Iron Maiden: Mais uma resenha com fotos do show no Rio

Resenha - Iron Maiden (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 28/03/2011)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Fernanda Lira
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Após uma tentativa de show mal-sucedida no domingo, o que me rendeu custos extras, stress e um artigo polêmico aqui no site, era finalmente hora de conferir se a produção teria o mínimo de competência de pelo menos ter trocado a pseudo-grade para segurar a multidão de fãs.

5000 acessosGhost: James Hetfield curte show da banda no meio da galera5000 acessosMetal Brasileiro: 10 bandas recomendáveis fora o Sepultura

Apesar de manter um pé atrás em relação a tudo, optei por chegar mais cedo para evitar problemas recorrentes. Pelo que me pareceu, não fui a única que teve essa idéia. Após um trânsito de quase três horas na Barra, cheguei à Arena e me surpreendi logo de cara com um dos primeiros resultados da provável tomada de atitude da Mondo Entretenimento: não havia fila! Perto da hora do show, a maioria dos pagantes já estava devidamente acomodada dentro da casa de show e isso não se devia ao fato de uma desistência em massa, como muitos imaginavam que ia acontecer. O que pude perceber foi que felizmente o público compareceu em peso, uma vez que, tanto a pista como as cadeiras de nível superior, estavam quase tão cheias como no dia anterior, o que significa que muitas pessoas souberam se virar com o famoso ‘jeitinho brasileiro’, arranjando entre trabalho e economias apertadas uma maneira de ver a Donzela.

Outra coisa que me deixou satisfeita foi o número de funcionários a mais disponibilizados pela casa. Contrariamente ao dia da catástrofe da grade, o que se via na segunda feira eram dezenas de pessoas a serviço do HSBC Arena, prontos para agilizar a entrada, dar informações e auxiliar o fã em qualquer dificuldade encontrada. Frente a tudo isso, não posso deixar de perguntar a mim mesma uma coisa: por que não fizeram isso no primeiro dia? Por que não colocaram logo de primeira uma grade decente e um atendimento beirando o organizado? Com certeza teriam evitado frustrações, gastos desnecessários e até processos.

A noite só não ficou completa por um motivo: a banda Shadowside não pôde se apresentar novamente. Eles inclusive lançaram uma nota à imprensa explicando a situação, mas mesmo assim muitos ainda ficaram com vontade de ver a banda se apresentar, pois uma boa massa não havia conseguido na noite anterior. Uma pena, pois o show foi excelente. A jovem banda se mostrou muito competente e deixou claro o porquê foi digna de excursionar com o W.A.S.P. pela Europa há alguns meses atrás. No domingo apresentaram músicas de seus três álbuns, inclusive do que ainda nem foi lançado, o “Inner Monster Out”, que contará com diversas participações especiais, como a de membros do Dark Tranquility e Soilwork. Aliás, o grande destaque da curta, porém energizante apresentação deles ficou por conta de uma das músicas deste disco, a "Disrupted Reality", composição que mostra uma banda mais madura e agressiva, condizente com a postura deles todos no palco.

Voltando ao show do Iron Maiden, o começo do show de segunda feira foi bem diferente do da noite anterior. Primeiro porque, felizmente, nenhuma grade cedeu, e segundo porque o público parecia ainda mais sedento em ver a banda ao vivo, gritando por ela em alto e bom som. Aliás, essa energia perdurou incessantemente pelo set inteiro, uma vez que os fãs cantaram em coro boa parte das músicas, das mais cadenciadas aos hits clássicos, e isso ficou visível desde o primeiro som, “The Final Frontier”, que me deixou impressionada: cada palavra foi entoada com muita propriedade pelo público. Tenho certeza que até aqueles muitos que criticaram o CD novo da banda deixaram, durante aqueles minutos, a implicância de lado e entraram no clima gostoso e contagiante da música.

O palco, a não ser pelos backlines variados já típicos da banda, tinha uma composição bem diferente do comum para a banda, mas totalmente dentro da proposta do tema do último disco. Todos os componentes do palco tinham um misto de ar modernista com toques de ficção, e isso também se encaixa ao Eddie, que se transformou numa espécie de alien, bem parecido com aquela coisa aterrorizante do filme! Acho muito interessante quando as bandas inovam e mesmo assim não perdem a essência. Sem dúvida esse é um dos motivos que vem consagrando o Maiden ano após ano, mesmo depois de tanto tempo de estrada.

