Resenha - Andre Matos (Pirilampus Bar, Sorocaba, 22/03/2013)

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Por Hugo Alves
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Dois anos e meio depois de sua primeira passagem por Sorocaba em carreira solo, Andre Matos trouxe sua banda e fez do primeiro show da nova turnê uma celebração a dois extremos de sua carreira: de um lado, o lançamento do disco “The Turn of the Lights”, o terceiro de sua empreitada solo; de outro, a celebração dos vinte anos de lançamento do disco “Angels Cry”, o primeiro da carreira do Angra, sua ex-banda.

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Fotos: Hugo Alves

Mas antes da esperada atração principal, tivemos as participações de duas bandas de abertura. A primeira, Dream Wild, já é conhecida do cenário underground da região de Sorocaba. Eles abriram de cara com um competentíssimo cover de “Hell Patrol”, clássico do Judas Priest, e foram mesclando músicas autorais com covers de Manowar e Helloween, por exemplo. Destaque para a faixa que encerrou a curta, porém eficaz apresentação do grupo, “Metal Warriors”. Apesar do título clichê, a canção é um exemplo de peso, técnica, melodia e feeling. A segunda banda de abertura foi a Pop Javali, um power trio muito técnico que, com certeza, tem influências de Dream Theater e, principalmente, Rush – o que quer dizer que a banda também faz um som poderoso. Entretanto, as linhas mais “viajadas” desta banda fez a galera começar a perder um pouco da paciência e ansiar nervosamente pelo show principal.

Aliás, ponto para a equipe do Pirilampus Bar e também para as das bandas. O que se viu foi um ambiente de respeito e organização, de modo que praticamente não houve atrasos – considerando que se trata de um show em Sorocaba, é claro – nem desconfortos para os espectadores. Por volta da 1h30, começou a soar uma introdução (que era a mesma introdução da turnê do Mentalize), enquanto subiam ao palco Bruno Ladislau (baixo), Rodrigo Silveira (bateria), André “Zaza” Hernandes (guitarra) e Hugo Mariutti (guitarra e backing vocals), dando início a “Liberty”, faixa de abertura do novo álbum do vocalista, que subiu ao palco em cima da hora do primeiro verso. Foi incrível observar como a galera começou a absorver positivamente o novo trabalho de Andre Matos, visto que “Liberty” e “Course of Life” foram consideravelmente berradas pelos presentes, principalmente os que estavam mais próximos ao palco.

Andre e cia. se mostraram muito entusiasmados e felizes com a casa cheia e os ingressos esgotados – sem falar na empolgação do público, que somou algo em torno de 1.200 pessoas. Andre citou o novo disco e prometeu que incluiria mais músicas ao longo da turnê, mas mesmo assim se disse feliz por ser a primeira vez que estavam executando esse novo material – essas músicas funcionam absurdamente bem ao vivo! Na sequência, “Rio”, canção matadora do disco “Time to be Free” (2007), provocou o primeiro momento de catarse coletiva no local, com o refrão sendo urrado a plenos pulmões pelos presentes. Em seguida, outras duas novas canções, “Stop!” e “On Your Own”, vieram fechar a curta, porém eficaz presença do novo material no setlist da banda. Ficou apenas a curiosidade sobre a não execução da faixa-título do álbum, favorita entre muitos fãs.

Do disco “Mentalize” (2009), a única que disse “presente” foi a inigualável “I Will Return”, com seu refrão pra cima e cheio de energia – novo momento de emoção no show. É claro que isso foi superado quando o canto lírico que antecede “Fairy Tale” (clássico máximo do primeiro disco do Shaman, “Ritual”, de 2002) soou nos PAs, gerando grande comoção por parte daqueles que não tiveram a oportunidade de ver o Shaman original ao vivo, e grande saudosismo dentre os que tiveram essa sorte. Um dos momentos mais bonitos do show, de longe! O único ponto negativo foi a não execução da última parte, quando a música volta a ficar calma e Andre Matos encerra a canção de forma sublime, mas isso não comprometeu a apresentação.

