Cannibal Corpse: Uma noite de massacre memorável em Campinas
Resenha - Cannibal Corpse (Hammer Rock Bar, Campinas, 09/10/2007)
Por Glauco Silva
Postado em 06 de dezembro de 2007
Em mais uma noite de casa lotada, o interior paulista mostra mais uma vez a força do metal extremo fora do circuito das grandes capitais. Também, não era pra menos: uma das lendas vivas do estilo, o Cannibal Corpse (pela 3ª vez no Brasil) se apresentava com duas aberturas à sua altura em nível de técnica e brutalidade.
Fotos: Eduardo Tonolli e Salua de Moura
Os cariocas do Coldblood, veteranos de nosso underground, escolheram Campinas para o show de lançamento de seu debut, o fora-de-série "Under The Blade I Die" (que por enquanto só tem edição estrangeira). Aparentaram um pouco de nervosismo no início, com a faixa que dá título ao álbum, mas ao fim do 3º som já tinham o público conquistado com seu death cheio de variações: o trio vai de um brutal quebra-ossos a cavalgadas com um fortíssimo cheiro de old school.
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A execução ao vivo de coices como "Anti-Crusade (To Destroy The Holy Graal)" e "I Am The Crucifier One" chega a impressionar pela potência vocal de Allan e a fidelidade ao que escutei de estúdio, mas a pista vira mesmo um palco de batalha no corretíssimo cover da clássica "Fear Of Napalm", do Terrorizer - sem contar o Sodom ("Ausgebombt") que mandaram pouco antes! Devido a problemas com o baixo do Vitor (comentou que há anos não passava por isso, mesmo com tanta estrada no finado Mysteriis e no Darkest Hate Warfront), infelizmente o set teve de ser encurtado... uma pena - mas a missão estava cumprida, e com louvores.
Estava ansioso pra rever o Queiron ao vivo: já tinha visto outras duas há um bom tempo e, confesso, sem dar muita atenção - mas depois que conheci bem todo o material da banda, virei um grande admirador de seu brutal death. A casa já começava a ficar apertada tal qual a situação dos músicos, pois o praticável de bateria foi montado entre as guitarras, bem na frente do palco - a meu ver, uma exigência da produção desnecessária e que prejudicou claramente as bandas de apoio, em especial esta última por ser um quarteto.
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Interpéries à parte, os caras simplesmente mataram a pau. Consegui chegar na frente do palco esperando "Fire Ostentation", "Blind Devouts", "The March Of Crucifiers" mas nada: a (ousada, aliás) estratégia foi basear seu set mais em sons novos, que saírão no novo petardo (que já está sendo gravado) pelo selo americano Butchered. Na imensa maioria das vezes que isso ocorre a gente presencia um desastre, mas hoje acabou dando certo única e exclusivamente pala gritante qualidade do que nos foi apresentado.
Só uma das faixas apresentadas (a grande "Summon Sacred Vengeance") era mais conhecida, mas o resto foi de uma violência e técnica tão ignorantes (no bom sentido) que impressionou até mesmo mister Alex Webster, segundo entrevista deste à Metal Attack. "Enslaved by Commandments", "Fornication of the Heavenly" e a já conhecida "Evil Domain Prevails", com seu refrão urrado a plenos pulmões pela platéia, mostram que Marcelo, André, Thiago e Oscar vão parir algo realmente medonho no próximo play. Saíram da arena plenamente vitoriosos e ovacionados!
Os maníacos do Cannibal Corpse sobem ao palco escuro na maior tranqüilidade, enquanto o público se acotovela e inquieta. Mandam logo de cara "Unleashing the Bloodthirsty" e o massacre se inicia... "Murder Worship" e "Staring Through the Eyes of the Dead" abrem caminho para seu álbum mais clássico, com "I Cum Blood" - a roda de slam fica quase impossível de agüentar. Mais sons cultuados são executados com perfeição: "Put them to Death" e "Vomit the Soul" (que perde um pouco da graça sem o Glen Benton, convenhamos) são seguidos de sons mais recentes.
Creio que todos que assistiram ao Cannibal ao menos uma vez já comentaram isso, mas nunca é depois bater nessa tecla: é inacreditável a presença de palco do Corpsegrinder (que só pode ter um rolimã no pescoço) e o que o Alex faz no baixo. Uma aula, algo de dar medo mesmo o que esse demente faz nas quatro cordas. Rob Barret é um ícone no palco, dada sua carreira tanto no Cannibal quanto no glorioso Malevolent Creation, enquanto Pat O'Brien é mais frio e preciso nas 6 cordas. O Paul é sempre a mesma coisa: muito preciso e seguro, mas com pouca vontade de acelerar ou evoluir em suas porradas.
"Covered with Sores", "Born in a Casket", "I Will Kill You", o desfile de brutalidade segue sem parar, só dá pra respirar um pouco na mosheante "Pit of Zombies". O que todos queriam escutar vem na 17ª música: o verdadeiro hino "Hammer Smashed Face" ainda arrepia quando executado ao vivo, uma faixa que com certeza marcou toda uma geração de fãs extremos. E ainda deu tempo de rolar uma saideira - pra esmirilhar os pescoços de vez eles mandam "Stripped, Raped and Strangled", dando fim ao espetáculo de violência sonora que tivemos o privilégio de assistir.
Parabéns à equipe do bar pela postura profissional e mais um grande show proporcionado aos bangers do interior, confirmando ser nosso oásis de shows internacionais (e mais uma opção ao pessoal de São Paulo), e às bandas de abertura pela garra e nível técnico apresentados... só me resta um agradável pensamento na cabeça: como é bom termos aqui um pessoal que não deve nada à cena exterior em termos de criatividade e peso. Uma noite memorável e, com o perdão do trocadilho, absolutamente brutal.
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