Almah: Um show de metal num teatro de arena
Resenha - Almah (Teatro de Arena, Maceió, 02/12/2008)
Por Amanda Nascimento
Postado em 28 de dezembro de 2008
Noite de terça-feira, 02 de dezembro de 2008, em Maceió, capital de Alagoas. Quem diria que este seria um dia de metal? Pois no Teatro de Arena, anexo ao Teatro Deodoro, o mais clássico da cidade, começaria um bom show de metal: Almah.
No pátio do teatro, mais de 100 pessoas, esperançosas e ansiosas, aguardavam o início do show. "Eu fico imaginando como vai ser esse show dentro do teatro", diz a estudande Daniella Yezzy, fã da banda. Realmente, não é sempre que acontece um show de metal não-acústico dentro de um teatro de arena. Mas, ao se abrirem as portas do teatro, a idéia do show vai tomando forma. Os fãs se acomodam nos bancos acolchoados e vez ou outra escuta-se o comentário "Assim é que é bom ver show de metal". Pelo espaço ser pequeno (capacidade para 180 pessoas) e em formato de arena, qualquer ângulo era bom para ver as bandas em ação.
Às 19h30min, são dados alguns avisos de não subir no palco e evitar baderna para que o show ocorresse tranqüilo. Então, começa a banda de abertura, Satisfire. Vinda do Paraná, é uma banda de trash metal industrial que já compartilhou um show com Andreas Kisser, do Sepultura, e trabalhou com Ricardo Confessori, do Shaaman, na produção de seu primeiro álbum, "Brutal Anthropy". A banda é formada por Daniel Gonzales (vocal), Estevão Zeni (guitarra), Anderson Ferreira (baixo) e Alexandre Küster (bateria). Muita força, instrumentos pesados, vocais guturais em um show energizante. O destaque vai para os covers de "Painkiller", do Judas Priest, "Battery", do METALLICA, "Back in Black", do AC/DC e para a última música, que contou com um amigo da banda tocando alfaia (instrumento utilizado principalmente no Maracatu, mas também em Coco-de-roda e Ciranda), fazendo uma homenagem ao Nordeste. Em relação a esta última música, eu gostaria de deixar registrado: metal com influências de música brasileira funciona muito bem. Bandas, explorem isso!
Terminado o show de abertura, o pano de fundo do Satisfire é substituído pelo do Almah e, aos gritos do público, entram no palco Paulo Schroeber (guitarra), Marcelo Moreira (bateria), Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa (guitarra) e Eduardo Falaschi (vocal). "Birds of prey", a primeira música do recente álbum "Fragile Equality", alegra a todos que estavam ansiosos para ouvir as primeiras notas do Almah. Intercalando músicas do "Fragile Equality", com as do primeiro álbum, homônimo ao nome da banda e, também, com algumas do repertório do Angra, o grupo apresentou um set-list muito bom que envolveu o público e o manteve agitado por cerca de uma hora e meia de show, apesar de, em boa parte do tempo, o público tentar se manter sentado, o que foi um pouco engraçado, merecendo um comentário de que era estranho, pelo próprio Edu Falaschi.
As músicas do álbum Almah, "King", "Scary Zone", "Children of Lies", e "Breathe", deixaram a platéia um pouco mais calada, enquanto as do novo álbum e, principalmente, as do Angra, puxaram as vozes do público em coro. A famosa "Bleeding Heart", do Angra, fez a todos cantarem, incentivados por Edu Falaschi que pedia a todos que o acompanhassem, principalmente as meninas, que, de acordo com ele, gostam mais da canção. As músicas do "Fragile Equality" geralmente eram precedidas de comentários. "Magic Flame" está fazendo muito sucesso no Japão; já "Torn", funciona muito bem com fãs brasileiros. A música "All I Am" faz parte do set-list original da turnê, mas foi tocada pela primeira vez em Maceió, a platéia do show de Salvador não pôde conferi-la ao vivo. Do novo álbum ainda foram tocadas "Beyond Tomorrow", "You'll Understand" e "Fragile Equality".
O ápice do show foi a música "Nova Era", do repertório do Angra. "Nesta música, geralmente, eu não preciso cantar, porque todo mundo canta mais alto que eu", diz Edu. E quando os primeiros acordes soaram, isto foi confirmado. O público cantou em coro, muito alto, junto com a banda e já, há um bom tempo, não tinha mais como ninguém permanecer sentado nos bancos acolchoados do teatro. Com esta última música eles quase se despediam, se não fossem os gritos de "BIS!", que foi feito em grande estilo. Eles retornaram ao palco chamando alguém da platéia para cantar com eles "Run to the Hills", do IRON MAIDEN. Subiu ao palco, mostrando que tinha poder na voz, Henrique Marques, vocalista da banda alagoana de Heavy/Trash Metal "Raiser". Nesta hora, não se sentia mais a relação fãs e banda, mas sim de amizade, com todos em pé ao redor do palco, agitando e cantando.
Durante a apresentação, fora a equalização do microfone de Edu Falaschi, que estava baixa em algumas músicas e da iluminação, fraca em alguns momentos, tudo correu muito bem. Ao fim do show, as bandas, Satisfire e Almah, venderam CD's, tiraram fotos e distribuíram autógrafos. Um grande parabéns a Paranoid Rock, que trouxe as bandas para Maceió, com uma boa produção e profissionalismo. E que venham os próximos!
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