Ozzy Osbourne: Após quase 13 anos, a volta do competente Madman
Resenha - Ozzy Osbourne (Palestra Itália, São Paulo, 05/04/2008)
Por Juliano Henrique Dantas
Postado em 08 de abril de 2008
Mais um grande show em São Paulo. E, como já era de se esperar, até a meia-entrada estava bem cara. Vou começar dessa vez fazendo algumas ponderações. Não se pode reclamar quando o assunto é entretenimento nessa cidade. Na sexta-feira que passou o Rod Stewart tocou no mesmo estádio do show do Ozzy. A nova versão do Doors está para rolar essa semana, o Skatalites toca duas noites numa casa pequena (Inferno Club) e com ingressos esgotados na segunda (7) e terça, além da Virada Cultural que acontece nos dias 26 e 27 de abril de graça (oh!) com presenças memoráveis – até o Paul Di’anno vai pousar por aqui esse mês.
Ozzy Osbourne - Mais Novidades
No mês passado teve o Iron Maiden. Teve também Dream Theater. Ah – sem esquecer o Bob Dylan e dos preços "justíssimos" praticados nos shows dele ou de qualquer outro artista de peso internacional. Haja bolso para bancar uma balada em São Paulo. Boas opções ultimamente não faltam. Mas, reparei também que em outros estados ou cidades desse Brasil, existe um pouco mais de justiça (ou não) na cobrança de um ingresso. Mas isso é outra discussão. É melhor deixar para lá por enquanto.
O fato é que Ozzy Osbourne voltou ao Brasil após quase 13 anos, junto de sua excelente banda para mostrar aos fãs que o velho louco está vivo, de pé, correndo, jogando baldes d’água, molhando as pessoas e ainda fazendo escola quando a matéria é rock and roll – e pesado, de preferência. Quem viu esse fanfarrão tocar alguma vez no país (e é provável que alguém que viu no Rio em 85 ou em Sampa em 95 leia essa resenha) sabe ou faz uma idéia do que esperar após todo esse tempo. Canções novas? Sim, algumas legais do disco lançado no ano passado, o "Black Rain".
O tempo passa, ao final de contas. Do "Under Cover" (2005), "Down To Earth" (2001) ou "Ozzmosis" (1995) nada. Já o recorde de vendas "No More Tears" (1992) não podia faltar. Tocaram logo quatro boas músicas – a homônima ao álbum, "Road To Nowhere", "I Don’t Want To Change The World" e "Mama I’m Coming Home". Assim o público fica feliz.
Difícil mesmo é fazer um set list depois de 40 anos de serviços prestados ao rock. Vamos voltar um pouco no tempo e relembrar do Black Sabbath. "War Pigs", "Iron Man" e "Paranoid". O segundo disco do Sabbath é uma pérola que foi lançada em 1970 e sobrevive ao tempo. Como não tocar essas músicas para quase 40 mil fãs? Desde que saiu do Sabbath e fez sua bem sucedida e talvez mais ‘estável’ carreira nas décadas de 80 e 90, o Ozzy sempre fez questão de não esquecer delas – embora leia todas as letras numa tela desde o início dos anos 90. Fritou o cérebro diversas vezes nesse longo período, ilustres leitores. Gravou até reality show da MTV. Ou pelo menos, o velho Ozzy tentou. Ele faz 60 (!) esse ano.
O guitarrista preferido dele, Zakk Wylde, sempre esteve por aí e compôs a maior parte de tudo o que é mais ‘novo’ do Ozzy. Entrou em 1987 na banda e só não tocou nos shows entre 94 e 97. Zakk é fã assumido de Randy Rhoads, que deu o pontapé inicial com o Ozzy em 1980 na sua carreira solo, gravou dois álbuns e compôs as clássicas "Mr. Crowley", "Crazy Train", "I Don’t Know" e "Suicide Solution".
Randy teve essas obras relembradas pelo ‘pupilo’ Zakk Wylde com um pouco mais de vigor e distorção no Palestra Itália em 2008. Não posso esquecer de comentar que o Black Label Society fez um bom esquenta para o Ozzy e para o público que aguardava. Os solos são intermináveis, mas é bacana. Até o Korn que tocou na sequência, vejam vocês, surpreendeu. Pelo menos grande parte dos presentes sabia direitinho as músicas e bateu cabeça junto.
Para completar a banda do Ozzy Osbourne, Mike Bordin (do falecido Faith No More) na bateria, Rob ‘Blasko’ Nicholson no baixo e Adam Wakeman nos teclados. No caso do tecladista, toda semelhança não é mera coincidência pelo seu sobrenome. Ele é filho do Rick Wakeman, que fez algumas participações e composições no Black Sabbath e agora vê seu aprendiz reproduzir parte disso ao vivo com as duas bandas. Muito bem Júnior. E parabéns para todos que ainda estão aí acompanhando o madman nessa loucura toda. Isso é uma coisa que o Ozzy sabe fazer bem: revelar talentos. E também socorrer bandas que desaparecem, botando para tocar no Ozzfest ou em turnês menores.
