Motley Crue e Buckcherry: 1 só ingresso, 2 grandes shows
Resenha - Motley Crue (Estadio Cubierto, Buenos Aires, 20/05/2011)
Por Mariana Lyrio
Postado em 24 de maio de 2011
Bienvenidos a Buenos Aires! Esse fim de semana (20/05) fez um mês que eu me mudei para terras porteñas. E a minha comemoração particular foi me dar de presente o ingresso do show do grande Motley Crue.
Confesso que no início tava desanimada, e só comprei o ingresso porque o Motley é a banda preferida da minha irmã, e como eles não iam passar no Rio, ela não os viu. Então me encheu a paciência pra que eu fosse. Eu tava num cidade que eu ainda quase não conheço, sozinha, e o show ia ser num lugar que eu até então não sabia que existia. Mas resolvi que era melhor ir do que me arrepender depois. E, olha, foi uma sábia decisão.
O público argentino é COMPLETAMENTE insano. Só quem já viu um show por aqui vai entender o que eu tô dizendo. Sim, o público brasileiro é caloroso, é animado, mas não é nada, nada comparado com isso aqui. As pessoas vão pra se divertir ao máximo, e não param quietos um segundo sequer. Foram mais de duas horas de gritos, braços erguidos, mosh em toda a pista, todo mundo pulando… E pasmem, é proibido vender bebida alcoolica no local do concerto, então, eles fazem tudo isso sóbrios!
Bem, ter a entrada de alcool proibida não impediu que o Tommy Lee saísse da bateria no meio do show e, reclamando disso, desse uma garrafa de Jägermeister pro pessoal da pista vip, e mandassem que eles dividissem com toda a galera. Óbvio que ficou todo mundo apaixonado por ele depois disso. Falando nele, o Tommy é um espetáculo a parte. O cara simplesmente não envelhece. Ele levanta da bateria o tempo todo, conversa com todo mundo, puxa o grito da galera, um lindo. Por outro lado o Mick Mars tá quebrado. O que é compreensível se levarmos em conta que o cara tem 60 anos, uma doença degenerativa, e ainda assim tá fazendo turnê com o Crue. E apesar dele parecer um boneco de cera a maior parte do tempo, ele aprendeu espanhol só pra perguntar se a galera queria mais solo de guitarra. E foi todo meloso com os argentinos, falando de como eles são o melhor público do mundo e animando sempre que sua pouca mobilidade permitia.
Eu que já li a biografia do Nikk Sixx entendi bem o que era pra eles estarem ali, de frente pra uma turma alucinada, fazendo o que eles fazem de melhor, mais de vinte anos depois da maioria deles quase ter morrido por causa da vida maluca deles. Não tem como não se apaixonar por eles, porque é muito claro que eles amam aquilo ali. Acredite em mim, a único pensamento que se consegue ter quando as luzes apagam e o show começa é que você quer aquilo ali pro resto da sua vida. A única coisa melhor que ver uma boa banda, é estar em cima do palco. Seja Rockstar e seja feliz. É mais ou menos isso.
Tecnicamente o som tava uma droga. a guitarra do Mick tava muito estridente, e o bumbo do Tommy tava abafado e embolado com o baixo no Nikk. E bem, eles sabiam disso, e ainda assim foram mega profissionais e tentaram compensar isso em cima do palco. Não foi nada que atrapalhasse a qualidade geral do concerto, mas tecnicamente podia ter sido bem melhor. Em compensação, a voz do Vince tava um escândalo. Um tapa na cara de todo mundo que diz que os vocalistas de hard rock tão velhos, gordos e não cantam mais nada. Ele animou todo o tempo, e ainda assim cantou como fazia nos áureos tempos do Hard.
Bom, não pretendia falar do Buckcherry, mas me sinto obrigada a fazer isso. Por que? Porque eles me deixaram com a cara no chão. É uma banda do caralho. Não é a toa que os caras tão abrindo pro Motley. Saí do estádio sentindo que tinha pago só um ingresso, e visto dois grandes shows. Eu que nem conhecia os caras, já coloquei pra baixar toda a discografia deles.
Enfim, quem não pode ir ver o Motley, eu só posso lamentar. Sério, você perdeu a oportunidade de ver na América do Sul uma das melhores bandas do planeta. Mesmo que você não goste tanto do som deles, ou ache que eles já passaram da época, uma coisa indiscutível é que eles sabem como fazem um show espetacular. Sem dúvida, o melhor show que eu já vi.
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