo mais de interiração que fosse possivél com o público, garantindo assim que os presentes agitassem o show. A próxima música foi a novas "Welcome to Rock Bottom", emendada na também recente "Metal Edge", seguida de "Wait For The Night", de 1987.
Uma quebra no então ritmo frenético da apresentação se seguiu quando Michael Voss anunciou que faria uma homenagem ao seu guitarrista favorito, que faleceu recentemente. Ele se referia a GARY MOORE. Não obstante o MAD MAX ter gravado uma canção instrumental em homenagem ao músico irlandês, o que Voss fez foi emendar vários e diversos solos e e riffs na sequência, sem acompanhamento; sendo muito aplaudido pela platéia.
Após esse rápido interlúdio, Voss anunciou que a próxima música teve a letra escrita por Don Dokken e veio "Fallen From Grace", cujo instrumental parece ter saído do disco "Back For the Attack" do DOKKEN. Entretanto, antes de começar o dedilhado da canção, os fãs mais a frente começaram a pedir a música "Losing You" do disco "Rollin' Thunder", de 1984. Voss até fez o riff inicial da canção, porém logo se desculpou, dizendo que a banda não havia ensaiado essa. Após "Falling From Grace", alguém da platéia tentou subir no palco e agarrar Michael Voss (chegando a segurar no braço do guitarrista), sendo impedido pelos headbangers presentes, não antes de derramar quase todo conteúdo do seu copo de bombeirinho no lado direito do palco... o que foi limpo pela organização no começo do próximo som.
Um homento muito celebrado veio com "Lonely is The Hunter", a única representante no set do LP "Stormchild", de 1985, que foi colada na faixa-título do disco seguinte, "Night Of Passion". Rapidamente, entre as duas faixas, Voss disse que essa noite encerra a tour brasileira e que a banda amou o Brasil. Com a platéia cantando em unissono as últimas duas, veio "Fever Of Love", cover do THE SWEET, também muito celebrado.
Como se a primeira parte do show tivesse findado, Voss lembra os presentes que gravou ano passado um disco com o guitarrista MICHAEL SCHENKER (UFO, SCORPIONS, MSG), quem mandava saudações ao Brasil e dizia que logo estaria conosco (em referência a "Lovedrive Reunion Tour"); levando o cover de HANGIN' ON. Essa foi a canção mais desconhecida do público, ainda que o disco "Temple Of Rock" seja composto 80% de hard rock oitentista. Para compensar, o MAD MAX atacou com "Wild and Seveteen", uma das favoritas dos presentes e encerrou a apresentação com o cover clássico de "Fox On The Run", novamente do THE SWEET.
Com a mesma precisão de que entrou no palco, o MAD MAX se despedia, muito ovacionado pela platéia, com exata uma hora de apresentação. Os músicos ainda passearam pelo público, tirando fotos e distribuindo autógrafos, sempre com um sorriso e sendo muito solicitos com os fãs. Após outra reformulação de palco e começa a apresentação do RAINBOW RAISING, cover de RAINBOW, que coube a ardua tarefa de encerrar essa celebração ao rock quando muitos do presentes já tinham ido embora, ou faziam fila p/ acertar as comandas, ou caiam pelas paredes. Ainda que em condição adversa, o grupo não se sentiu pressionado e tocou com muita competência um set-list variado para fazer a alegria dos fãs de Richie Blackmore. Destaque para o vocalista, que canta igual ao DIO, o que não impediu a banda de levar músicas das fases Graham Bonnet e Joe Lynn Turner.
O saldo final da apresentação foi muito positivo. Havia quem duvidasse que o MAD MAX fosse tocar os clássicos, o que não se verificou. Não faltaram boatos, pelo grupo ter lançado três discos de white metal na década passada, que a banda fosse falar "mensagens de Jesus" entre as músicas, o que, outra vez, não aconteceu. Não obstante a falta de músicas dos dois primeiros discos, o MAD MAX fez uma apresentação enérgica e empolgante para seus fãs no Brasil e tem tudo para retornar e repetir essa dose de Hard Rock e Heavy Metal dos anos oitenta.
Como nota final, saliento o excelente trabalho da produção do show, que além do ingresso ser vendido à preço justo, primou por som e iluminação excelentes por toda noite; sendo dignos de parabéns.
Willba Dissidente agradece à amiga Ana Paula Rampinelli, por ter disponibilizado o set-list.
MAD MAX
Michael Voss - vocal e guitarra solo
Jürgen Brefoth - guitarra
Roland Bergmann - baixo
Axel Kruse - bateria
Set-list:
01 . Burning the Stage
02 . Welcome to Rock Bottom
03 . Metal Edge
04 . Homenagem ao GARY MOORE
05 . Wait for the Night
06 . Falling From Grace
07 . Lonely is The Hunter
08 . Night Of Passion
09 . Fever of Love
10 . Hangin' On
11 . Wild and Seventeen
12 . Fox on the Run
Discografia:
Mad Max (1982)
Rollin' Thunder (1984)
Stormchild (1985)
Night Of Passion (1987)
Never Say Never (1999)
Night Of White Rock (2006)
In White (EP, 2007)
White Sands (2007)
Here We Are (2009)
Welcome America (2010)
Another Night Of Passion (2012)
Sites relacionados (em português / inglês):
MAD MAX:
http://www.madmaxofficial.de/
http://www.facebook.com/pages/Mad-Max/162308213838568?ref=ts&fref=ts
http://www.myspace.com/madmaxmusic
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