Doogie White: O cara certo, nos lugares errados
Resenha - Doogie White (Teatro Odisséia, Rio de Janeiro, 07/03/2010)
Por Vitor Bemvindo
Fonte: Mofodeu
Postado em 10 de março de 2010
(Co-autoria de Luiz Felipe Freitas)
O talento de Doogie White como vocalista é inegável. Mas parece que o sujeito tem uma incrível ligação com a Lei de Murphy. Ele parece ser sempre o cara certo no lugar errado. White ficou mais conhecido em 1994 quando foi convidado por Ritchie Blackmore (que havia deixado o DEEP PURPLE pouco tempo antes) para integrar uma nova encarnação do RAINBOW. Ele até conseguiu se destacar, mas o álbum "Stranger in Us All" (1996) foi um verdadeiro fracasso de público e principalmente de crítica. Um pouco antes, Doogie White havido sido chamado para fazer uma audição com o IRON MAIDEN, o resultado foi também desastroso. A banda, ícone do Heavy Metal britânico, preferiu ficar com o questionável Blaze Bayley. Com isso, o evidente talento de Doogie White ficou restrito aos que conheceram (e na maioria das vezes gostaram) do seu trabalho com o CORNERSTONE.
Na noite do último domingo, no Rio de Janeiro, Doogie White parecia mais uma vez estar no lugar errado. Pouco mais de cem pessoas (ou testemunhas) estiveram presente no Teatro Odisséia para o show do vocalista na Cidade Maravilhosa. Que a cena rock/metal no Rio de Janeiro está decadente há algum tempo, não é novidade para ninguém, mas mesmo sabendo que não teríamos um bom público nesse show, podemos dizer que ficou abaixo do esperado.
Apesar disso, Doogie White pareceu não se importar com o pequeno público, interagindo bastante com a platéia, com muito carisma e simpatia, reforçado pelo fato de ele estar comemorando seus 50 anos junto de poucos, mas fiéis admiradores do seu trabalho.
Contando com uma competente banda de apoio formada pelos brasileiros Bruno Sá (teclado e backing vocal), Leonard Pagani (bateria) e Daemon Ross (guitarra) e o gringo Andy Robins no baixo, Doogie iniciou sua apresentação por volta das 22:15, com "Sportlight Kid", da época de Joe Lynn Turner no Rainbow. Daí tivemos a certeza de que ouviríamos clássicos de toda a carreira do Rainbow, principalmente da era Ronnie James Dio. E foi o que aconteceu nas próximas duas músicas: "Too Late For tears" e "Long Live Rock 'n' Roll". Impressionante como a primeira soa muito melhor ao vivo, do que no álbum Stranger in us all.
Do Cornerstone rolou a pesadíssima "When the Hammer Falls" e "Wounded Land", do aclamado álbum Human Stain. Na sequência, "Razor Eater", a única representante de seu trabalho com Yngwie Malmsteen e "Come Taste the Band", uma prévia do seu vindouro trabalho solo.
Voltando aos seus tempos de Rainbow, "Wolf to the Moon" e "Ariel" serviram para animar um pouco mais o público, antes da seqüência "Rulers of the World" e "Manic Messiah", do EMPIRE.
Antes de encerrar o set regular, mais duas de sua época no Rainbow: "Black Masquerade" e "Hall of the Moutain king". No bis, "Gates of Babylon" que já havia sido pedida pela platéia, e que serviu como uma homenagem a Ronnie James Dio, como Doogie contou após o show em exclusividade para o Mofodeu. De posse do setlist, vimos que ele encurtou o show, limando a última música, que seria "Singing Alone" (do Cornerstone). O motivo você confere em breve na mini-entrevista que realizamos.
Enfim, um show que atendeu as expectativas do público presente, com boas músicas, uma bela atuação de Doogie White com seus 50 anos e uma banda de apoio bem ensaiada.
Conhecendo sua carreira e agora o assistindo ao vivo, ficamos com a impressão de que talvez Doogie White merecesse uma carreira mais bem sucedida, com maior reconhecimento do grande público, mas de qualquer forma, Doogie White tem um currículo que impressiona, pela qualidade de sua voz, suas músicas e a quantidade de músicos talentosos que o acompanharam ao longo da carreira.
Confira algumas fotos do show.
Ouça todas as participações do Rainbow no MOFODEU:
http://www.mofodeu.com/?tag=rainbow
Em breve, no MOFOBlog (www.mofodeu.com/blog) e aqui no Whiplash!, a mini-entrevista exclusiva de Doogie White para o MOFODEU.
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