Down & Loaded: Phil Anselmo mais inspirado que Duff McKagan

Resenha - Down & Loaded (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 16/11/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Os inúmeros fãs gaúchos que não puderam comparecer ao SWU tiveram uma outra oportunidade para conferir ao vivo duas lendas do som pesado que se apresentaram no evento. As bandas DOWN, capitaneada pelo ex-PANTERA Phil Anselmo, e o LOADED, comandada pelo ex-GUNS N’ ROSES Duff McKagan, desembarcaram na última quarta-feira na cidade sulista para dar continuidade à turnê conjunta que vinham realizando na América do Sul. Embora o público não tenha comparecido em número expressivo, a representatividade dos dois grupos proporcionou uma noite para ficar na memória de quem foi ao Pepsi on Stage.

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Com um atraso mínimo, o LOADED – ou DUFF MCKAGAN’S LOADED se preferir – subiu ao palco do Pepsi on Stage por volta das 20h45 para iniciar o seu espetáculo. Embora a casa estivesse muito longe de atingir a sua capacidade máxima, o som que vinha dos PA’s era suficientemente pesado e adequado para o hard rock proporcionado pelo grupo norte-americano. O ex-GUNS N’ ROSES Duff McKagan (vocal e guitarra) é quem lidera a banda formada ainda por Mike Squires (guitarra), Jeff Rouse (baixo) e Isaac Carpenter (bateria). Porém, o quarteto não foi capaz de proporcionar uma performance à altura do que os fãs mais fanáticos esperavam de Duff & Cia.

O show do LOADED não convenceu por dois motivos. Com um repertório ainda desconhecido por boa parte do público brasileiro, Duff McKagan precisaria compensar a falta de hits com uma performance verdadeiramente enérgica. Entretanto, o que se viu em cinquenta minutos de espetáculo foi um vocalista de pouco fôlego e um tanto quanto apático em cima do palco. A banda até tentou executar o que há de melhor no recém divulgado “The Taking” (2011), mas emperrou nesses dois obstáculos desde a abertura com “Executioners Song”. Os fãs que foram ao Pepsi on Stage apenas para assistir o ex-GUNS N’ ROSES provavelmente se decepcionaram um pouco com o que viram em cena.

Embora não tenha conquistado o público de imediato com o seu hard rock pouco original, o show proporcionado pelo DUFF MCKAGAN’S LOADED não pode ser apontado como um espetáculo desastroso. O público gaúcho gostou e interagiu com a banda durante as duas músicas mais conhecidas do seu novo álbum: “We Win” e “Dead Skin”. Porém, o retorno obtido com faixas expressivas de discos anteriores, como “Dark Days” e “Seattle Head” poderia ter sido mais convincente. Para reverter o quadro pouco favorável, o quarteto norte-americano até poderia ter antecipado pelo menos uma música do GUNS N’ ROSES prevista para set-list da noite. Entretanto, Duff & Cia. preferiram apostar primeiro no cover “New Rose” (THE DAMNED) antes de investir nos principais hits da ex-banda de McKagan. O resultado foi atingido razoavelmente: os gaúchos se animaram um pouco mais do comum.

Em uma perspectiva distante do fanatismo de muitos, o que se viu foi um show absolutamente morno e que se dividiu em altos e baixos. Por mais que a montanha-russa comandada por Duff McKagan ainda reservava faixas extremamente interessantes, como “Cocaine” e “Lord of Abaddon”, as músicas bem menos impactantes do repertório, como “Sick” e “Your Name”, representaram metaforicamente um balde de água fria para quem ainda esperava ver o LOADED engrenar sobre o palco. A sintonia fraca entre banda e público pode ser percebida em “So Fine”: o público demorou para se dar conta de que Duff & Cia. executavam a conhecida música do GUNS N’ ROSES. No entanto, a plateia criou o ambiente perfeito para que o conjunto finalizasse o controverso show de apenas cinquenta minutos com a dobradinha “Attitude” (MISTIFIS) e a obrigatória “It’s So Easy” (GUNS N’ ROSES).

O relógio marcava 22h15 quando o DOWN entrou em cena. A banda formada por Phil Anselmo (vocal), Pepper Keenan (guitarra), Kirk Windstein (guitarra), Pat Bruders (baixo) e Jimmy Bower (bateria) levou boa parte do público que se concentrava em frente ao palco ao delírio. Por mais que a plateia gaúcha tenha subestimado o espetáculo de ambos os grupos e comparecido em pequeno número ao local, o DOWN foi certamente o destaque da noite. Com um show enérgico e agressivo na medida certa, a banda comandada pelo vocalista ex-PANTERA – e que apareceu enrolado em uma bandeira do Rio Grande do Sul já na abertura – executou porrada atrás de porrada em exata 1h30 de espetáculo.

Embora tenha iniciado a sua carreira como um grupo de southern rock de garagem, o projeto despretensioso que uniu o ex-vocalista do PANTERA a dois músicos conhecidos do CORROSION OF CONFORMITY e outros dois do CROWBAR se tornou rapidamente uma das bandas mais respeitadas do universo thrash metal/hardcore norte-americano. O sucesso de discos como “A Bustle in Your Hedgerow” (2002) e “Over the Under” (2007) evidenciou a capacidade do DOWN de sobreviver mesmo sem precisar se escorar no passado de Phil Anselmo & Cia. A abertura do espetáculo com a suja “Lysergik Funeral Procession” e com a ótima “Temptation’s Wings” mostrou muito bem isso.

