Ringo Starr: como foi o show do ex-Beatle em São Paulo

Resenha - Ringo Starr And His All Starr Band (Credicard Hall, São Paulo, 12/11/2011)

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Por Eduardo Bianchi Rolim
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Vou me “atrever” aqui a resenhar um pouco da INCRÍVEL e, pelo menos para mim, SURPREENDENTE noite de 12 de novembro no Credicard Hall. Me “atrever” pois não acompanho de perto a carreira-solo de Ringo, apesar da minha paixão por todos os músicas da banda mais conhecida do mundo, lá de Liverpool. Mas acho que consigo “arranhar” algo por aqui…

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Acho que “surpreendente” é a palavra-chave do que pretendo escrever abaixo. Digo isso porque tenho o hábito de “configurar” minha expectativa para quase tudo que faço na vida, inclusive ir a shows (e foram muitos até então). Mas ontem o fator “setlist” fez com que tudo mudasse.

Após nos localizarmos na platéia superior, notei que os espaços por ali e até mesmo na pista só foram “encher” mesmo muito próximo ao horário de início do show (coisa de 5 minutos, mesmo). O povo estava comprando cervejas, champanhe… algo bem engraçado de se ver. De qualquer forma e com algumas pessoas ainda chegando após o início do show, o Credicard Hall lotou, como esperado.

O início do show não teve qualquer surpresa, e dali eu tirava uma precipitada conclusão de que tudo caminharia para um show igual aos diversos DVDs disponíveis de Ringo por aí. Verdade seja dita, como já disse, a carreira-solo de Ringo pouco empolga. De qualquer forma, It Don’t Come Easy, iniciada britanicamente as 20h30, é talvez o maior sucesso destes anos pós-Beatles do batera (e que conta com a assinatura de George Harrison também). A música é bastante agradável dali já se notou que a qualidade do som estava muito boa, algo que se seguiu até o final, felizmente.

A recepção a Ringo, vestindo uma camiseta daquela clássica montagem dos Beatles pintados com a maquiagem do Kiss (sensacional isso), foi bastante calorosa e deu para ver que todos os músicos (e quantos músicos) no palco, inclusive a “star” principal, ficaram bastante felizes. Ringo assumiu os vocais. E ainda pensava que era por ali mesmo que ele ficaria a maior parte do show e, quem me conhece, sabe que eu falo que o verdadeiro lugar dele é atrás das panelas. Ainda bem que, como disse, o show foi surpreendente…

A banda emenda a segunda música, a primeira “dos Beatles” (entre aspas, motivo a seguir), e faz o povo se emocionar com um som de Carl Perkins, regravada pelo quarteto de Liverpool no disco Beatles For Sale, de 1964. Como em todas dos Beatles (neste caso, que ficou mais conhecida pelos Beatles) que, claro, 99% dos presentes estavam ali para ouvir, Ringo, que finalmente pisa em nossas terras, pode ver o que é o “calor” de um show no Brasil. O público cantou alto o hit do Beatles enquanto a banda (e Ringo) se preparavam para emendar a divertida Choose Love, onde minha irmã e eu ficamos decorando e aprendendo a música na hora, algo que repetimos durante praticamente todo o setlist.

Ringo foi para a bateria e ali ficou, juntamente com o Gregg Bissonette, o “outro” baterista da noite. Aqui cabe um destaque: os músicos que atualmente acompanham Ringo são todos muito talentosos, a destacar, em minha opinião, Wally Palmar (guitarra; ex-The Romantics), Edgar Winter (teclado; irmão do guitarrista Johnny Winter) e Mark Rivera (saxofone). Completam o time: Rick Derringer (guitarra), Gary Wright (teclado; ex-Spooky Tooth), Richard Page (baixo; ex-Mr. Mister) e o falado Gregg Bissonette nas baquetas.

A partir daí, iniciou-se o que seria a tônica da noite: um show onde cada um destes músicos teria seu espaço e oportunidade de mostrar aos presentes sucessos de suas ex-bandas que, normalmente, era o que cada banda entregou de hit ao mundo. Explico: o show foi calcado, entre as músicas da carreira solo de Ringo e os clássicos dos Beatles, com aquelas músicas que se ouve no rádio, anos 80 TOTAL, e que muitas vezes cantamos sem saber quem fez tal música. É o que chamamos de “banda de uma música só”.

