Robert Plant: uma noite histórica em São Paulo
Resenha - Robert Plant (Espaço das Américas, São Paulo, 23/10/2012)
Por Eduardo dutecnic
Postado em 04 de novembro de 2012
Uma noite histórica, principalmente para quem nunca tinha tido a oportunidade de ver um membro do Led Zeppelin ao-vivo.
Cobertura pré-show:
Uma noite muito quente de segunda-feira (repetindo: SEGUNDA-FEIRA) e expectativa bem legal para novamente ter o privilégio de ver a lenda Robert Plant. Foi chegar do trabalho, trocar de roupa e correr para o metrô, rumo ao bairro da Barra Funda.
Cambistas estão agindo até na própria rampa do metrô. O movimento está enorme, pois na região há faculdades, terminas de ônibus, a rodoviária e empresas, além de vários condomínios.
Quem veio de carro terá que pagar absurdos R$ 50,00 de estacionamento – isso se conseguir encontrar vaga. Parar na rua, nesta região, praticamente impossível.
O show:
As 22h00 em ponto, Robert Plant ganhou o palco com a banda The Sensational Space Shifters em uma quentíssima casa sold out. Eu, que estava na pista VIP, não me senti apertado em nenhum momento, até porque o público nesta pista era bem genérico: além dos tradicionais fãs que nitidamente são as pessoas que sempre acompanham shows, nesta oportunidade pude observar que havia muita gente que estava ali "por estar", mais preocupada em atualizar as redes sociais para dizer que estava, entre outras coisas que ouvi por ali, "no show do Led Zeppelin" e preocupada em aparecer nas câmeras do Terra, que estavam fazendo a transmissão do espetáculo.
A entrada de Robert Plant foi extremamente calorosa. Com uma camiseta listrada (a camisa branca, que remete ao clássico período com o Led, não faz parte mais do guarda-roupa atual do vocalista), Plant cunmprimentou o público e antes mesmo dele abrir a boca, foi possível notar a emoção dele e dos fãs. Realmente só a presença dele caminhando pelo palco já emocionava. E aquele primeiro momento dele cantando fez abrir sorrisos e sorrisos, emocionando muitos presentes, que chegavam às lágrimas – não é todo dia que se tem a oportunidade de ver um músico com a história de Plant tão próximo…
E aí começou a avalanche de estilos que a banda se propõe a fazer. Muito do show se baseia em sons "West Africa", coisa que Plant realmente mergulhou e se aprofundou nos últimos anos. Os momentos que se ouve algo que se pode classificar como "rock clássico" são mínimos, mesmo – existem, mas de verdade, não é o foco do projeto. A apresentação se apóia ainda em blues, folk e psicodelismos…
Era óbvio que todos aguardavam por músicas do Led Zeppelin. E elas vieram, sendo praticamente metade do repertório da noite composto por músicas de uma das mais brilhantes discografias da história da música, ainda que executadas como citei acima, sem praticamente nenhuma característica com as originais em termos de arranjo.
Isso se reflete no momento que cada música era iniciada. Todos ficavam atentos, no claro intuito de tentar identificar se seria uma música do Led ou não. Quando identificada, cada uma delas arrancava (mais) gritos e (mais) aplausos dos fãs. A primeira do Led, Friends, começou nesta clima, com todos se "cutucando" e falando "olha, essa é do Led". Um outro cover (Howlin’ Wolf), Spoonful, também foi cantada por muita gente, e quem não conhecia a música, logo cantava o fácil refrão da música.
Pausa para falarmos da voz de Plant: o grande carro-chefe da noite agradava e muito. O fator "tempo" chegou a ele também, mas em nenhum momento Plant decepcionou – pelo contrário, os arrepios foram frequentes a cada nota que ele atingia e que remetia aos anos 70…
A banda prepara terreno e traz Black Dog, um dos maiores clássicos do Led Zeppelin. A música, em minha opinião, foi a mais "descaracterizada" do Led executada na noite (em termos de arranjo), mas por ser tão conhecida, tão clássica, era cantada por todos. Plant não tirou o "ahhhh, ahhhhh, ahhhhh" e a interação com o público nesta parte, mesmo realmente muito descaracterizada, foi muito legal.
Outro grande momento do show foi em Ramble On que, pelo menos no meu caso, que não estava acompanhando o que Plant e CIA estavam tocando nos últimos shows, foi uma agradável surpresa – e a versão abaixo já é mais próxima da original:
Fechando o show antes do BIS, Whole Lotta Love, outro clássico que levantou o público paulista por estar podendo presenciar de tão perto a música sendo cantada por Robert Plant…
No BIS, outra agradável surpresa, a música da noite que talvez mais tenha chegado perto da versão original: Going To California fez uma moça ao meu lado chorar copiosamente enquanto cantava a empolgante letra. O choro dela ajudou a traduzir um pouco da emoção geral que tomava conta do Espaço das Américas naquele momento.
Por fim, a mais do que esperada Rock and Roll, em clima total de festa, como o próprio Plant a anunciou. A versão, ainda que bem diferente da original, agradou, dentro da proposta do grupo.
Plant se despediu e o show realmente acabou ali, as 23h45. Uma grande noite, uma noite histórica, principalmente para quem nunca tinha tido a oportunidade de ver um membro do Led Zeppelin ao-vivo – meu caso, por exemplo. E talvez estes shows tenham sido a última chance que tivemos de vermos alguém da lendária banda tocando em nossas terras…
Para ver mais vídeos, uma galera de fotos, o setlist completo e o link para download oficial deste show, acesse a matéria original no Minuto HM:
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