Em seguida, Andre Hernandes e Hugo Mariutti começaram suas apresentações particulares, com solos de guitarra de dar gosto aos amantes da virtuose, e que antecederam o clássico máximo da época do Viper, “Living for the Night” (do disco “Theatre of Fate”, de 1989). A primeira parte da canção é carregada de forte tom emocional, e foi maravilhoso presenciar tantas pessoas batendo palmas e cantando tão alto esta canção, que foi estendida para a apresentação da banda e para o anúncio de uma rápida pausa, que seria seguida pela parte mais esperada da apresentação: o primeiro disco do Angra, “Angels Cry” (1993), sendo executado na íntegra.

Sobre este primeiro set, valem algumas considerações: o que pareceu é que algumas canções foram executadas apenas para “cumprir tabela” – em outras palavras, para que certas fases da carreira do vocalista não passassem em branco. Quanto ao Viper, é até certo ponto compreensível, visto que a banda original se reuniu quase que inteiramente no ano passado para o que foi uma turnê mais que bem-sucedida; histórica! Quanto às canções do Shaman, muita gente pediu por hinos como “Distant Thunder”, “Ritual” e “Innocence”, que infelizmente não deram as caras. É claro, o que veio a seguir fez da apresentação um show irrepreensível!

Menos de dez minutos depois, as luzes do palco voltaram a se apagar, enquanto soava a introdução “Unfinished Allegro”, anunciando a realização do sonho de muita gente ali presente (senão todos): Andre cantaria o primeiro disco do Angra na íntegra! Quando a banda subiu ao palco e começaram as primeiras notas de “Carry on”, parecia que o Pirilampus Bar ia cair, já que todos pulavam alucinadamente. Vale ressaltar que em certos momentos quase não se ouvia a voz de Andre Matos, encoberta pelas 1.200 vozes fanáticas por essa canção, clichê, mas um clássico absoluto!

A trinca a seguir foi de fazer qualquer fã enlouquecer! “Time” era uma canção que Andre não cantava desde os primeiros tempos do Shaman, e que fazia uma falta danada em seus setlists. A faixa-título, “Angels Cry”, foi entoada pelo coral gigante que formava a plateia ensandecida com a enxurrada de clássicos. E quem pensava que “Stand Away” acalmaria os nervos se enganou, pois foi outra canção cantada por todos, motivada pelo que pode ser considerada a performance mais inspirada de Andre Matos durante todo o show, arrancando lágrimas de vários presentes, como este que vos escreve.

A canção seguinte, “Never Understand”, foi contrastante com o momento anterior por ter motivado várias pessoas próximas ao palco a fazer passinhos de baião no ritmo da introdução da música, que foi outra muitíssimo bem recebida. Já “Wuthering Heights”, canção original de Kate Bush que foi regravada pelo Angra no disco, surpreendeu por mostrar que Andre Matos ainda é um cantor muito além do que as pessoas têm dito sobre ele ultimamente. Andre cantou todas as canções em seus tons originais, sem precisar diminuir nada, e fez isso muito bem. É claro que qualquer pessoa mais observadora notou que ele fez um certo esforço para fazer tudo isso direito, mas o fato é que ele não tem mais 20 anos de idade, de modo que certas coisas não são mais tão fáceis, mas ele tem uma técnica invejável e que fez sua apresentação ser impecável, para não dizer perfeita.

