Bad Religion: Quem assistiu a banda não deve ter se decepcionado
Resenha - Bad Religion (Credicard Hall, São Paulo, 14/04/2007)
Por Alexandre Cardoso
Postado em 22 de abril de 2007
Quem saiu de casa no sábado à noite para juntar os amigos, tomar uma cerveja e curtir o show do Bad Religion no Credicard Hall não deve ter se decepcionado. Eles, que são referência para grande maioria das bandas de Punk Rock, visitaram mais uma vez nossas terras tupiniquins para um show sem firulas.
Texto e Fotos: Alexandre Cardoso (www.allfotos.fot.br)
Logo ao chegar ao local, deu pra perceber que o público seria bom: muita gente na rua tomando umas cervejas e jogando conversa fora. Do lado de dentro, a galera curtia o som vindo dos PAs e passava o tempo fazendo as famigeradas pirâmides humanas e dizendo ofensas ao pessoal do camarote – tradições seguidas à risca.
Pouco depois das 22h a banda sobe ao palco mandando logo de cara aquela que pode ser considerada a sua música mais conhecida por aqui, "American Jesus", cantada em uníssono pelo público, que estava tão alto que a má qualidade de som durante a primeira música passou despercebida. O som não mostrou grandes melhoras durante o decorrer do set, e digo que achei tudo num volume bem baixo, comparado a outros shows que já assisti no Credicard Hall. Realmente, a acústica lá não é das melhores.
Sem pausa, emendaram "I Want to Conquer the World" e na seqüência, "Let Them Eat War". O vocalista Greg Gaffin, vestido como se fosse um funcionário de escritório de contabilidade, troca as primeiras palavras com o público e agradece a presença de todos. O cara é muito simpático e divertiu-se durante todo o show, sem ficar parado por um momento.
O set-list colado no chão do palco, com mais de 20 músicas, mostrava que a banda veio para fazer um apanhado de sua carreira, já que o novo disco dos caras só sai em Julho. Tocaram inclusive um novo som, "Heroes and Martyrs", uma música típica do Bad Religion, boa para bater cabeça e bem rápida – pouco mais de um minuto de duração. Claro que o fã sempre reclama que falta uma ou outra música, mas a banda fez boas escolhas e o show manteve seu ritmo durante seus 70 minutos de duração.
O Bad Religion faz um show muito energético, e não se poderia esperar menos de tal banda. Músicas rápidas, sem virtuosismos, conhecidas da platéia e ótimas para extravasar. Os músicos realmente curtem o que fazem, e portanto fica difícil destacar uma perfomande individual, pois Greg Hetson (guitarra), Brian Baker (guitarra), Jay Baker (baixo) e Brooks Wackerman (bateria) realmente mostram a que vieram, pulando, correndo de um lado para o outro do palco, sempre instigando o público.
E apesar da ótima participação do público durante todo o set, não foram todos que agitaram sem parar. Da grade para o meio, a galera não ficou parada em nenhuma música, sempre levantando os braços, de punhos cerrados, "chifrinhos" com os dedos e cantando todas as letras. Do meio para trás, as pessoas estavam um pouco mais contidas, e só agitavam mesmo quando a banda tocava aqueles sons conhecidos, que ouvíamos nas - hoje praticamente extintas - rádios que tocam Rock.
"Los Angeles is Burning", "Recipe for Hate", "Anesthesia", "Epiphany", "No Control", só pra citar algumas, foram pontos altos da noite. O público gritava "Bad Religion, Bad Religion" e Greg Gaffin entrou no coro, mas dizendo palavras diferentes. Ele achou que estavam dizendo algo em português, e então pediu desculpas por não saber nossa língua. Mas levou pra casa uma bandeira do Brasil jogada no palco (entre tantas outras coisas jogadas no palco, como camisetas, faixas e CDs) e disse que iria pendurá-la na parede de seu quarto. Por mais que digam que isso é demagogia de artista gringo, duvido que quem toque por aqui não guarda uma lembrança ou um carinho muito grande pelo nosso país. Afinal, a gente entende de música boa.
Em mais uma passagem bem sucedida pelo nosso país, o Bad Religion mostrou como fazer um show eficiente, apesar do tempo reduzido, quando a música fala por si percebemos que isso é mais do que suficiente. Satisfação evidente por parte de banda e público. E se deixassem, Greg Gaffin ficaria um bom tempo agradecendo os fãs um a um por estarem nesse show.
SET-LIST:
American Jesus
I Want To Conquer The World
Let Then Eat War
21st Century (Digital Boy)
You
The Defense
Anesthesia
Infected
Supersonic
Prove It
Can't Stop It
Sanity
No Control
Epiphany
Los Angeles Is Burning
Struck a Nerve
Suffer
Recipe For Hate
Generator
BIS:
Heroes And Martyrs
Fuck Armageddon
Along The Way
Sorrow








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