Na minha opinião, o saldo desse show foi muito positivo. É lindo ver um estádio inteiro cantar todas as músicas com tanta empolgação. O Ozzy fazia "olê, olê, olê, olê" e todo mundo respondia. Fazia uma graça como "I still can’t fucking hear you", pedia para as pessoas responderem e todo mundo urrava, batia palmas, pulava e ria. Ou seja, diversão garantida para quem foi lá ver o velho louco. Nas primeiras músicas, com acesso ao espaço bem em frente ao palco reservado à imprensa e longe do tumulto, eu, os bombeiros, seguranças e a própria produção levamos alguns baldes d’água na cabeça que o Ozzy não parava de jogar. E o insano apontava para gente, jogava a água, batia palmas e ria. E eu ria também. Não tem outro jeito. Ele é louco mesmo, gente.
Imagino que ninguém questionou o preço dos ingressos, da cerveja, refrigerante ou do hot dog ao final da bagunça. Valeu cada centavo para quem estava na área VIP ou na arquibancada. O som estava bem legal e não frustrou ninguém. A performance da banda é ótima, a escolha das músicas também. É lógico que poderiam ter tocado uma meia hora mais (o show do Ozzy demorou 1h40). Mas valeu. O Ozzy prometeu que não vai ficar mais tanto tempo longe daqui e ainda espero vê-lo uma terceira vez (tive a sorte de ir no Monsters Of Rock de 1995). Será que ele cumpre, lança mais um CD e aparece aqui? Vamos ver. O que é certo é que o madman está de volta e quase saindo dos trilhos num trem louco. Ainda bem!
Set list (idêntico ao do Rio Arena):
Intro – vídeos com paródias e depois um trecho de Carmina Burana
I Don’t Want To Stop (2007)
Bark At The Moon (1983)
Suicide Solution (1980)
Mr. Crowley (1980)
Not Going Away (2007)
War Pigs (1970)
Road To Nowhere (1992)
Crazy Train (1980)
Solo do Zakk Wylde
Iron Man (1970)
I Don’t Know (1980)
No More Tears (1992)
Here For You (2007)
I Don’t Want To Change The World (1992)
Mama I’m Coming Home (1992)
Paranoid (1970)
Outras resenhas de Ozzy Osbourne (Palestra Itália, São Paulo, 05/04/2008)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda que a polícia chamava de "inimiga número um da família brasileira"
Os seis países onde o Iron Maiden fez apenas um show durante toda a carreira
Aerosmith anuncia dois shows em Hollywood com uma série de convidados
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
Quando Brian May mandou uma mensagem para o Metallica; "Isso aquece meu coração"
A música de 1968 dos Beatles que é a pior de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
Iron Maiden e Megadeth juntos na América do Sul? Eis o que Dave Mustaine diz
O álbum que recolocou a carreira de Ozzy Osbourne de volta nos trilhos
Quando o Pink Floyd ganhou 300 milhões de dólares ao ignorar ideia de Roger Waters
A "banda country" com quem Bruce Dickinson excursionou pela Europa
Van Halen sinalizou "o fim do rock como o conhecíamos", segundo Slash
A música gravada pelo Slayer que Kerry King odeia
O significado da palavra escrita igual em inglês e português que Fernanda Lira usou na Crypta
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
Responsável pela mixagem de "...And Justice for All" considerou "estúpido" limar o baixo
Tony Iommi revela seu álbum favorito do Deep Purple; "uma música clássica após a outra"
A canção do Pearl Jam que é adorada pelos fãs e que foi "roubada" de Stevie Ray Vaughan
Luis Mariutti, ex- Angra, conta sobre atritos entre Andre Matos e Rafael Bittencourt


Pastor que "inspirou" Iron Maiden, Genesis e Ozzy Osbourne morre aos 86 anos
Rudy Sarzo sobre Rhoads x Van Halen: "Pessoas não sabem diferença entre opinião e fato"
"I Ain't No Nice Guy" do Motörhead é ilustração de uma fase de amadurecimento e arrependimentos
O rockstar que Ozzy Osbourne considerava o "meu Deus do rock"
A banda que abriu caminho nos EUA antes de Def Leppard e Iron Maiden
Disco de Peter Frampton mudou a vida de Gus G., guitarrista do King Diamond
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
Black Sabbath tentou compor disco nos anos 2000, mas não rolou
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



