Celebrando o Fim do Mundo: Bandas extremas em Itabira
Resenha - Celebrando o Fim do Mundo (Clube do Valério, Itabira, MG, 26/02/2012)
Por Gisela Cardoso
Postado em 03 de março de 2012
Conhecida por ser o berço de um dos maiores poetas da literatura brasileira, a cidade mineira de Itabira também vem sido o palco de eventos mais agressivos e insanos da região. Apesar do forte sol, o público não se rendeu para prestigiar as grandes bandas que se apresentaram no "Celebrando o Fim do Mundo Festival". Destacando a banda theca Pigsty, que teve o festival como rota de sua tour brasileira.
No domingo do dia 26 de fevereiro, aconteceu na cidade de Itabira (MG), o festival "Celebrando o fim do Mundo" que contou com um cast impecável de bandas nacionais e internacionais: God Pussy (Rio de Janeiro/RJ), Godcay (Belo Horizonte/MG), Martyrizer (Belo Horizonte/MG), Shatter Dead (Belo Horizonte/MG), Hutt (São Paulo/SP) e Pigsty (República Tcheca).
Os eventos que investem em vertentes mais extremas do Metal, como as das terminações "core" e "gore", já são tradicionais em Itabira. Mas, este ano, o evento surpreendeu todas as expectativas.
O sol estava infernal. Mas isto não foi motivo para que o público descartasse o seu tradicional visual: roupas pretas e pesados coturnos. Era preciso estar no estilo para contemplar os grandes nomes da música pesada.
O carioca da God Pussy foi o responsável pela abertura do festival. O seu instrumental Power Eletronics/Harsh Noise chamou a atenção de diversas pessoas devido ao seu som eletrizante e hipnótico.
Para God Pussy, o evento foi muito interessante devido à presença do público e o maior espaço para o Harsh Noise. Entretanto, o seu estilo no Brasil ainda sofre uma imensa limitação.
"Em todo o Brasil, o som é bem limitado porque o estilo é mais 'barulhento' e isso faz com que as pessoas não o aceite muito bem. E aceito ele nunca será. Geralmente, o que faz mais sucesso é o som mais experimental".
Em seguida, a banda oriunda de Belo Horizonte, Godcay, foi a responsável pelo delírio dos fanáticos por Grindcore. Com seus rostos e braços "ensanguentados", os membros do grupo executaram canções próprias e covers de aclamadas bandas do gênero, como Napalm Death.
De repente, o show parou. Mas não acabou. A parada foi devido a uma troca de integrantes. Agora, subia ao palco a banda Martyrizer, contando com a presença dos membros, Vitor Monteiro(Baixo/Vocal), Gustavo Abrantes(Guitarra), Pedro Nicolsky( Guitarra solo/Vocal), Hector(Bateria). Assim que assumiram suas posições novamente, os mineiros do Martyrizer iniciaram a segunda parte da apresentação.
"Na verdade tudo foi uma coincidência", explicou o frontman sobre a troca de integrantes durante o show, "Aqui no interior, o povo agita mais, valoriza o som mais underground. Em Belo Horizonte, o Grind faz mais sucesso no Punk do que no Metal."
Para dar continuidade, o Old School subiu ao palco. Também belo-horizontina, a banda Shatter Dead passou ao público o verdadeiro sentido do Grindcore. Apesar de contar com apenas dois integrantes, Shatter Dead foi o suficiente para causar uma tremenda destruição com suas músicas próprias.
"Nossa, foi muito bom! É a terceira vez que a gente se apresenta aqui.Os shows aqui enchem mais do que em Belo Horizonte", disse o baterista,"Na verdade, a gente tinha começado como um trio. Era o João na guitarra, eu na batera e o Leo era o vocal. Mas o Leo saiu da banda, e como minhas ideias batem bem com as do João, decidimos que não precisaríamos mais de um novo integrante. O baixo não faz falta".
Mais ao final da noite, a aguardada banda paulista Hutt deu prosseeguidade. Devido ao palco muito pequeno, o vocalista Appezzato se juntou ao "mosh" para realizar sua apresentação. Com toda sua agressividade e interação ao público, sua performance levou as pessoas à total loucura.
"Animal! A gente já tinha vindo tocar aqui no ano passado, já conhecíamos a galera. E a galera vai ficando mais velha, ano passado havia um monte de 'molequinhos' com a gente", disse o vocalista, "Eu não me interajo muito não, o meu barato é fazer som. Paulistano é meio 'bunda-mole', sempre há muitos shows por lá, a galera é mais velha. Aqui o pessoal agita mais."
E finalmente, para fechar o "Celebrando o fim do Mundo" com chave de ouro, a aguardada banda tcheca Pigsty realizou um show histórico. Como mencionado anteriormente, o palco do local era pequeno, o que favoreceu a uma interação incrível entre banda e público. O vocalista Topi Pig's se mostrou simpático com a plateia, ainda mais quando falava em português.
"O pessoal foi bem 'doidão', foi muito bom. Apesar do palco ser muito pequeno, consiguimos dar um jeito. A galera aqui é bem mais louca do que a da Europa, agita muito mais. Na Alemanha, o pessoal é meio 'paradão'. Aqui, o público brasileiro lembra a galera da Rússia, o povo é bem louco. Na República Tcheca é mais legal porque entendem o que a gente fala (risos)", disse o guitarrista Bormann.
Mais uma vez, a cidade de Itabira surpreendeu a todos com os seus extremos festivais. Com a banda Pigsty sendo a favorita, a qual realizará onze shows pelo Brasil, as pessoas presentes receberam uma verdadeira aula de Grindcore. Com seus extremismos, a região vem recebendo cada vez mais a atenção de todos os amantes da destruição.
Para conferir a galeria de fotos, acesse o link abaixo:
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