Anthrax: resenha do show ensurdecedor no Roque Reverso

Resenha - Anthrax (HSBC Brasil, São Paulo, 27/04/2012)

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Por Flavio Leonel, Fonte: Roque Reverso
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Abril ficou para trás, mas, para os headbangers paulistanos, já ficou marcado, por enquanto, como o mês do thrash metal em 2012. Tudo porque a capital paulista recebeu vários ícones do estilo, como o Annihilator e o Exodus, e fechou o período com chave de ouro, presenteada com um grande show do Anthrax, banda clássica do Big Four do thrash, que é formado também pelo Metallica, Slayer e o Megadeth.

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Para um HSBC Brasil lotado, o já veterano grupo norte-americano fez uma apresentação simplesmente ensurdecedora e bastante vibrante, empolgando os fãs que compareceram à casa de shows no dia 27 de abril.

A noite contava com vários atrativos para quem gosta da banda e do thrash metal como um todo. Para começar, o Anthrax voltava à cidade depois de longos 7 anos. Além disso, o show marcava a primeira vez do clássico vocalista Joey Belladonna com o grupo em São Paulo, já que, nas duas vezes anteriores, em 1993 e 2005, quem estava nos vocais era o ótimo John Bush. Para completar, o público teria a oportunidade de assistir a um show da turnê de divulgação do álbum “Worship Music”, lançado em 2011 com grande aceitação dos fãs e da mídia.

Como era uma sexta-feira e véspera de feriado prolongado, temia-se uma grande dificuldade para o público chegar ao HSBC. Durante a manhã, a capital paulista já havia ficado praticamente parada com o enorme trânsito. O que se viu, no entanto, foi bem menos problemas do que se imaginava para os fãs chegarem no período da noite.

Além do Anthrax, o HSBC recebeu o grupo brasileiro Torture Squad e o lendário Misfits, grupo norte-americano de horror punk que já havia se apresentado em São Paulo no ano passado na Virada Cultural. Chamou a atenção na casa de shows o grande número de adolescentes com camisa da banda dos EUA, o que mostra que esta nova geração não está tão perdida como se imagina, num tempo em que coloridos e emos ainda aparecem na mídia com maior destaque que grupos com postura mais condizente com o rock.

Com o HSBC repleto de gente, o Anthrax subiu ao palco. E, aproveitando o lançamento do “Worship Music”, já começou a apresentação com duas faixas do novo álbum: “Earth on Hell” e “Fight ´Em Till You Can´t”.

Inicialmente, o público parecia querer avaliar como a banda executava ao vivo aquelas duas boas músicas do excelente novo disco. As rodas de mosh ainda estavam em um número aquém do esperado e já havia um consenso no HSBC: o som estava absurdamente alto, às vezes até um pouco embolado, trazendo a impressão que os técnicos haviam exagerado um pouco na dose.

Não foi difícil lembrar do show que o Manowar fez no saudoso Olympia em 1996, quando o volume era tão elevado que parecia que os tímpanos explodiriam durante a apresentação.

A partir da terceira música, o show do Anthrax começou a esquentar pra valer. Tudo porque a banda executou o primeiro clássico do metal da noite: “Caught in a Mosh”, da obra-prima “Among the Living”, de 1987. Foi quando a primeira roda de mosh relevante se abriu no HSBC. Era simplesmente impossível ficar quieto naquele momento do show e a cabeça automaticamente era balançada até pelos mais comportados.

O clima foi mantido em “Antisocial”, a mais famosa do disco “State of Euphoria”, de 1988, e que é cover do Trust. Se você esteve lá no HSBC, fatalmente ficou com o coro do público (puxado por Belladonna antes do início da música) no ouvido. A interação do vocalista com a plateia foi, por sinal, um dos fatos marcantes do show. E jogou por terra a tese dos que diziam que Joey estava velho e sem o pique necessário para uma apresentação do Anthrax.

