Black Label Society: show vibrante e intenso em POA

Resenha - Black Label Society (Opinião, Porto Alegre, 14/08/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Os fãs gaúchos aguardavam, com certa ansiedade, a primeira passagem do BLACK LABEL SOCIETY pela cidade. O grupo norte-americano, que havia agendado as sua datas brasileiras para maio, adiou – aparentemente sem motivos – os encontros para agosto, o que permitiu que o público se organizasse e adquirisse antecipadamente os cerca de dois mil ingressos disponíveis. Em cima do palco, Zakk Wylde & Cia. proporcionaram um dos shows mais vibrantes e intensos que passaram (até agora) pela capital gaúcha em 2011.

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Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks)

Por mais que o Meet & Greet realizado no início da tarde tenha movimentado a parcela mais fanática pelo quarteto norte-americano, os fãs do conjunto formaram desde cedo uma pequena fila em frente ao Opinião, mesmo com o contratempo da chuva que caía ininterruptamente. Os portões abriram pouco antes das 20h – e com o público inteiro dentro da casa – a banda DRACO entrou em cena precisamente às 21h para a abertura do espetáculo principal. O grupo, extremamente conhecido no cenário underground da cidade, proporcionou meia hora de um rock pesado muitíssimo bem executado.

Embora adotem letras em português, Leo Jamess (vocal e guitarra), Dani Wilk (vocal e guitarra), Beto Pompeo (baixo) e Vinicius Rymsza (bateria) não deixaram nada a desejar se comparados com qualquer outro artista internacional de mesmo porte. O desempenho enérgico do quarteto – aliado à pegada extremamente agressiva das suas músicas próprias – cativou a plateia de imediato. Entre os destaques do show, a abertura com “O Inferno É Aqui” evidenciou as qualidades do primeiro registro dos caras, intitulado “Contramão” (2009). Outras músicas – como “Contrato com o Diabo” e a faixa que encerrou o show– contaram com o apoio incondicional da plateia, que cantou com Leo Jamess e Dani Wilk. Não há dúvidas de que a DRACO deixou o palco do Opinião com a certeza do dever (muito bem) cumprido.

Em pouco menos de trinta minutos, a equipe do quarteto norte-americano deixou o palco do Opinião todo montado e ajustado para que o BLACK LABEL SOCIETY entrasse em cena pontualmente às 22h, exatamente como previa o cronograma da noite. O grupo, que possui no vocalista/guitarrista Zakk Wylde a sua maior estrela, deu sequência à turnê do disco “Order of the Black” (201) em nosso país. O repertório não trouxe nenhuma novidade e abriu os trabalhos com “Crazy Horse”, uma das músicas mais bacanas do novo álbum do conjunto. De qualquer modo, o que a banda evidenciava ia para além da música. Com uma espécie de vestimenta indígena americana, Wylde comandava espetáculo do BLACK LABEL SOCIETY a partir de uma imagem rica em apetrechos e de uma postura digna dos poucos rockstars que ainda existem em atividade em todo o mundo.

Os outros três integrantes do grupo deixaram transparecer, desde o início da apresentação, uma simpatia sincera que a figura carrancuda de Zakk Wylde não é capaz de proporcionar em cima do palco. De qualquer forma, do seu jeito extremamente particular o líder do grupo conquistava ao poucos os gaúchos pelo seu domínio técnico e pela sua atitude ‘heavy metal’ extremamente incomum para os dias atuais. Com o público na mão do início ao fim do show, Zakk Wylde (vocal e guitarra), Nick Catanese (guitarra), John DeServio (baixo) e Mike Froedge (bateria) conduziram um espetáculo intenso e agressivo, com músicas do calibre de “Funeral Bell” e da ótima “Bleed for Me”, um dos grandes momentos da noite. Os fãs cantaram as músicas e ajudaram a compensar o único ponto relativamente fraco de Zakk: a sua voz. Na sequência, “Demise of Sanity” – que contou com um trechinho de “Superterrorizer” no final – manteve o pique intenso e matador do show.

De modo curioso, pouquíssimas pausas foram feitas entre as músicas, para a banda recuperar o fôlego e/ou para beber um dos diversos copos de cerveja enfileirados em frente à bateria. O vocalista do BLACK LABEL SOCIETY se distanciava do seu característico pedestal (decorado com correntes e caveiras) apenas para molhar a garganta rapidamente e reverenciar uma espécie de santuário da bebida alcoólica criado por ele. Em seguida, “Overlord” (que possui um divertido videoclipe) e “Parade of the Dead” contribuíram para o destaque dispensado ao recente “Order of the Black” (2010). As músicas contagiaram a plateia do mesmo modo que as faixas mais conhecidas de Zakk Wylde & Cia. e ainda comprovaram a ótima fase criativa em que o conjunto se encontra no momento.