O vocalista Phil Anselmo é sem dúvida a figura mais imponente da banda. Com uma performance incrível sobre o palco, o cantor conseguiu cativar a plateia de imediato, exatamente como Duff McKagan não fez – mas deveria ter feito no show anterior. O grupo colocou o público gaúcho na mão desde o primeiro minuto e desfilou uma série de outras músicas impactantes na sequência. Os presentes pularam e agitaram muito em “Lifer” e em “The Path” – outro destaque do repertório.

Em sintonia perfeita com a plateia, os músicos do DOWN foram responsáveis por diversos momentos inusitados durante o show. O cantor do grupo chamou ao palco uma fã adolescente que, com um cartaz estendido nas primeiras fileiras da pista, pedia uma assinatura de Anselmo no seu próprio corpo para posteriormente ser transformada em uma tatuagem. O pedido – que vem sendo comum nos espetáculos realizados na capital gaúcha desde a vinda de PAUL MCCARTNEY no ano passado – foi prontamente atendido antes de a banda emendar músicas que conquistaram uma ótima resposta do público: “Losing All” e a ótima “Underneath Everything”.

O show corria de maneira aparentemente tranquila – com um petardo sendo executado atrás de outro – até que dois sutiãs foram jogados no palco antes de a banda emendar “N.O.D.” à faixa anterior. Com os dois itens em mão, Phil Anselmo deu um para o produtor da banda e outro para o baterista Jimmy Bower, que prontamente entrou no clima da brincadeira. Ele tirou a camiseta e vestiu o sutiã – com o qual permaneceu durante toda a noite – para o divertimento de todos. A piada só não foi maior porque uma terceira peça jogada foi apenas guardada no bolso por Anselmo. Com as brincadeiras à parte, o DOWN ainda tirou da manga músicas do calibre de “Pillars of Eternity” e “New Orleans is a Dying Whore”. As duas fizeram o Pepsi on Stage literalmente tremer antes do encerramento da primeira parte do espetáculo com “Eyes of the South”.

Com uma performance irrepreensível, o DOWN mostrou ao público brasileiro o porquê do seu sucesso fora do país. Não é por acaso que a banda é hoje um dos principais expoentes da sua vertente. Na volta para o bis, Phil Anselmo dedicou a polêmica “Hail the Leaf” para todos os apaixonados pela erva cannabis. Entretanto, a parte final do show era contornada por uma expectativa ainda maior. Os fãs tinham dúvidas (e até esperavam) que o DOWN executasse pelo menos uma faixa do PANTERA. A banda, que ainda tocou “Stone the Crow” para o deleite de muitos, pegou todos de surpresa depois de emendar – sem nenhum tipo de cerimônia – um pequeno trecho de “Walk”. A plateia só não entrou em delírio porque Phil Anselmo interrompeu a música rapidamente depois de duas ou três estrofes.

No entanto, o público não deixou o Pepsi on Stage frustrado – ou decepcionado – com a ausência de uma música inteira do PANTERA no set-list da banda. Pelo contrário. Os gaúchos que foram ao show do DOWN se mostraram exímios conhecedores da carreira do grupo, que iniciou as suas atividades ainda na década de noventa e possui apenas três registros de estúdio. O encerramento do show, com a certeira “Bury Me in Smoke” comprovou a teoria de que o repertório próprio do DOWN já possui autonomia diante do passado de Phil Anselmo e & Cia. O público interagiu como nunca e ainda viu outra coisa inusitada sobre o palco: os músicos passaram os seus instrumentos para que os roadies finalizassem a faixa – fato que a banda vem concretizando em todos os shows da sua nova turnê.

De um lado, o show proporcionado pelo LOADED se mostrou insuficiente para a exigência do público e principalmente dos fãs mais fervorosos. De outro, o espetáculo apresentado pelo DOWN funcionou perfeitamente e pode ser apontado como um dos melhores que passou pela capital gaúcha em 2011. A “nova” banda liderada pelo ex-PANTERA é o que vai ficar na memória de quem compareceu ao Pepsi on Stage para ver essa dobradinha norte-americana ao vivo. Os que não colocaram fé no que Phil Anselmo & Cia. seriam capazes de fazer perderam uma grande oportunidade de se assistir como é que se faz um verdadeiro show de metal.

Set-lists:

Loaded:
01. Executioners Song
02. We Win
03. Sleaze Factory
04. Dead Skin
05. Dark Days
06. Seattle Head
07. New Rose (The Damned)
08. Sick
09. Cocaine
10. So Fine (Guns n’ Roses)
11. Your Name
12. Lords of Abaddon
13. Attitude (Mistifis)
14. It’s So Easy (Guns n’ Roses)

Down:
01. Lysergik Funeral Procession
02. Temptation’s Wings
03. Lifer
04. The Path
05. Losing All
06. Underneath Everything
07. Ghost Along the Mississippi
08. N.O.D.
09. Pillars of Eternity
10. New Orleans is a Dying Whore
11. Eyes of the South
12. Hail the Leaf
13. Stone the Crow
14. Walk (Pantera)
15. Bury Me in Smoke

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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