Moonspell: escuridão da alma, reflexo de nosso tempo
Resenha - Moonspell (Inferno Club, São Paulo, 16/12/2012)
Por Flavio Pimenta
Postado em 23 de dezembro de 2012
Final de ano, final de temporada de shows, de campeonatos e afins. Foi neste clima que aconteceu o show de encerramento da tour sul americana do Moonspell no Inferno Club domingo ultimo. Quando ainda muitos comemoravam um titulo inédito de campeões do mundo. Mas enfim, ali estavam reunidos fanáticos em prol de outra paixão, o metal.
Com atraso de cerca de 30 minutos "os" Moonspell sobem ao palco, por volta de 20h30, com Axis Mundi do excelente Alpha Noir. Fernando Ribeiro munido de um elmo romano dourado cantando trechos em latim e em português criou um clima épico, blasfêmico, bastante sinistro. A faixa título do álbum homônimo deu sequencia perfeita ao número. Notável como ao longo dos anos a banda adquiriu tamanha maturidade musical pois a tour também marcava seus 20 anos de estrada e o show contaria com faixas de todos os álbuns – exceto um: Butterfly Effect.
Finisterra é uma faixa absurda que tem o poder de levar a casa abaixo ou ao menos deixar alguns hematomas. É aí que se nota a progressão perfeita apresentada pela banda desde o álbum The Antidote de 2003, pois qualquer que fosse o "tema" naquele momento escolhido seria cabível. Logo após esse cartão de visitas foi anunciada "Noite Eterna" no Inferno – muito aclamada.
Quando Opium foi apresentada tão prematuramente percebi que algo ainda maior estaria por vir era Awake, uma surpresa que não estava em setlist algum! Mas ao invés de "despertar" o prazer inesperado preparou o clima para a sequencia "dance" da noite que, tal como no Lusitanian Metal, terminou com Abysmo.
Um "tema" formidável que faz parte do álbum novo é Lickanthrope, esta faixa reflete bem a excelente atual fase da banda. Um mix perfeito de Gothic/ Black e Thrash Metal em que "os" Moonspell demonstram excelente entrosamento e uma performance bem versátil por parte de Ribeiro que incorpora timbres mais agressivos, guturais seguidos de uivos e afins. Muito mais comunicativo que o habitual o filosofante vocalista ensaiou um coro na introdução de Em Nome do Medo que foi muito bem acatado. Daí por diante foi só clássicos e outra surpresa: CINCO faixas do Wolfheart consecutivas! Uma sequencia literalmente de arrepiar: Wolfshade (A Werewolf Masquerade), An Erotic Alchemy, Vampiria, Trebaruna (!) e Alma Mater para delírio geral. Lindíssimo!
Já haviam tocado por mais de 1h30 e ainda havia o encore que começou com Everything Invaded e os agradecimentos gerais. E então voltamos ao Irreligious: o Inferno clamou por Mephisto e a habitual (e indispensável) Full Moon Madness encerrou a noite eterna.
Por fim um set list excepcional, incriticável e louvável como a muito não se via. Apesar de fã incondicional, as musicas do Butterfly FX não fazem falta assim mesmo em um set de 2 horas. "Os" Moonspell se mostram muito além de competentes, uma banda sem limites que não se prende a rótulos. A essência de tudo parece estar em seu mentor Fernando "Langsuyar" Ribeiro, escritor e filosofo por formação e graças a isso consegue expressar tão bem a escuridão de tua alma, reflexo de nosso tempo.
Setlist:
Axis Mundi
Alpha Noir
Finisterra
Night Eternal
Opium
Awake
Scorpion Flower
Nocturna
White Skies
Abysmo
Lickanthrope
Em Nome Do Medo
Wolfshade (A Werewolf Masquerade)
An Erotic Alchemy
Vampiria
Trebaruna
Alma Mater
Encore:
Everything Invaded
Mephisto
Full Moon Madness
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