Momento de estranheza durante “Streets of Tomorrow”, já que a galera estava cansada e com muito calor – o único ponto negativo do Pirilampus Bar é o sistema de ventilação, incondizente com este tipo de evento – e, portanto, nem todos tinham fôlego para acompanhar esta outra bela canção. Veio “Evil Warning”, que pareceu ter ressuscitado o ânimo da galera, e “Lasting Child”, numa apresentação emocionante de toda a banda mas, novamente, destaque para a voz de Andre Matos que, ao fim da canção, agradeceu a todos os presentes e se despediu. Foi um estranho ponto final no show, já que todos ainda esperavam por um bis de pelo menos uma música. A maioria chutava “Nothing to Say” do Angra ou “Pride” do Shaman, mas o fato é que a última canção do primeiro disco do Angra foi também o fim do primeiro show desta sensacional turnê de Andre Matos e sua banda.

Mais ou menos uma hora se passou até que as pessoas que compraram o ingresso “Meet & Greet” pudessem ter acesso ao “camarim” – que era na verdade a pista de boliche do local, transformada em local de acesso vip à banda – pudessem chegar perto dos músicos, que foram brilhantes (apesar de alguns poucos erros de tempo por parte do novo baterista, Rodrigo Silveira, que com certeza se adaptará melhor ao novo cargo ao longo da turnê) e, obviamente, de Andre Matos. Vale citar o respeito e carinho que ele teve com todos, e me atrevo a citar minha segunda experiência de estar próximo a ele: levei todos os encartes de todos os CDs que ele gravou com o Angra e com o Shaman, mais o encarte do novo disco solo, e ouvi do segurança que estava ao lado dele que não poderia obter autógrafos em todos os encartes, no que o próprio Andre respondeu “Ele vai, sim! Ele teve a consideração de vir ao show e de trazer toda a coleção dele, então eu vou ter a consideração de assinar pra ele!”. Me senti muito lisonjeado, não só por mim, mas por todos os fãs dele, pois isso demonstrou um respeito absurdo de sua parte! Ele me pediu para ajudá-lo (realmente eram vários encartes), pois ele não poderia demorar, só isso. Isso vai para quem ainda insiste que o cara é arrogante ou coisa do gênero.

Os músicos que acompanham Andre Matos demonstraram alegria em atender ao público para ingressos, fotos e algumas palavras a trocar. Rodrigo Silveira mostrou-se realmente interessado em saber o que os fãs haviam achado da apresentação, sempre perguntando e se mostrando atento ao feedback do público. Andre Hernandes é mais reservado mas, mesmo assim, mostrou-se solícito e carismático com todos. Hugo Mariutti andava de um lado para o outro e conversava com todos como se fosse amigo da época de escola, sempre divertindo quem estivesse por perto, e o baixista Bruno Ladislau mostrou-se divertidíssimo, chegando até a representar textos de vídeos humorísticos famosos do YouTube, arrancando risos dos fãs. Ainda estava presente no camarim o humorista da MTV Bruno Sutter – ou Detonator, para a maioria -, que também foi muito simpático e atendeu a alguns presentes na hora de trocar uma palavra ou tirar fotos.

O fato é que o saldo foi positivíssimo! Exceto pela ventilação, o Pirilampus Bar deu um show de bom atendimento e organização, proporcionando uma noite regada a Heavy Metal do melhor! Andre Matos cumpriu de maneira excelente sua promessa de trazer o disco “Angels Cry” às suas apresentações, e ainda trouxe novo material ao palco, sendo músicas que soaram ótimas para seus shows. Resta agora guardar essa boa lembrança do show e torcer para que todos possam ver os shows desta turnê, que ainda promete ótimas surpresas e, de qualquer modo, já nasceu com o jogo ganho. Vida longa a Andre Matos!

Setlist 1:

Intro
Liberty
Course of Life
Rio
Stop!
On Your Own
I Will Return
Fairy Tale
Andre ‘Zaza’ Hernandes solo
Hugo Mariutti solo
Living for the Night

Setlist 2:

Unfinished Allegro
Carry on
Time
Angels Cry
Stand Away
Never Understand
Wuthering Heights
Streets of Tomorrow
Evil Warning
Lasting Child

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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