O show manteve o mesmo alto astral – o que é a característica mais marcante e interessante do repertório proporcionado pelo BLACK LABEL SOCIETY na sua mais recente turnê – em “Born to Lose”. O clima permaneceu no seu ápice até mesmo quando Zakk Wylde assumiu o piano para um pequeno solo e para comandar a banda na bonita “Darkest Days”. Embora seja uma das poucas faixas cadenciadas do conjunto, essa música pode ser apontada como um dos grandes destaques do show, justamente por sua melodia incomum e por sua qualidade mais do que evidente. De qualquer forma, foi nesse momento da apresentação que Wylde fez a primeira (e única) interrupção para conversar com público, mas em um inglês de difícil compreensão. Os presentes, como não poderia de ser diferente, vibraram com cada ‘motherfucker’ declamado pelo guitarrista.

Na sequência, “Fire It Up” precisou apenas dos seus acordes iniciais para ser identificada e ovacionada pelos presentes. Porém, nada se compara ao agito durante o longo solo de Zakk Wylde, que permaneceu cerca de dez minutos sozinho no palco. O músico, que é reconhecido no mundo todo como um dos guitarristas mais técnicos em atividade, evidenciou mais a sua velocidade com as seis cordas em mãos do que qualquer outra característica durante a sua performance individual. Embora muitos fãs tenham adorado ver o Zakk destruir o Opinião com a guitarra, uma parte da plateia provavelmente se incomodou com o barulho, praticamente ausente de melodias marcantes. Com a banda de volta ao palco, o BLACK LABEL SOCIETY emendou outra grande faixa retirada do recente “Order of the Black” (2010): a imponente “Godspeed Hellbound”. O público pulou e cantou junto com Wylde durante o refrão.

Em seguida, Zakk Wylde e Nick Catanese empunharam guitarras de doze cordas para executar “The Blessed Hellride” que, mais uma vez, contou com as vozes de apoio da plateia. No entanto, o calor do público encontrou o seu ápice em “Suicide Messiah”, faixa que pode ser destacada pela forma intensa com que os presentes cantaram junto Zakk, principalmente durante o refrão. O espetáculo, que já dava os primeiros indícios de que se encaminhava para o fim, ainda proporcionou outro momento para ficar registrado na memória dos fãs: Catanese colocou nas costas a bandeira brasileira – com o símbolo do BLACK LABEL SOCIETY ao centro – durante a sua performance. Para encerrar o show, “Concrete Jungle” e “Stillborn” foram muito ovacionadas e foram novamente contornadas pela resposta incondicional dos gaúchos

Em 1h25 de show, Zakk Wylde & Cia. mostraram o porquê do BLACK LABEL SOCIETY ser uma das mais bandas de metal mais queridas e importantes da atualidade. Na despedida, o guitarrista (e líder do conjunto) deixou transparecer o seu lado mais ogro – e por que não “carismático” – socando o peito como qualquer homem pré-histórico fazia no passado. Os fãs certamente deixaram o Opinião satisfeitos após esse espetáculo impecável proporcionado pelo quarteto norte-americano, mas frustrados porque o set dos caras costuma ser curto e a banda não retorna para o bis. Entretanto, seria uma injustiça criticar as escolhas técnicas e táticas da banda.

Para finalizar, o trabalho e o profissionalismo da Abstratti precisa ser novamente reconhecido por nós do Whiplash!. A produtora, que consolidou o seu nome como a mais importante no segmento rock/metal em Porto Alegre, está frequentemente trazendo para a capital gaúcha os grandes eventos que visitam o país. O BLACK LABEL SOCIETY foi apenas mais uma atração na agenda que ainda tem espetáculos de BLIND GUARDIAN e de DUFF MCKAGAN’S LOADED (juntamente com o DOWN de Phil Anselmo) programados para os próximos meses. O público headbanger gaúcho certamente não tem do que reclamar.

Set-list:

01. New Religion
02. Crazy Horse
03. Funeral Bell
04. Bleed for Me
05. Demise of Sanity
06. Overlord
07. Parade of the Dead
08. Born to Lose
09. Darkest Days
10. Fire It Up
11. Godspeed Hellbound
12. The Blessed Hellride
13. Suicide Messiah
14. Concrete Jungle
15. Stillborn

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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