E foi bem por aí mesmo (e aqui um momento mais pessoal do text0): o alicerce do setlist foi feito com hits e mais hits que tocam em rádios como Antena 1 e Alpha FM e que, especialmente para meu pai, minha irmã e para mim, são músicas bastante divertidas e cantantes, pois as tais rádios são como uma eterna viagem ao tempo, aquela pizza do sábado a noite, aquela noite com visita em casa, com estas músicas ao fundo. A vida inteira fizemos isso em casa, muitas vezes com a companhia do querido padrinho “Juju”, além da minha mãe. No instante que reparamos isso, além da surpresa, a alegria foi muito grande, pois realmente é algo muito marcante em nossas vidas.

Assim, a cada música do setlist, o músico “responsável” por trazer determinada música apresentava outro colega de palco para a próxima. Ringo, nestes momentos, foi de estrela a coadjuvante da noite, algo no mínimo curioso. Apesar do público gritar o nome dele, lá estava o ex-Beatle acompanhando Gregg, muitas vezes “espelhando” a bateria (com a tradicional marca-registrada de Ringo em tocar, que eu carinhosamente chamo de “espanador do rock and roll” devido a sua técnica com a mão direita), outras complementando. Fato é que Gregg foi, na maioria das vezes, o principal “condutor” da música, com o luxo de ter Ringo o acompanhando, ambos bastante precisos.

A próxima dos Beatles vendo do segundo álbum do grupo, With The Beatles, de 1963. Ringo faz as mesmas brincadeiras de sempre em todas as músicas (fato que se nota caso você já tenha visto qualquer material do músico em vídeo), falando que “era uma música para as mulheres (e para alguns homens também)”. I Wanna Be Your Man é cantada por todos os presentes e, muitos do que estavam sentados aproveitam para ficarem de pé, pular e dançar.

Dream Weaver vem na sequência e é cantada por muitos presentes, inclusive por nós que estávamos por lá. Um belo exemplo da música de sábado a noite com pizza em casa. O show segue com aquele fator agradável dos covers muito conhecidos por nós até chegar a um dos picos da noite, com Yellow Submarine, do homônimo disco dos Beatles de 1969.

Neste momento, além da já esperava comoção geral do público, com pais, avós, filhos e netos se abraçando, com muitos chorando, o Credicard Hall fica lindo com diversas bexigas coloridas que o público caprichosamente preparou. Além disso, diversas plaquinhas são levantadas pelos presentes na pista – infelizmente não sabia o que estava escrito nelas. Algo lindo, mas muito lindo de se ver. Bateu AQUELA nostálgica emoção dos últimos shows do Paul McCartney, também, em 2010 e este ano por nossas terras. Só hoje que acabei vendo o vídeo abaixo, que explica tal homenagem (mas que foi pouco divulgado, em minha opinião). Eu ainda resistiria ao choro na noite.

Obs.: Ringo, aqui no Brasil a gente fala “Portuguese”, e não “Brazilian”, ok?. E cabe ressaltar que, ao final da música, Ringo disse: “vou descer aí para dar um abraço em cada um ou vocês vão subir ao palco para cantar…”.

Frankenstein foi a próxima música e falo dela com prazer, pois era uma música que não conhecia e me identifiquei imediatamente. Sem dúvida alguma, foi o (talvez único) momento genuinamente mais heavy metal da noite. Com um andamento realmente pesado, imediatamente associei a música ao que se ouve de mais pesado do Led Zeppelin. Excelente. Ringo sai do palco e troca sua camiseta “Kiss” dos Beatles por outra, com o símbolo de paz – Love & Peace, certo?

Mais para frente, em What I Like About You, minha irmã foi a primeira a me questionar se era tal música mesmo. Eu, totalmente surpreso, demorei um pouco para confirmar esta música tão conhecida e que jamais teria associado com esta noite. Momento bastante especial para nós e para todo o público que, igualmente surpreso, demorou mas percebeu que era tal música para finalmente cantar alto.

