Lacrimosa: comemoração dos 20 anos de carreira em SP

Resenha - Lacrimosa (Carioca Club, São Paulo, 21/09/2010)

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Por Lidia Zuin
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A apresentação começou pouco depois das nove horas, após uma longa fila que dobrou, debaixo da garoa paulistana, o quarteirão do Carioca Club. A confusão pela troca dos ingressos comprados online não foi o suficiente para estragar a noite do primeiro show na América Latina feito pela banda suíça LACRIMOSA, na atual turnê "Lichtjahre". Alguns dos fãs, vestidos à maneira do grupo, aguardaram pelo menos duas horas de espera para entrar na casa – houve também aqueles que chegaram ao local por volta do meio dia.

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Em comemoração aos 20 anos de carreira, o ciclo de shows traz músicas de distintas épocas do grupo atualmente formado por Tilo Wolff (voz e teclado), Anne Nurmi (teclado e voz), Yenz Leonhardt (baixo e voz), Dirk Wolff (guitarra), Jay P. (guitarra) e Manne Uhlig (bateria). De cabelos mais curtos e cacheados, mas ainda adornados pela característica mecha branca, o vocalista manteve a platéia em frenesi por pelo menos metade de "Schakal", primeira música tocada após o concerto ser aberto pelo "Lacrimosa Theme". Os gritos eram tão estridentes que, apesar do alto volume dos instrumentos e dos microfones, algumas canções foram sobrepostas pela euforia e pelas declarações de amor a Tilo e Anne – em alemão, inglês ou português.

Com as mãos, o vocalista e compositor embalava os fãs nos refrões de "Alleine zu zweit", "Der Morgen Danach" e "Lichtgestalt". Em "Feuer", faixa pertencente ao "Schattenspiel", último álbum lançado, Tilo incentivou a platéia a balançar as mãos conforme o refrão cantado por um coral era reproduzido.

Diferente da setlist de Moscou – que até então estava orientando o aguardo da platéia –, Lacrimosa optou por inovar na ordem e na escolha das músicas a serem tocadas, deixando de interpretar "I Lost My Star in Krasnodar" e "Flamme im Wind". Apesar dos gritos por "Deja Vu", "Stolzes Herz" emocionou os fãs, preparando-os para "Bresso". Aliás, pouco depois destas, Tilo anunciou "Ohne dich ist alles nichts", confessando ser uma de suas músicas mais queridas.

No total, Tilo conversou com a platéia pelo menos três vezes, enquanto Anne permanecia silenciosa e concentrada por detrás dos teclados – isto quando estava apresentando suas músicas em vocal solo, como "The Turning Point" e "A Prayer For Your Heart", em que dançou e agradeceu ao público. Com gestos cavalheirescos, o frontman agradecia pela presença dos fãs e Anne deixava escapar um sorriso por detrás do microfone.

Aos sorrisos, o vocalista anunciou, por fim, uma das músicas mais queridas e conhecidas. "Copycat" ganhou uma versão mais agitada e violenta para fechar um show que não deixou a desejar. Talvez um pouco mais de proximidade com a banda – característica do palco do Carioca Club – tivesse feito diferença, ainda que fosse para provocar uma maior convulsão dos fãs na pista, que jogaram buquês de rosas vermelhas e cartas. Mesmo assim, a grade e os três seguranças não os intimidou a demonstrar sua paixão pelo Lacrimosa: fosse com presentes, gritos ou lágrimas.

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