Symfonia: banda mostra entrosamento em show de São Paulo
Resenha - Symfonia (Blackmore Bar, SP, 04/08/2011)
Por Durr Campos
Postado em 06 de agosto de 2011
Após toda a euforia causada pelo anúncio da formação do super grupo composto de membros que passaram por Stratovarius, Helloween, Masterplan, Gamma Ray, Sonata Arctica, Angra e Shaman, bem como o lançamento do esperado álbum de estreia, eis que o SYMFONIA pousou em nosso país para uma turnê que passou pela capital paulista. A banda é formada atualmente por Andre Matos (vocal), Timo Tolkki (guitarra e vocais), Jari Kainulainen (baixo), Mikko Härkin (teclados) e o estreante Alex Landenburg (ex-At Vance), substituindo Uli Kuschi.
Texto e fotos: Durr Campos
A noite extremamente fria na cidade parecia não intimidar os fãs haja vista a grande fila que se formava na entrada do Blackmore Rock Bar, que abrigou o evento de última hora devido aos imprevistos ocorridos na produção, os quais alteraram a data inicial – dia 02 de agosto – e local. Algumas pessoas deixaram para comprar o ingresso na hora, mas não houve qualquer tumulto. Muito pelo contrário, pois mesmo com um considerável atraso na abertura da casa, o que se via eram admiradores do SYMFONIA cantando canções do grupo e de suas bandas anteriores.

Por volta das 21h a atração de abertura, a banda gaúcha TIERRAMYSTICA iniciou seu set. De cara percebemos que o Prog Metal melódico praticado por eles não é meramente uma cópia dos grandes nomes do estilo. Personalidade, ritmos folclóricos peruanos (pelo uso de flautas pan) e boa presença fizeram a festa do pessoal ávido por aquele Metal mais veloz e bombástico. O vocalista principal, Gui Antonioli, possui um belo timbre e se comunicou muito bem com a plateia. Destaque para as inspiradas canções "Winds of Hope" e "Spiritual Song".

Breve pausa para alguns ajustes no palco e, às 23h, o quinteto brasileiro/finlandês/alemão surge provocando aplausos e gritos. De cara mandam os riffs iniciais de "Come By The Hills", um dos grandes destaques do disco In Paradisum, lançado no começo do ano. Esta é uma típica canção de Timo Tolkki e não seria exagero algum dizer que ela poderia estar facilmente em qualquer álbum do Stratovarius. O mesmo pode ser dito da seguinte, "Forevermore", com seu refrão daqueles de cantar junto. E foi o que aconteceu após o chamado de Andre Matos. Boa execução, apesar de a guitarra ter apresentado certo chiado. Por vezes percebia-se ainda o baterista pedindo retorno. Enfim, detalhes técnicos que não comprometeram a força das composições.

Andre então fala que, apesar da banda não querer viver do passado dos seus integrantes, gostariam de prestar um tributo a elas. "Acreditamos na música que estamos fazendo juntos e isso é o que importa", disse, para emendar com a clássica "4th Reich", do álbum Dreamspace da ex-banda de Timo Tolkki. E querem saber de uma coisa? Ficou tão boa quanto à versão gravada pelo Stratovarius em 1994, época em que o próprio Tolkki ainda acumulava o posto de vocalista. Com os ânimos em alta, "Rhapsody in Black" (outra do In Paradisum) foi a próxima. Sua letra é bem interessante e o início lembra um pouco bandas como o TNT e Harem Scarem. "Santiago" retoma o mesmo clima das típicas canções de Power Metal: guitarras e bumbos duplos velocíssimos somados a vocais altos e por vezes afetados. Entenda não se tratar de crítica, mas uma constatação, até porque quem é fã do estilo gosta que seja assim mesmo. E convenhamos, tanto Matos quanto Tolkki são baluartes neste quesito.
Alguns se perguntavam se o projeto Revolution Renaissance seria lembrado. "Last Night on Earth" respondeu com classe. Esta é uma daquelas jóias raras na música de uma forma geral. Se bem que ficou "fácil" com a ajuda de Michael Kiske, vocalista que gravou a versão em estúdio, presente no álbum New Era, de 2008. Andre volta a falar sobre os tributos e desta vez anuncia uma da banda que o projetou ao mercado internacional. Logicamente estamos falando do Angra, mas não tão óbvia foi a escolha da canção. "Lasting Child" tem sido tocada ao vivo nesta turnê pela primeira vez em sua história. E não é que a música que encerra o absoluto Angels Cry (1994) soou rejuvenescida? Vale destacar a atuação irrepreensível de Mikko Härkin, que não só manteve os arranjos originais compostos por Matos, mas também deu um toque particular.

O SYMFONIA retira-se momentaneamente do palco, deixando um sampler rolar, para então os músicos retornarem com a instrumental "Stratosphere", do ótimo Episode (1996). Em seguida Timo pega uma guitarra acústica e após Andre "intimar" ao público que cante junto, executam a derradeira faixa do novo álbum. "Apesar desta não ser uma música técnica, ‘Don’t Let Me Go’ foi a mais difícil de gravar por ser a mais emocional", revelou Matos. O vocalista paulistano retoma a palavra e desafia o público: "E então, vamos mostrar para esses gringos que somos os melhores do mundo?" Preciso comentar da euforia que se formou no Blackmore? "In Paradisum", desta vez a música, nunca me pareceu tão pesada e intensa quanto ali. A paixão com que as notas eram tocadas foi tamanha que deixou uma sensação de "quero mais", mesmo tendo quase 10 minutos de duração. Alex Landenburg fica sozinho no palco para um curto, porém interessante, solo de bateria. O restante da banda volta na sequencia e finaliza o set regular da noite com "Fields of Avalon", faixa que abre In Paradisum.

O encore inicia em alto estilo com a rara (pelo menos ao vivo) "Dreamspace", do já citado disco homônimo. Grata surpresa. O Revolution Renaissance teve nova participação no repertório, desta vez com a cativante "I Did It My Way", outra das cantadas pelo Kiske na estreia em estúdio do projeto de Tolkki. Andre Matos aproveita para apresentar a banda de forma bastante descontraída e encerram de vez com uma do SYMFONIA: "Pilgrim Road". Com a promessa de um retorno em breve, o quinteto despede-se dos seus fãs, deixando uma excelente impressão.
O único ponto negativo ficou por conta do baixo número de pagantes, algo que já está sendo uma constante em São Paulo, infelizmente.
Set-list
1.Come by the Hills
2.Forevermore
3.4th Reich (Stratovarius)
4.Rhapsody In Black
5.Santiago
6.Last Night On Earth (Revolution Renaissance)
7.Lasting Child (Angra)
8.Stratosphere (Stratovarius)
9.Don´t Let Me Go
10.In Paradisum/Solo de bateria
11.Fields of Avalon
Encore:
12.Dreamspace (Stratovarius)
13.I Did It My Way (Revolution Renaissance)
14.Pilgrim Road
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