Heaven & Hell: cobertura do show no Mofodeu
Resenha - Heaven & Hell (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 17/05/2009)
Por Vitor Bemvindo
Fonte: MOFODEU
Postado em 24 de maio de 2009
"Geezer and the Threes Wops" foi como ficou conhecida a formação do BLACK SABBATH após o lançamento disco "Mob Rules", de 1981. Wop é um termo pejorativo que faz referência à ascendência italiana de Tony Iommi, Ronnie James Dio e Vinny Appice, que acabara de entrar na banda. Na noite do último domingo, os carcamanos, juntamente com seu amigo Butler, estiveram no Rio de Janeiro, desta vez sob o nome de HEAVEN & HELL.
O nome é mero detalhe, mas o fato é que a banda que se apresentou na Cidade Maravilhosa fez história no Heavy Metal. O que hoje chamam de Heaven & Hell, no começo dos anos 80, revitalizou a vida do grupo mais importante do rock pesado. Por isso, nós do MOFODEU, nos recusamos a chamar a reunião de Butler, Dio, Iommi e Appice de outro nome que não seja Black Sabbath.
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Boa parte dos presentes pareciam compartilhar da nossa opinião e, mesmo antes de começar o show, gritavam em uníssono: "Sabbath, Sabbath, Sabbath...". O público não lotou a casa, mas pode-se dizer que estava com uns 70% da lotação total, o que é surpreendente para shows de rock no Rio, que andam bem vazios.
Quando a introdução "E5150" foi irrompida pelo pesado som da clássica da Gibson SG de Tony Iommi, nenhum dos presentes duvidaram que estavam realmente diante do Sabbath. O riff de "The Mob Rules" foi a senha para que todos fossem à loucura e começassem a cantar junto com o gigante de um metro e meio, Ronnie James Dio.
Apesar do som sempre um pouco "embolado" do Citibank Hall, o público seguia os mestres do Heavy Metal. Quando Dio entoou os primeiros versos de "Children of the Sea", iniciava-se a demonstração do talento de uma das grandes vozes do rock. Um dos clássicos do disco "Heaven and Hell" (1980), a canção tem grande apelo quando tocada ao vivo. Trata-se de uma composição típica de Dio no Sabbath, uma introdução lenta com vocais melódicos, para depois a entrada de um riff avassalador de Iommi.

Em seguida veio a boa "I", do disco "Dehumanizer" (1992), sem dúvida uma das melhores faixas do disco que marcou a primeira reunião do Sabbath com a formação atual. A interpretação ao vivo é ainda mais empolgante e já vinha sendo tocada por Dio em suas últimas turnês em carreira solo.
"Bible Black" foi a primeira canção do novo álbum, "The Devil You Know", executada no Rio. A canção também é o primeiro single do disco e foi muito bem recebida pelo público que, em boa parte, já conseguia acompanhar a letra, em especial o refrão.
Uma das inovações da turnê de 2009 foi a introdução de "Time Machine" no set list da banda. A música, lançada originalmente no "Dehumanizer" (1992), veio acompanhada de um solo de bateria curto (como todos deveriam ser) e honesto de Vinny Appice. O menos conhecido dos carcamanos do quarteto tem feito com honradez as vezes nas baquetas do Sabbath, sempre que solicitado. Mas é evidente a diferença de talento e carisma entre Appice e o batera original do Sabbath, Bill Ward. Sem dúvida a ausência de Ward foi sentida por muitos dos que foram ao show.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "Time Machine" é uma das boas músicas do bom e descriminado disco "Dehumanizer", porém, não há dúvidas que canções do mesmo álbum como "TV Crimes" ou "Computer God" teriam melhor aceitação, por serem mais conhecidas.
A apresentação de novos temas se seguiu com "Fear", sem dúvida uma das mais interessantes do novo trabalho. O ineditismo da canção fez com que o público não se empolgasse muito, apesar da levada agitada e bom riff.
Seguiu-se a excelente "Falling Off the Edge of the World", música do "Mob Rules" (1981), que tem o DNA das composições de Ronnie James Dio. Ela segue a receita de introdução lenta e vocais melódicos interrompidos pelo peso dos riffs de Iommi. Apesar de não ser tão conhecida como outras que também seguem a receita como "The Sing of the Southern Cross", trata-se de uma das melhores canções da Dio Era no Black Sabbath, principalmente por não ser tão arrastada como a citada. Praticamente um épico. Impossível não bater cabeça ouvindo o riff dessa música. Um dos pontos altos do show.

O interessante é que um dos pontos altos veio seguido do ponto baixo, a nova e chatíssima "Follow The Tears". A escolha da faixa foi extremamente infeliz. Dá uma impressão equivocada do novo disco, "The Devil You Know", que tem boas canções como "Eating the Cannibals" (que funcionaria muito bem ao vivo), "Rock and Roll Angel" ou outra das boas canções do disco. O estilo arrastado ao extremo e o refrão repetitivo e pegajoso de "Follow The Tears" não honram as tradições da banda.
Quando o suplício terminou o público foi recompensado com um dos maiores clássicos do Black Sabbath, em especial da Dio Era, "Die Young" do "Heaven and Hell". Dúvido que algum dos presentes conseguiu manter os pés no chão durante os pouco mais de cinco minutos desse maravilhoso tema, que foi introduzido por um solo do mestre Iommi.

Em seguida veio o momento em que todos esperavam: os gritos de "ô, ô ô ô... " introduziram a canção que dá nome a nova encarnação da banda: "Heaven and Hell". Impossível não se emocionar com aqueles acordes, em especial a clássica linha de baixo, tocada magistralmente pelo mestre Geezer Butler. Os dedos frenéticos da mão direita de Butler pareciam agitar ainda mais o público. O único problema foi a versão por demais estendida da música, que a torna um tanto quanto cansativa. A canção mais que dobrou de duração, entremeada por solos de guitarra e pelo grande Ronnie James Dio que convidou diversas vezes os presentes a entoar juntos a canção. Bom demais, mais podia ser mais curto, dando espaço para colocar mais canções no set. Mas não dá pra reclamar muito, pois a música é o carro-chefe da banda.

A banda deixou o palco sob fortes aplausos, para voltar, minutos mais tardes, com mais uma novidade da atual turnê. Eles tocaram alguns minutos de mais uma ótima música do excelente álbum "Mob Rules", de 1981: "Country Girl". Excelente, pena não tocar inteira. Talvez se tocassem alguns minutos menos em "Heaven and Hell", desse para tocá-la na íntegra.
"Country Girl" fez parte de um medley que encerrou o show com mais um clássico: "Neon Knights", o petardo que abre o álbum "Heaven and Hell" (1980). Todos pularam a exaustão e foram embora com a sensação de ter presenciado um dos grandes espetáculos da nata do som pesado.
Os pontos fracos não foram capazes de prejudicar uma apresentação história dos mestres do Heavy Metal. Uma aula de Rock and Roll com muito peso e talento. O talento do grande fabricador de riffs, Tony Iommi, os frenéticos dedos de Geezer Butler, a presença de palco inigualável de Ronnie James Dio e a competência de Vinny Appice formam uma perfeita combinação que pode ser chamada do que quiser. O que importa é que eles sempre levarão a diante o legado do bom e velho Black Sabbath.
No link abaixo, fotos, vídeos e dois programas especiais inspirados na vinda do Heaven & Hell.
Outras resenhas de Heaven & Hell (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 17/05/2009)
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