“I’m Alive”, do disco novo, é considerada por muitos com uma das melhores do “Worship Music”. Foi tocada de maneira impecável pela banda e abriu caminho para um dos maiores momentos da noite: nada menos que “Indians”, do “Among de Living”.

Belladonna gritava: “Cry for!” E a galera respondia: “Indians!” Charlie Benante fazia o HSBC tremer com os bumbos. Frank Bello, ausente em 2005 por aqui, tinha, para variar, grande presença de palco e detonava no baixo. E Rob Caggiano e o mestre Scott Ian iniciavam na guitarra os acordes deste grande clássico do heavy metal, levando todos ao delírio!

Rodas de mosh pipocavam por todos os lados da casa de shows, mas Scott Ian queria organizar uma verdadeira “Wardance”, como ele mesmo definiu! Ele interrompeu a música, foi aos microfones e pediu para que todos se envolvessem como nunca com aquele momento, batendo cabeça, pulando, levantando os punhos cerrados ou se movendo como loucos na pista!

Quando ele retomou o riff, uma imensa roda se formou no meio do HSBC e realmente não havia como não entrar nela, pois aquilo era necessário para qualquer fã de thrash metal. Este jornalista, com quase 40 anos completados, voltou 20 anos no tempo no meio daquela roda. O mais incrível foi encontrar outros caras das antigas também lá no meio, ao lado da molecada mais nova que talvez nem era nascida quando o Anthrax começou. Que grande momento, meus amigos! E tudo sem violência, numa super boa, com todos se respeitando e curtindo, como deve ser…

Aquele foi precocemente o momento máximo do show, tanto que a galera levou um certo tempo para voltar a proporcionar uma agitação semelhante. O Anthrax, por sua vez, continuava tocando e detonando no palco. “In the End”, do novo álbum, e as antigonas “Got the Time”, “Deathrider”, ”Medusa” (esta bastante aguardada), e “Among the Living” mantiveram o público vidrado, empolgado e cantando junto.

Depois de mandar ver em ”Be All, End All” e puxar novo coro da plateia, Joey Belladonna arriscou cantar, no início da clássica música “Madhouse”, um trecho de “The Ripper”, do Judas Priest. Ficou só no quase, mas deu um molho interessante a uma canção que está entre as preferidas dos fãs do Anthrax. “Metal Thrashing Mad” seria a próxima e também levaria os fãs mais antigos ao delírio.

O bis final viria na sequência com mais três petardos do thrash: dois do Anthrax e um do Sepultura, numa clara homenagem a Andreas Kisser, que substituiu Scott Ian no ano passado em alguns shows dos norte-americanos. A primeira foi “I’m The Man”, que relembrou a mistura de rap com heavy metal que alguns já chegaram a torcer o nariz algum dia.

Em “Refuse/Resist” a homenagem foi muito legal, já que mostra o respeito de um grupo clássico do thrash a outra banda que é orgulho brasileiro e que seria facilmente o quinto membro do Big Four, se ele se chamasse Big Five. Depois de dividir os vocais com Frank Bello em “I’m The Man”, Scott Ian mandou muito bem cantando o clássico do Sepultura sozinho.

Para fechar, “I am the Law”, do “Among the Living”, trazendo mais uma vez Belladonna e todos os componentes da banda bastante estrosados. Chegava ao fim mais um grande show em São Paulo e outro candidato para ficar entre os melhores de 2012 na capital paulista.

O saldo final era um público realizado por ver o vocalista clássico do Anthrax pela primeira vez com a banda por aqui em uma turnê que divulgava um ótimo disco. Dor no pescoço, rouquidão e principalmente um zunido no ouvido foram as marcas que ficaram no corpo no dia seguinte daqueles que se divertiram demais naquela véspera de feriado prolongado.

O Roque Reverso acompanhou o show no HSBC Brasil. Entre no link abaixo para conferir mais detalhes, como o set list, fotos e vídeos selecionados no YouTube.

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