Manowar: apresentação frustrante também em Belo Horizonte

Resenha - Manowar (Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 09/05/2010)

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Por Luiz Figueiredo
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Há mais de uma década sem tocar para os fãs brasileiros, o MANOWAR agendou três datas, sendo uma delas em Belo Horizonte. Naquele primeiro de abril, quando todos os fãs da banda e do estilo ficaram em êxtase com a notícia, ninguém imaginaria que o resultado seria tão frustrante. A razão de tanta frustração já é do conhecimento de todos, a falta de músicas que fizeram sucesso nas décadas de 80 e 90 e se imortalizaram na cabeça de qualquer headbanger. Os clássicos!

Fotos: Thiago Theóphilo

Para aquecer o público, antes da entrada dos “Reis do Metal”, a banda escolhida foi o KINGS OF STEEL de São Paulo. A banda, cover de MANOWAR, obviamente fez uma apresentação diferente das que está acostumada. O show foi composto por músicas próprias e dois covers de bandas lendárias para o agrado de todos. “Balls To The Wall” do ACCEPT foi a primeira reconhecida, seguida da composição própria “Kings Of Steel”. O público que ainda chegava aos poucos fez barulho durante a “Rainbow In The Dark”, do DIO. O KINGS OF STEEL, bem ao estilo MANOWAR, se despediu de Belo Horizonte após cerca de 35 minutos de show, por volta das 19h10m. Eles, segundo o dono do microfone, Cléber Krichinak, estavam loucos para descer do palco e assistir seus ídolos, assim como todos que estavam à frente.

Era hora de esperar o MANOWAR. O cenário estava como deveria estar. Martelos de plástico, braceletes ao estilo dos antigos guerreiros, bandeiras, dentre outros apetrechos do tipo. A espera não foi tão longa, pois o show começou antes do anunciado. Faltando quase 20 minutos para as 20h, a introdução ecoava pelos quatro cantos do Chevrolet.

O MANOWAR chegava com sua controversa turnê Death To Infidels. Começou bem. A que podemos chamar de veterana “Hand Of Doom” de 2002 abriu o espetáculo e levou o público à loucura com a entrada de Eric Adams, Karl Logan, Joey DeMaio e Donnie Hamzik ao palco. Muito teatral o show seguiu a mesma linha dos realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Call To Arms” foi a segunda da noite e manteve a agitação dos mineiros, baiano, brasilienses, cariocas e representantes de outros estados que vieram de longe para a grande oportunidade de ver o MANOWAR.

Mas a partir daí a empolgação do público começou a cair. A tediosa “Swords In The Wind” foi a terceira música de Warriors Of The World executada. O solo de Karl Logan e “Let The Gods Decide” do “Thunder In The Sky” (2009) também não levantaram o ânimo dos fãs sedentos por Heavy Metal. Mesmo esta última sendo uma boa música.

Os “Kings” saem do palco e volta apenas o baixista DeMaio com uma latinha de cerveja em uma mão, o microfone na outra e muitos gigas de memória na cabeça para memorizar o longo discurso em português. Ele disse que aprendeu a falar nossa língua com as “meninas” daqui. As poucas frases que podia falar eram “você tem namorado?”, “você está molhadinha?”, “você gosta de Heavy Metal?”, “você gosta de meter?”e “então você gosta de Manowar!”. Palavras que levaram todos a bradar o líder da banda.

Joey continuou... Agora ele precisava de alguém que soubesse tocar guitarra. E escolheu a pessoa certa. Mais fã de MANOWAR do que de qualquer outra banda, Paulo Henrique, 20, da cidade de Congonhas, região central de Minas, foi o escolhido pelo baixista para assumir a guitarra. Mas é claro que um homem não seria o único a ser convidado para subir ao palco do MANOWAR. Três garotas também foram chamadas para se juntar a Paulo e DeMaio. Com As meninas dançando e batendo cabeça, Paulo tocando guitarra e todos bebendo cerveja, a ótima Die For Metal voltou a incendiar os Manowarriors que já estavam cansados e querendo ouvir porrada.

“The Sons Of Odin” também agradou aos fãs, mas a seqüência de “Sleipnir” e “Screams Of Death” foi o fim para muitos e, nesse momento, alguns já não se importavam tanto com o show e iam aos banheiros ou aos bares. Para piorar, veio o solo de Joey. Não que tenha sido ruim. Joey violentou as cordas e tirou sons interessantes de seu instrumento. Mas um solo no momento mais chato da apresentação é quase um sonífero.

Talvez se tocassem "Battle Hymn" após o solo de Joey a chance de todos se animarem novamente existiria, mas as músicas novas predominaram até o fim. O destaque vai para “Warriors of the World” que é uma das melhores dos últimos discos. "Army Of The Dead" finalizou o show com muito teatro e a mais que merecida saudação aos fãs.

O show do MANOWAR no último dia 10 foi do que seria o melhor show do ano ao posto de pior do ano. De um lado, estão os que dizem que não se pode esquecer as músicas novas e que elas têm seu valor. De outro, estão os que queriam ouvir os clássicos e nem ao menos conheciam as canções dos últimos lançamentos. Mas o que podemos perceber que faltou para o sucesso da turnê Death To Infidels no Brasil foi fazer o mais fácil. Mesclar sons antigos com recentes. Foi o que as últimas bandas que vieram ao Brasil fizeram. Vamos tomar, por exemplo, o METALLICA. As músicas já estavam prontas há anos. Eles vieram ao Brasil fizeram duas noites em São Paulo, dando um apanhado geral na melhor parte de suas carreiras, e inseriram as músicas do Death Magnetic em meio aos clássicos. Perfeito. Limpou a ficha da banda que estava suja após os cancelamentos de 2003, valorizou as músicas novas e voltou para os EUA com um posto entre as bandas que estão no coração do headbanger brasileiro.

Já o MANOWAR, que apesar de ter, em sua maioria, novas músicas de grande qualidade, sequer empolgou os 1.500 presentes em Belo Horizonte. Público muito reduzido pela má repercussão dos shows anteriores em Rio e São Paulo.

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