Krisiun: Abrindo temporada musical de peso em Minas Gerais
Resenha - Krisiun (Music Hall, Belo Horizonte, 07/01/2012)
Por Oswaldo Diniz
Postado em 29 de janeiro de 2012
A banda gaúcha Krisiun, reconhecida internacionalmente e o mais bem sucedido produto da música extrema brasileira, esteve no Music Hall no último sábado, 7. A apresentação faz parte da divulgação do mais recente trabalho, The Great Execution, lançado no final de 2011. O show teve a abertura dos mineiros do Tormentor.
E logo na primeira semana um chimarrão veio à BH dar as boas vindas ao ano que marca "o fim do mundo". Se os astrólogos, bruxos e lunáticos estão certos ou não, fato é que a trilha sonora começou a ser exibida no último fim de semana. Os irmãos Max Kolesne (bateria), Alex Camargo (vocal, baixo) e Moysés Kolesne (guitarra) bem que poderiam ser os cicerones musicais do apocalipse. O death metal extremo, técnico e totalmente agressivo executado pela banda credencia qualquer maluco a uma vaga naquele recândito bem quentinho e abaixo da terra, para onde dizem que muitos irão - caso exista, claro.
São cerca de 20 anos na militância da música extrema, aquela apreciada por uma minoria da população mundial - grupo muito privilegiado, diga-se de passagem. Existem várias formas de manifestação de sentimentos polêmicos, porém intrínsecos ao homem, como ódio, descrença e rebeldia. Nada mais inteligente do que utilizar a música, talvez a maior manifestação artística já criada, para transmitir a mensagem. Quando o trio profano dos pampas subiu ao palco, a certeza de que a noite seria religiosamente profana dava uma sensação assaz agradável.
Coincidentemente o primeiro petardo da apresentação foi justamente a última música executada pelos gaúchos em BH, há cerca de dois anos. Kings of Killing já é considerada um hino, uma canção capaz de agregar todo portfolio da banda: velocidade absurda nos trás instrumentos, especialmente na bateria, e um vocal que parece ter vindo direto das profundas. Combustion Inferno deu sequência à barulheira organizada e acordou o público.
E por falar na audiência, ela foi muito respeitada pela banda. Sempre que o trio visita a capital, o porta voz Alex sempre deixa bem claro a certeza de que estamos no berço do metal brasileiro. Desta vez, entre uma frase e outra, ele citou a famosa coletânea Warfare Noise, cuja primeira edição foi lançada nos anos de 1980 e contava com os principais nomes da cena mineira, como Sarcfago, Sepultura e Chakal. Durante todo o show o vocalista com sua voz cavernosa (até mesmo na fala, e não é encenação) deixa bem claro o orgulho de tocar por aqui.
Ao analisar o set, uma curiosidade. Mesmo sendo a turnê de divulgação de Great Execution, apenas duas músicas do disco foram apreciadas - The Wil to Potency e Descending Abomination. Isto poderia estar associado ao fato de que o lançamento do trabalho é recente, talvez os caras não tiveram muito tempo de ensaiar e caçaram logo na estrada. Tanto que a maioria do set pertencia ao penltimo trampo, o aclamado Southern Storm.
De qualquer forma, vale ressaltar o alto nível do trio, em excelente fase. Max continua sendo a grande referência da banda, é impossível localizar os punhos do baterista, tamanha a velocidade imposta. Na opinião deste jornalista, o monstro dos blast beats está no mesmo patamar de grandes nomes da cena, como o insuperável Pete "Comando" Sandoval, e George Kolias, por exemplo. Não obstante a fúria da batera, Moysés ganha destaque por estabelecer o caos nas seis cordas, conciliando técnica e velocidade, bem como o brother Alex, que segura muito bem a onda com o baixo na hora dos solos, além de efetuar belíssimas passagens.
Após pouco mais de uma hora de show, Apocaliptic Victory encerrou mais uma apresentação de gala da banda. Se tiveram, foram pouquíssimos erros na execução das músicas. A relação público e banda esteve em sintonia do começo ao fim. Após o concerto, nossa reportagem teve acesso ao backstage e bateu um papo com o vocalista Alex, entrevista que será postada em um futuro bem próximo. Ao ser questionado pelo desenvolvimento musical do grupo, que vem colocando o pé no freio a cada disco lançado, a maturidade falou mais alto. "Nós estamos em um mercado muito competitivo, que exige muito trabalho da nossa parte e criatividade. Mesmo reduzindo um pouco a velocidade, nunca perderemos a brutalidade do nosso som", revela.
E este foi apenas o primeiro show do ano. Até o dia 21 de dezembro, várias trilhas sonoras apocalípticas serão escutadas em Belo Horizonte. No próximo dia 19, os suíços do Eluveitie vão derreter de novo com o nosso calor. Em fevereiro, 17, Exhumed e Aborted, um dia depois, Nunslaughter vão colocar à prova o pescoço do público headbanger mineiro.
Set List - Krisiun
Kings of Killing
Combustion Inferno
The Will to Potency
Vicious Wrath
Sentenced Morning
Descend Abomination
Hatred Inherit
Slaying Steel
Bloodcraft
Black Force Domain
Minotaur
Ravager
Slain Fate
Apocaliptic Victory
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