Iron Maiden no Rio: Performance incrível e arrebatadora

Resenha - Iron Maiden (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 28/03/2011)

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Por Gabriel von Borell
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Depois da frustração pelo cancelamento da apresentação de domingo (27) no Rio de Janeiro, por medidas de segurança, os fãs cariocas do Iron Maiden tiveram a sábia decisão de retornar ao local do show nesta última segunda-feira. Afinal o grupo britânico fez uma apresentação tecnicamente perfeita e cheia de energia no Rio de Janeiro.

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Azar de quem não pôde, ou não quis, comparecer novamente por causa dos problemas da noite anterior, quando a grade da pista premier cedeu e o show precisou ser adiado para que não houvesse risco de alguém sair ferido da HSBC Arena.

Felizmente, desta vez a grade conseguiu suportar a empolgação dos fãs. Se o público na noite de domingo era de, aproximadamente, 13.000 pessoas, na segunda não foi muito diferente. Estima-se que 12.000 fãs voltaram à Arena para assistir ao Iron Maiden. A apresentação no Rio de Janeiro, que estava marcada para às 21h, começou com pouco mais de 20 minutos de atraso. Quando a música do UFO, “Doctor, Doctor”, subiu, os fãs, que estavam completamente impacientes e ansiosos por conta do adiamento do show, foram ao delírio.

A apresentação do Iron Maiden, mais esperada do que nunca pelas circunstâncias já citadas, àquela altura estava prestes a começar. Eis que surgia Bruce correndo para lá e para cá com um fôlego de dar inveja, acompanhado por Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarra), Adrian Smith (guitarra), Janick Gers (guitarra) e Nicko McBrain (bateria). É admirável atestar a boa forma de todos os integrantes, que já passam da casa dos 50 anos, e a disposição de cada um deles no palco. Parece que começaram ontem com tanto vigor em cena.

O Iron Maiden seguiu à risca o repertório da atual turnê, “The Final Frontier”, e começou o show com "Satellite 15... The Final Frontier", do mais recente álbum, que dá nome à atual tour. O público estava nas mãos da banda e volta e meia entoava gritos como "olê, olê, olê, olê, Maiden, Maiden". Bruce devolvia com seu característico “Scream for me, (neste caso) Rio”.

Em seguida, o grupo britânico tocou a também nova “El Dorado” e a clássica “2 Minutes to Midnight”, que levantou a HSBC Arena. Foi aí que Bruce parou para falar pela primeira vez com os fãs, e não faltaram piadinhas. Primeiro o vocalista agradeceu o retorno do público e a forma “pacífica” com que a plateia deixou o local no domingo, depois Bruce mencionou o incidente da noite anterior. "É bom ver vocês aqui de novo, temos uma plateia incrível e uma grade novinha”, disse Bruce, em tom de brincadeira. “Foi muito cara, mas nós não pagamos, vocês não pagaram, algum 'filha da puta' pagou, então aproveitem", completou.

O frontman do Iron Maiden também mencionou o terremoto e tsunami no Japão, ocorrido em março, que obrigou a banda a cancelar seu show por lá. Bruce lembrou o quanto nós brasileiros temos sorte pelo fato de “perdermos” uma apresentação da banda por um motivo completamente contornável, que nem de longe se compara à tragédia ambiental japonesa. "Tivemos um problema aqui no Rio, mas também tivemos um problema na turnê em Tóquio, por causa do terremoto. Vocês devem se sentir sortudos por morar no Brasil", disse Bruce, demonstrando bastante bom senso.

A apresentação carioca seguiu com “The Talisman” e “Coming Home”, um dos pontos altos da noite. Depois vieram algumas canções do começo da década de 2000, “Dance of Death”, “The Wicker Man” e “Blood Brothers”, com “The Trooper” aparecendo entre elas. Pouco depois veio o momento que todos os fãs de Iron Maiden sempre esperam: a hora do Eddie surgir no palco.

O robô gigante, em nova versão, apareceu quando a banda executava “The Evil that Men Do”. O público, é claro, reverenciava a máquina que se movimentava a passos lentos e muito bem reproduzidos. Porém, estava enganado quem pensou que aquele seria o momento de maior surpresa do show. Logo após o Iron Maiden tocar sua canção mais conhecida do público em geral, “Fear of the Dark”, a banda, como de praxe, executou a faixa de 1980 que dá título ao grupo, “Iron Maiden”. Neste momento surgia atrás do palco um outro Eddie, desta vez com oito metros, observando o público e movimentando seus dedos gingantes enquanto piscava seus olhos vermelhos. Os fãs, hipnotizados pelo “elemento surpresa”, não desviavam o olhar da imponente figura.

Às 22h50, a banda agradeceu ao público e deixou o palco por alguns minutos. Depois, o Iron Maiden voltou para o bis, que teve “The Number of the Beast”, com direito à criatura meio capeta, meio bode também no palco. Em seguida veio “Hallowed Be thy Name” e “Running Free”, que encerrou o show de quase 1h50 de duração. Foi quando Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers começaram a atirar palhetas ao público, ao mesmo tempo em que Nicko McBrain arremessava baquetas e freesbies. Bruce preferiu jogar sua touca encharcada de suor para a plateia. E assim o Iron Maiden se despedia do público do Rio de Janeiro.

Como as luzes permaneciam apagadas e o silêncio dominava a HSBC Arena, os fãs especulavam se haveria algum tipo de “agrado”, por parte da banda, para compensar os transtornos que o público passou por causa do adiamento da apresentação. A plateia pedia “Run to the Hills” enquanto nenhum movimento era observado no palco. Mas quando “Always Look on the Bright Side of Life” começou a tocar era o anúncio de que a noite havia realmente acabado.

Apesar do setlist burocrático e da decepção pela “pegadinha” no final, o público não teve do que reclamar. Ia voltar para casa depois de ter presenciado uma performance incrível e arrebatadora de uma das maiores bandas de heavy metal da história, numa passagem pelo Rio de Janeiro repleta de emoções, sejam elas boas ou ruins. Pelo menos histórias para cada um daqueles fãs não vão faltar.

Setlist:

1- Satellite 15... The Final Frontier
2- El Dorado
3- 2 Minutes to Midnight
4- The Talisman
5- Coming Home
6- Dance of Death
7- The Trooper
8- The Wicker Man
9- Blood Brothers
10- When the Wild Wind Blows
11- The Evil That Men Do
12- Fear of the Dark
13- Iron Maiden

Bis:

14- The Number of the Beast
15- Hallowed Be Thy Name
16- Running Free

Fotos: Antônio César

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Sobre Gabriel von Borell

Gabriel von Borell, nascido em 30/03/85, jornalista. Não vive sem música e também não se apega a rótulos musicais. Acredita que todo preconceito é burro, inclusive o musical. Escuta de tudo um pouco, considerando que um jornalista deve estar aberto pra conhecer e comentar sobre qualquer músico ou banda. Pode ser encontrado no Twitter em @gabrielborell.

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