Resenha - Claustrofobia (Jardim Botânico, Timbó, 10/11/2007)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Clóvis Eduardo
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.







Ninguém tinha dúvida de que o show do Claustrofobia em Santa Catarina seria dinâmico e com muita energia. Mas esses caras conseguiram fazer o resultado final ficar ainda mais insano.

Fotos por Makila Crowley

O Estado recebe os paulistas do Claustrofobia pela segunda vez, sem ter ao menos esquecido das dores no pescoço graças à passagem em 2001 em Guaramirim. Mas a volta não poderia ser em melhor estilo, pois após a consolidação de "Fulminat" (2005) uma verdadeira preciosidade do metal brasileiro, a fúria do quarteto está ainda mais em alta. Depois da turnê européia ao longo de quatro meses - passaram por Alemanha, Áustria, Holanda, Suíça, Bélgica e Polônia - nada melhor do que passar por Timbó no sábado (10 de novembro), para mostrar que as rodas e as dores no pescoço precisam continuar por muito mais tempo.

A organização do festival (92 Metal Fest - com apoio de uma Rádio local) levou o desafio de fazer uma festa à altura do que o Estado merece. Com boa estrutura de iluminação e som, o Salão de Eventos do Jardim Botânico não deixou nada a desejar e foi eficiente para comportar algo em torno de 500 pessoas. Mais felizes ainda foram os organizadores em diversificar o cast da noite que tinha ainda algumas bandas diferentes e relativamente "desconhecidas" para o público do Sul.

A surpresa foi grande desde o abrir da casa, com a apresentação de um quinteto feminino mandando ver no Heavy Metal tradicional. A banda Panndora mostrou muita energia no palco, com músicas próprias de incrível bom gosto e alguns covers. A impressão que ficou é que além de merecer participar da noitada metálica, elas sabem realmente colocar muita banda de marmanjo no chão. Uma boa revelação das meninas que vêm de Maringá (PR) e estão com um CD auto-intitulado já na boca do forno.

Ainda tão "desconhecida" para os catarinenses, Ariel n´ Caliban (SP), manteve o pique da banda anterior e colocou o pé no acelerador. O que sobrou foi Thrash Metal veloz, técnico e vigoroso, com destaque para a voz de uma jovem vocalista que faz o melhor estilo "Angela Gossow". A diferença é de que Taty Kanazawa agita dezenas de vezes mais do que a vocalista do Arch Enemy. Ariel n´ Caliban é outra banda promissora. E que novamente, a galera soube contribuir pelo espetáculo.

Mas a atração principal ainda estava por vir. Marcus D´angelo (guitarra e vocal), Alexandre De Orio (guitarra) Caio D´angelo (bateria) e Daniel Bonfogo (baixo) trouxeram de volta o Metal Malóka auto intitulado pelo grupo. Sem frescuras ou estrelismos, os quatro subiram ao palco e literalmente botaram fogo no show. Era clássico atrás de clássico e ninguém ficou parado, inclusive com a formação de algumas rodas. Foi mais de uma hora e meia de apresentação, envolvendo as principais composições do quarteto, desde as explosivas "Disorder and Decay", "Reality Show" e "Terror and Chaos". Houve tempo ainda para "Natural Terrorism", música nova e muito bem aceita pela turma que não aguentava mais esperar por "Paga Pau" e "Eu Quero Que Se Foda", cantada como hinos pelos fãs mais ardorosos.

O Claustrofobia além de muito eficiente na composição de suas músicas, exibe imensa técnica instrumental, sem deixar de agitar um minuto sequer no palco. Sem espaço para o cansaço ou baladas, chega a vez de "Beneath The Remains" do Sepultura. Cover que Caio colocou todo mundo pra balançar a cabeleira impulsionado pela velocidade no caixa, enquanto Alexandre e Marcus arrancam um dos riffs mais incríveis do Death Metal mundial. Daniel além de mandar bem no baixo, deixa um pouco da raiva para os backing vocals, fazendo o show ficar ainda melhor.

A parte final do show do Claustrofobia foi de tirar o fôlego. "Thrasher", música título do aclamado álbum de 2002 e a rápida Enemy fecharam a apresentação e fizeram reviver novamente a agitação que foi no show de 2001. Palmas para os paulistas, sempre muito sorridentes e simpáticos com os fãs, distribuindo autógrafos, tirando fotos e conversando com a turma antes e depois do show.

No entanto, o 92 Metal Fest ainda não havia acabado. Era tempo para a Perpetual Dreams (Blumenau - SC) mostrar que também mereciam atenção. Com alguma experiência em shows, o grupo trouxe o típico Heavy Metal melodioso e cadenciado para Timbó, com destaque para algumas músicas do CD “Arena” lançado em 2005. Em seguida, e até como um contraste, Lusferus (SP), trouxe Black Metal para quem ainda estava disposto a agitar tamanha velocidade instrumental e no vocal.

A última apresentação coube ao Vulkro, de São José (SC). Apesar do ritmo mais lento, não há dúvidas de que o grupo é extremamente caprichoso em seu Doom Metal. Outra banda formada por jovens revelações e que com certeza mostra que Santa Catarina tem do que se orgulhar do metal local.

Foi um ótimo festival, com bandas excelentes. Se o primeiro 92 Metal Fest trouxe Tuatha de Dannan, Claustrofobia foi a melhor escolha para 2007. Um show que dificilmente será esquecido, ainda mais pela qualidade das outras bandas que se apresentaram.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Claustrofobia"

Death MetalDeath Metal
Mais cinco álbuns nacionais que você deve escutar

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Claustrofobia"

CuriosidadeCuriosidade
Artistas que odeiam suas próprias músicas

HumorHumor
Quais são os rockstars mais chatos do mundo?

Beavis e ButtheadBeavis e Butthead
Como eles seriam se fossem reais?

5000 acessosNoisecreep: os 10 clipes mais assustadores do heavy metal5000 acessosPor pouco: 15 rockstars que quase partiram dessa para uma melhor5000 acessosHeavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 20095000 acessosSlash: O Grunge não incomodou o guitarrista5000 acessosBlack Sabbath: eu odiava aulas de música, diz Tony Iommi5000 acessosDoentio: Black Metal composto apenas com gritos de pacientes loucos

Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

Mais matérias de Clóvis Eduardo no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online