A próxima dos Beatles foi Boys, do primeiro álbum da banda, lá em 1963. Ringo voltou a fazer a mesma brincadeira de sempre, dizendo que tocaria uma canção de sua antiga banda, “Rory Storm and the Hurricanes” (a banda que estava antes de sua entrada nos Beatles, substituindo Pete Best). “Não é o grupo que vocês estavam esperando?”. Um brincalhão…

O show foi acabando, mas dava tempo ainda para mais uma surpresa para nós, em outro momento que peço novamente licença por ser bem pessoal da minha família: Broken Wings! Essa é uma das músicas que sejam fixas no repertório dais tais rádios que tocam 24 horas por dia na casa da minha mãe. E vamos lá, hein? Quem não conhece este hit absoluto de 1985? Foi realmente um grande momento e foi muito legal cantar esta música com minha irmã. Mas o público também cantou a pleno pulmões a esta música, que foi executada de maneira singular.

O final do show foi marcado por uma sequência muito boa com a ótima Photograph, talvez o que posso chamar de “segundo hit” da carreira solo de Starr. Música conhecida e com o público levantando novamente plaquinhas, desta vez com fotos. Outro grande e emocionante momento. Ringo questionou o público: “where did you get these pictures?”, reconhecendo a homenagem dos fãs mais próximos ao palco.

Act Naturally, do disco Help, de 1965, viria novamente por o Credicard Hall abaixo. Com uma letra que considero bem a cara de Ringo, que sempre quis ser uma star – motivo pelo qual sempre colocou sua bateria de maneira elevada no palco, desde os tempos dos Beatles – ele adora aparecer - a música empolgou os presentes que se emocionaram com a música.

Ringo pergunta ao público se todos estão prontos para o grande momento da noite. Claro que se trata de “With A Little Help From My Friends”, de 1967, do disco que possui talvez a capa mais emblemática da história da música, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Todos ficaram de pé neste momento tão especial, apesar de eu particularmente não ter gostado do solo de guitarra da música, que não comprometeu, mas não empolgou. Ali eu comecei a segurar com bastante força as lágrimas, pois sabia que a emenda da música viria com Give Peace a Chance. Ringo aproveita para agradecer aos presentes e se despedir, sai rapidamente do palco e volta para o trecho final do show, voltando correndo ao palco.

Pois é. Ali não teve jeito. A emoção foi enorme e só de lembrar aqui, já volto a me emocionar e chorar. Mais bexigas preenchem a pista e mesmo a plateia superior da “venue” da noite. É lindo ver Paul lembrar desta música e muito legal de Ringo fazer o mesmo. O momento é único e é impossível para qualquer apreciador de Beatles / Lennon não se emocionar com a mensagem que esta música traz. Foi a hora de mais uma comoção geral, muitas vezes em família, como no meu caso, antes das luzes laterais do Credicard Hall se acenderem indicando que a noite acabara.

A lamentar apenas as ausências de músicas como What Goes On (do talvez meu predileto dos Beatles, Rubber Soul, de 1965), Don’t Pass Me By, do White Album de 1968 e Octopus’s Garden, do Abbey Road de 1969, esta última bastante solicitada pelos presentes. Mas valeu, como “surpreendentemente” valeu ver este gentleman de 71 anos de idade – e muito bem, por sinal…

Confira mais fotos, vídeos e o setlist completo na matéria original do Minuto HM:
http://minutohm.com/2011/11/13/cobertura-minuto-hm-–-ringo-s...

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Sobre Eduardo Bianchi Rolim

Paulistano, nascido em 1982, bacharel em Sistemas de Informação pelo Mackenzie e pós-graduado em Administração de Empresas (CEAG) pela FGV. Tem como paixão as bandas Iron Maiden e MetallicA, mas é fã de rock e metal internacional em geral. Alguns hobbies são: acompanhar o time do coração, Corinthians; doente por Back To The Future e Indiana Jones; viajar; Playstation; jogar o eterno Duke Nukem 3D. Carros em geral e F1 em especial. Tudo que pode ser relacionado à tecnologia (software e hardware). Ama os velhos receivers valvulados e aquelas maravilhosas caixas pesadas e potentes. Fã do Whiplash desde os primórdios. Criador e administrador do Minuto HM (www.minutohm.com), o blog da família do Heavy Metal (Twitter: @minutohm).

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