Dream Theater: comentários sobre o show de Porto Alegre
Resenha - Dream Theater (Pepsi On Stage, Porto Alegre, 16/03/2010)
Por Amir R. De Toni Jr.
Fonte: YtseBR
Postado em 17 de março de 2010
Para um fã do metal como eu, o final de 2009 foi mágico, com o anúncio de dois shows absolutamente imperdíveis em Porto Alegre. Em janeiro, o Metallica me conduziu numa catarse de 14 horas em pé, lama (no meu caso bem pouca) e clássicos do thrash metal. Hoje, a poucos metros de onde vi meu primeiro show de verdade, 46 dias atrás, o Dream Theater fez um show extraordinário.
Depois que a segunda atração de abertura saiu do palco, enquanto a equipe retirava os equipamentos para a entrada da atração principal, o som do Pepsi On Stage reproduziu, com um belo vocal feminino, duas excelentes músicas do Dream Theater, "As I Am" e "Pull Me Under", que foram cantadas timidamente por alguns, a plenos pulmões por outros. A opinião que se ouvia ao meu redor era de que elas não estariam no setlist, por isso haviam sido usadas pra atiçar os presentes. Mas...
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As luzes se apagaram por volta das 22h, enquanto os telões eram configurados e uma música clássica irrompeu das caixas de som. Em instantes, o Dream Theater saudava os fãs e já engatava a primeira música, "A Nightmare To Remember". Ali, a poucos passos da grade, eu pensei que não seria fácil aguentar o show todo. Pior ainda, não seria fácil ver alguma coisa do show.
Antes do primeiro refrão eu já havia me convencido de que baixar os braços era uma tarefa possível apenas no intervalo das músicas, mas era perfeitamente possível ver Mike Portnoy atrás da bateria e John Petrucci, exatamente a minha frente, ferindo impetuosamente as seis cordas. Executada com maestria, a primeira canção do novo disco foi seguida por "A Rite of Passage", muito bem recebida, com um video muito bacana nos telões, combinando as imagens do videoclipe com animações. "Hollow Years" veio em seguida, beliscando o pé no freio, com LaBrie sentado num banco, uma boa pedida do famigerado "Falling Into Infinity".
Essas três primeiras canções eram esperadas, mas quando soou o riff de "Constant Motion" eu fui pego de surpresa, pois esperava algo mais antigo, como "Lie" ou "Mirror". Foi durante "Constant Motion" que senti as forças faltarem, a visão borrar um pouco, mas não passou de um breve susto. Me recuperei bem a tempo de ouvir "Erotomania", uma daquelas pérolas instrumentais que só o Dream Theater consegue compor. Como manda o script, a instrumental que abre a suite "A Mind Beside Itself" foi seguida pela parte dois, "Voices". Muitos dos fãs ao meu redor se calaram, uns poucos mais próximos da grade a cantaram com todas as forças.
Eu não pude conter a emoção (umas lágrimas chegaram mas não rolaram) quando o quinteto americano mandou "The Spirit Carries On", uma das minhas favoritas, letra e música em perfeita sintonia. Inebriado ao término de "The Spirit..", como se a música tivesse me trazido um merecido descanso, fui violentamente sacudido pelo petardo "As I Am", música excelente do "Train of Thought" e que se agiganta ao vivo. E como que desejando deixar uma boa impressão no primeiro show na capital gaúcha, o Dream Theater fez todo mundo cantar "Pull Me Under". Bem a caminho do final da canção o único hit da banda se tornou uma jam, com direito a duelo de Jordan Rudess e sua keytar contra John Petrucci, e foi parar na seção instrumental de "Metropolis Part 1", para que os presentes desfrutassem da virtuose de John Myung 'estappeando' o baixo. Ainda teve Petrucci arriscando as primeiras notas de "Sweet Child O' Mine", apenas para ouvir muitas vaias. A banda sai do palco com cem minutos de show e retorna logo em seguida para fechar a conta com a certeira "The Count of Tuscany", que ganhou algum tempinho extra no solo, totalizando extasiantes 22 minutos.
O espetáculo como um todo teve alguns probleminhas, com o telão principal, o vocal bem baixo durante breves momentos, a contenção de gastos com baquetas e palhetas. Mas houve tudo que se esperava de um show do Dream Theater: o duelo de Jordan Rudess com sua versão animada, uma pequena jam com Rudess tocando a intro de "Octavarium", um solo bárbaro de John Petrucci... Elogiar o desempenho dos Dream Theater como músicos é desnecessário, mas James LaBrie merece uma menção. Interpretou de forma certeira todas as canções, conseguindo rivalizar com a presença de palco de Petrucci e Portnoy. É torcer para que os músicos tenham gostado do show tanto quanto os fãs, para que, na próxima turnê, se repita a dose.
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