Iron Maiden: Mais um grande show da banda em Brasília
Resenha - Iron Maiden (Mané Garrincha, Brasília, 30/03/2011)
Por Marcelo Barbosa
Postado em 31 de março de 2011
Showzaço da trupe de Bruce e Steve em Brasília. Já é meu terceiro show em quatro anos, e não consigo me acostumar. Graças a Deus.
Cheguei lá umas 19h30, mais ou menos. Movimento tranqüilo. Tinha muita gente, mas nada de outro mundo. E todos comportados. Quando passei pelas três barreiras de seguranças (e em uma distância de 5 metros me vi com quatro panfletos na mão) e entrei na área do show, a banda Khallice começava seu set. Músicos excepcionais, sem contestações. A molecada que está na fase do "quanto mais rápido melhor" deve ter delirado com as peripécias guitarrísticas do meu xará de nome e sobrenome (ainda que a contragosto).
Setzinho curto, umas 4, 5 músicas, e o Khallice deixou o palco. Pouco depois, me posicionei no melhor lugar possível (mais perto possível, mais ainda não completamente espremido). Às 21:08 (conforme o relógio do meu amigo), começa a tocar nas caixas "Doctor, Doctor", música do UFO, que é usada como prenúncio dos shows do Maiden. Logo depois, tudo fica escuro e "Satellite 15... The Final Frontier" começa a tocar. A música tem quase nove minutos, sendo que quase cinco são compostos de uma grande introdução. As pessoas começam a ficar ouriçadas, gritando "Maiden! Maiden!" enlouquecidamente.
Bruce Dickinson surge no palco, a galera delira. Em seguida a banda aparece e começa a tocar. Vejo dois garotos se abraçando, como que querendo dividir com alguém a alegria e a emoção de ver uma das maiores lendas do rock de todos os tempos na frente deles. Olhei a cena e sorri: exatamente como eu e um camarada que conheci na excursão para São Paulo, quando do meu primeiro show do Maiden, em 2008. Quantos meninos não devem fazer isso mundo afora?
A segunda música, "El Dorado", empolga pouco. Claro, para os padrões IRON MAIDEN de público. Fã do Maiden, via de regra, parece gostar de tudo que a banda fizer ao vivo. Se emendarem com um cover do Nelson Gonçalves, vai ter um monte de gente fazendo chifrinho com as mãos. Não deixa de ser folclórico.
Enfim, o pessoal levanta os braços, batia palmas, e vai escoltando "El Dorado" até seu acorde final. Em seguida, Adrian Smith puxa a introdução de "2 Minutes To Midnight". As pessoas ficam enlouquecidas, pulando, gritando. Uma curiosidade dessa música é que todo mundo gosta, mas poucos sabem cantá-la toda. Fiquei cantando quase que sozinho (dentre as pessoas próximas) as estrofes. Quando entra "The killer’s breed or the demon seed..." aí o povo engata e vai embora com Bruce.
Em seguida, a banda executa "The Talisman", debaixo de chuva. Mas, sinceramente, estava tão quente que ela foi muito bem vinda, pelo menos por mim. Na minha frente, um sujeito berrava impropérios apontando para o céu. Só após "The Talisman", Bruce conversa com o público. Ele cita a chuva e brinca com o público. O vocalista anuncia a próxima música, "Coming Home", e tece comentários sobre ela.
Não conhecia "Coming Home", e me surpreendi com a beleza da música. Curta, comparando-se às demais do disco(menos de 6 minutos), essa música é bonita e muito bem arranjada. É uma balada muito bem construída e objetiva, tão cativante quanto "Out Of The Shadows", do disco anterior.
Após "Coming Home", o pano de fundo muda. Surge o Eddie do "Dance of Death". E é justamente a música-título do disco que é executada. Muito bem recebida pelos fãs, diga-se de passagem. Em seguida, o pano muda de novo. Surge o Eddie das brigadas, anunciando "The Trooper". O povo começa a ficar ouriçado. Quando a música começa, é o caos. O público vem abaixo, cantando, pulando, acenando. Quem estava com namorada (eu estava rodeado de casais) teve que abraçá-la mais forte pra não perdê-la no meio da multidão. Sobre a música não tem o que falar. "The Trooper" é "The Trooper". Nessa hora eu caí na real. Estava com os ícones da história do metal na minha frente, tocando um clássico que ouço há 15 anos. Escorei-me no ombro do cara da frente, que nunca vi na vida, e pulei feito um doido, junto com a galera. O bom do Maiden é isso. Você não está lá para curtir o show sozinho. Você é parte integrante e importante de uma massa metálica, que está lá com a única missão de mostrar de todas as maneiras possíveis que está na mesma sintonia da banda.
