Epica: show histórico e inesquecível no Espírito Santo

Resenha - Epica (Ginásio do Marista, Vila Velha, 21/09/2008)

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Por Léo Pinto
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Domingão, noite fria e nublada em Vila Velha, ameaçando chover... o melhor a se fazer é tomar um bom banho quente, vestir o pijamão agasalhado, calçar as pantufas e ir pra internet ou sentar no sofá e assistir TV, se preparando para mais uma segunda-feira de trabalho, certo? ERRADO!!!! Tem metal sinfônico em terras capixabas, direto da Holanda, com todo o peso e a melodia do Epica. Aos poucos, a região da Grande Vitória vai entrando no, até então, restrito circuito de shows internacionais de peso, depois de receber a visita de Scorpions e Deep Purple.

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A banda desembarcou no Aeroporto da capital Vitória por volta de 7h da manhã, bastante cansada, e foi recepcionada por vários fãs, inclusive na chegada ao hotel. Quem esteve lá pôde ver um atencioso e bem-humarado Mark Jansen, guitarrista e responsável pelo vocal gutural, que ainda arriscou andar na areia da praia em frente ao hotel, antes do merecido descanso...

Cai a noite e do lado de fora do Ginásio do Colégio Marista, ao mesmo tempo em que os céus ensaiam algumas gotas de chuva, ouve-se os primeiros acordes da passagem de som. Perfeitamente nítido e tal qual os álbuns: o Epica estava realmente por aqui. Ao longe, a voz perfeita de Simone Simons ecoa pelas dependências do colégio e pelos ouvidos privilegiados de quem estava na fila aguardando a hora do concerto. Lá dentro, os decibéis que vinham da mesa de som já davam o tom do que estaria por vir. Slipknot, Nightwish, AC/DC, Evanescence, Pantera, Iron Maiden, Metallica e outras maravilhas aquecem os tímpanos dos fãs sedentos pelo bom e velho som pesado.

Fim da agonia: Mark Jansen (guitarra e guturais), Ad Sluijter (guitarra), Yves Huts (baixo), Coen Janssen (teclados) e Arien van Weesenbeek (bateria), entram em cena com apenas 20 minutos de atraso ao som da intro "Indigo". Após um "Boa noite, tudo bem? Nós somos Epica", vociferado por Mark num bom e impressionante português, a sinfonia começa "The Obsessive Devotion". Depois do instrumental inicial da música, entra em cena Simone Simons (vocal mezzo-soprano), ainda não totalmente recuperada de diversas cirurgias pela qual passou para tratar uma doença originada por uma bactéria. A prova disso é que de repente, Simone some do palco e fica por vários minutos no backstage, de onde inclusive cantou parte da primeira música.

Mas ela volta com todo o gás para dar seqüência com "Sensorium", seguido da fantástica "The Last Crusade" que, aliás, não foi tocada no show de São Paulo, lembrando que Vila Velha no Espírito Santo e a capital paulista foram as duas únicas cidades incluídas na The Divine Brazilian Tour 2008.

O show prossegue com os acordes no estilo medieval de "Quietus" e no estilo árabe de "Fools Of Damnation", que dão mostras do sincretismo musical que a banda consegue fazer tão bem. Aliado a tudo isso, tem o som épico e viajante de "Cry For The Moon" e o show à parte de Simone e Coen em voz e teclados na emocionante "Solitary Ground", onde ela prova que é uma das vozes femininas mais poderosas do metal.

Hora de Simone se retirar para dar um descanso para a voz e a banda nos dar um presente gutural com "Crystal Mountain", cover muito bem tocado do Death. A ruiva volta com as baterias recarregadas para encantar em "Seif Al Din" e "Facade of Reality", cheia de altos e baixos levando os expectadores ao delírio. Em "Chasing The Dragon", os instrumentais ficam em segundo plano para dar espaço à voz de Simone, mas voltam com força total para "The Phantom Agony", uma das melhores na minha opinião.

A banda se despede mas volta para o bis com a excelente "Sancta Terra" e fecha com chave de ouro com "Consign To Oblivion" quando todos são convocados a levantar as mãos e bater palmas no ritmo da música. Sem dúvida nenhuma, quase duas horas de um show histórico e inesquecível.




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Sobre Léo Pinto

Capixaba de Vitória, historiador, guia de turismo, fanático por metal, hardcore, punk, rock e todas as suas vertentes, desde 1981 (sim, tenho cabelos e cavanhaque grisalhos, e daí? hehe). Sempre às ordens para resenhar sobre shows, acompanhar bandas em visita à minha cidade e prestar assessoria à imprensa.

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