Um ponto que foi polêmico desde o momento de sua revelação meses antes na internet foi a escolha do repertório. Eu esclarecerei minha opinião aqui, mas gostaria de enfatizar que entendo perfeitamente todos os diferentes pontos de vista que esse tópico gera. Muitos torceram o nariz devido ao fato de muitas faixas dos álbuns mais recentes terem sido tocadas, o que suprimiu a execução de vários clássicos. Eu, particularmente, adorei a decisão, afinal, quando se vê a banda um bom número de vezes, é muito legal poder vivenciar situações diferentes a cada apresentação, tornando cada turnê da banda singular. Para os headbangers de primeira viagem, eles mantêm os já indispensáveis hits como "Fear of the Dark" e "The Number of the Beast". Se eu fosse reclamar dessa escolha de set list, também acharia justo reclamar sobre o fato de eles nunca terem tocado jóias raras como "Alexander, the Great", por exemplo. O que eu quero dizer é que uma banda do porte do Iron Maiden não tem como fazer um set list que satisfaça todos os fãs, exatamente porque eles têm uma discografia extensa e recheada de sons maravilhosos e imperdíveis. Depois de já ter ouvido gente reclamar do set da turnê anterior, que contemplava a fase mais antiga, eu não tenho dúvida em afirmar que em impossível agradar a todos, a menos que a próxima turnê consista em shows de 40 horas, onde eles tocassem todos seus álbuns!

A única coisa que eu sugeriria à banda se tivesse a oportunidade de encontrá-los seria trocar algumas músicas escolhidas do último CD. Uma "Mother of Mercy" ali cairia como uma luva. Aliás, esse novo repertório foi o fator que proporcionou os pontos altos do show, que foram "Coming Home", porque com ela os membros transmitiram ao público exatamente a vibe da banda no momento atual, seja com cada acorde tocado perfeitamente, a atenção aos detalhes e tudo o mais, "Dance of Death", que me fez chorar por causa do clima incrível que ela causou naquele momento, com a concentração e devoção de cada músico, principalmente Bruce, que praticamente nos contou uma história através de seu show de interpretação, e, por fim a "Blood Brothers". Essa última, e todos devem concordar, foi mais tocante por causa do discurso de Dickinson sobre os ocorridos na Líbia e no Japão. Ele ressaltou que mesmo com todos os problemas que todos passamos ao redor do mundo, somos através do metal um só, ou irmãos de sangue, como o titulo da música sugere. Haja coração pra tantas sensações legais!

Creio que não tenha nada de novo para comentar sobre a postura da banda: como sempre, a presença de palco é um show à parte. Nicko imponente e palhaço atrás de seu set enorme de bateria, Steve Harris (mestre) tocando absurdamente seu Fender e cantando bons trechos de suas composições, Adrian e Dave executando seus solos, mesmo quando levemente alterados, com maestria, Janick Gers com sua postura que chega a incomodar alguns fãs que o chamam de forcado e Bruce cantando com o coracão cada palavra das letras e sendo bem humorado sempre que podia, inclusive quando citou sobre as novas grades adquiridas pela produção!

Infelizmente, quando chegou a “Running Free”, chegou também o fim do show. Digo infelizmente porque desde o adiamento do show, achei que eles fossem nos presentear com uma ‘bônus track’ em recompensa a tudo o que passamos naquela noite infernal de domingo. Mas quando os assobios de "Always Look On the Bright Side of Life", do Monty Python, soaram, tenho certeza que ninguém reclamou, pois a noite tinha sido perfeita. Afinal, reafirmo aqui, noites inesquecíveis são o que o Iron Maiden sabe fazer de melhor!

Agradecimento especial para Diego Pirozzi, meu companheiro carioca nas duas noites de show, seja com grade derrubada ou erguida!

Fotos: Fernanda Lira

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Iron Maiden (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 28/03/2011)

1385 acessosIron Maiden no RJ: Longe da Última Fronteira!1773 acessosIron Maiden: Fronteiras no Rio de Janeiro5000 acessosIron Maiden no Rio: Performance incrível e arrebatadora5000 acessosIron Maiden: Agora sim o show completo no Rio de Janeiro!

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 06 de abril de 2011

GhostGhost
James Hetfield curte show da banda no meio da galera

183 acessosIron Maiden cover: "Sign of the Cross", no piano1684 acessosHeavy Metal: os 10 melhores riffs dos anos noventa483 acessosIron Maiden: Iron Maiden Ex Libris aborda as letras da donzela0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Iron Maiden"

Iron MaidenIron Maiden
Incrível versão de "The Trooper" com violoncelos

Iron MaidenIron Maiden
Paul Di'Anno fala sobre saúde de Clive Burr

Iron MaidenIron Maiden
Banda cai no riso em show nos EUA de 2008

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Iron Maiden"

Metal BrasileiroMetal Brasileiro
10 bandas recomendáveis fora o Sepultura

Motley CrueMotley Crue
Atriz pornô comenta sua relação com Tommy Lee

The OsbournesThe Osbournes
Sharon conta como Ozzy tentou assassiná-la

5000 acessosLoudwire: as 10 melhores músicas do Nirvana5000 acessosHeavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 19905000 acessosSteven Tyler: "nunca esquecerei a audição para o Zeppelin"5000 acessosRecorde: 7 mil guitarristas fazem homenagem a Hendrix5000 acessosKerry King: o Metallica não precisa mais lançar discos5000 acessosJeff Scott Soto: memórias ruins de quando cantou para Malmsteen

Sobre Fernanda Lira

Sem descrição cadastrada.

Mais matérias de Fernanda Lira no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online