Na sequência, Adrian puxa "The Wicker Man". Ainda a vejo como uma música relativamente nova, mas já se vão 10 anos desde "Brave New World". É, o tempo passa. Sem perceber, "Wicker Man" já virou um clássico. Cantei a plenos pulmões, principalmente quando Bruce mandava. Quando ele manda, a galera obedece.
Terminada essa música, Bruce conversa com o público novamente. Não canso de me impressionar com o carisma desse cara. Ele fala com o público de uma forma que nos faz sentir próximos dele. É como se ele conhecesse cada uma das 12 mil pessoas que estavam lá, como se fosse um show entre amigos. O vocalista lembra a tragédia no Japão e se refere a todos os fãs da Donzela como uma família, e que parte da família está passando por um momento trágico. Em seguida, dedica aos "irmãos" do Japão a canção "Blood Brothers". Para mim, um dos pontos altos da apresentação. Foi bonito de verdade, foi emocionante participar dessa música, com as palmas e o coro. Muitas músicas do Maiden são completamente interativas, não funcionam sem a participação do público, que se sente parte importante do show. Foi legal ouvi-la ao vivo. Ouvia essa música no álbum Rock In Rio e pensava: "putz, deve ser muito legal estar lá e interagir". Agora posso ouvir o Rock In Rio e dizer: "sei exatamente como é".
A banda emenda com "When the Wild Wind Blows" e, depois, executa "The Evil That Men Do". Outro momento épico, cantado por todos. A música seguinte é a mais esperada por muitos. "Fear Of The Dark" é o máximo de interação quando se fala do Maiden. Não existe "Fear Of The Dark" sem o "ôôôô". Como bons fãs, todos, homens, mulheres e crianças, cantaram a parte que lhes cabia. Nesse momento, somos o sétimo membro da banda, e é uma baita sensação.
Antes de deixar o palco, o Maiden executa "Iron Maiden". Algumas pessoas abrem rodas no meio do público. Sou meio chato nesse aspecto, admito. Quer abrir rodinha em showzinho de banda local, beleza. Agora, as pessoas pagaram para ver o IRON MAIDEN, e não para ficarem preocupadas em não lhes sobrar um soco acidental no nariz. É realmente tão importante assim fazer essa roda, quando Steve Harris e Dave Murray estão tocando para você?
Eddie, versão Final Frontier, entra no palco. Uma câmera foi instalada em sua cabeça e suas imagens exibidas no telão, como se fosse a visão do monstro. Janick Gers brinca com ele durante um tempo. Depois, Eddie pega uma guitarra, finge tocá-la, e deixa o palco. Pouco depois, o resto da banda o acompanha.
Mas não precisamos esperar muito. Minutos depois, a voz cavernosa de "The Number Of The Beast" ecoa no local. As pessoas não sabem se gritam ou recitam junto. The Number… abre o bis, que viria a ser uma viagem no tempo das mais nostálgicas. Realmente, essa música não cansa nunca. "Hallowed Be Thy Name" vem na sequência. Fazia tempo que eu não a ouvia. A última foi, para mim, uma gratíssima surpresa. Faço questão de não saber o set list, prefiro me surpreender. Nicko começa "Running Free", música que senti falta na turnê Somewhere Back In Time. É a última da noite. Como todos, pulo, canto, gasto meu último fio de voz. A música termina, encerrando o show. Saio exausto, mas feliz.
Provavelmente, as mesmas impressões e reações se repetirão, iguaizinhas, nas outras passagens da banda pelo Brasil. No fim das contas, essa pode ser uma resenha de qualquer show. Mas, pelo que foi descrito aqui, isso não é necessariamente ruim.
Set List:
1. Satellite 15... The Final Frontier
2. El Dorado
3. 2 Minutes to Midnight
4. The Talisman
5. Coming Home
6. Dance of Death
7. The Trooper
8. The Wicker Man
9. Blood Brothers
10. When the Wild Wind Blows
11. The Evil That Men Do
12. Fear of the Dark
13. Iron Maiden
Bis:
14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free
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