Resenha - Angra (Canecão, Rio de Janeiro, 15/12/2006)

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Por Sylvia Helena D`Antonio
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Fazer um review de um show do Angra é sempre uma missão difícil, pois cria opiniões extremamente passionais, tanto do lado dos fãs, quanto do lado dos críticos, mas alguém tem que fazer o trabalho sujo, então vamos lá.

Sexta-feira, 15 de dezembro, às 20h30 o Canecão estava cheio, mas nada comparado ao último show do Angra nesta casa, onde nem espaço pra andar havia. Um público ansioso, e cheio de expectativas, embora o set que estava por vir tenha sido surpreendente para a maioria.

Às 22h pontualmente – aliás, ultimamente, os shows no Rio de Janeiro têm sido extremamente pontuais – começou a intro de “Unfinished Allegro”, subindo a cortina e iniciando o show com um cenário digno de dar arrepios aos fãs mais ardorosos. “Carry On” para primeira música foi uma escolha muito feliz sendo o show comemorativo de 15 anos, foi o primeiro “hit” da banda. Ela foi emendada com “Nova Era” (e foi uma alegria, pois evitou os “malas” pedindo essas músicas durante o show), o que faz muito sentido, pois foi uma música que marcou realmente a nova era de Edu Falaschi (V), Rafael Bittencourt (G), Kiko Loureiro (G), Felipe Andreoli (B), Aquiles Priester (D) e o músico convidado permanente, Fábio Laguna (K) em 2001 e foi muito bem sucedida desde então. “The Voice Commanding You” ficou bem legal ao vivo e, definitivamente, parece que o Edu encontrou sua forma mais confortável de cantar. Contudo deu uma esfriada muito cedo num público que estava cantando e pulando freneticamente. Poucas pessoas vibraram com a música, ou a conheciam. Depois, um breve discurso de agradecimento do Edu, o público vibrou com o anúncio de “Waiting Silence” que, como sempre, foi muito bem executada. Logo em seguida, “Wings of Reality” e “Z.I.T.O.”, marcando assim a presença dos álbum “Fireworks” e “Holy Land”, (muito mal representados por sinal – cadê “Carolina IV”??). O público estava bem dividido: “Wings of Reality” teve uma boa performance, mas não teve a mesma força e impacto que “Z.I.T.O.”. A intro de “Acid Rain” foi suficiente para fazer o Canecão pular unanimemente.

Um parágrafo aqui para comentar a presença de palco da banda: O Angra nunca foi uma banda cômica ou muito dinâmica e enérgica no palco, no entanto notou-se uma sensível melhora neste aspecto. Neste show talvez pelo aspecto comemorativo, e a alegria da ocasião o ânimo da banda era outro. Todos agitaram, e se movimentaram mais do que o costume. Destaques para o Edu, que melhorou muito sua performance e seus discursos, e para Kiko Loureiro, que agitava o tempo inteiro e movimentava-se muito, chegando até a correr (!!!) pelo palco.

Voltando ao show, “Angels Cry” sem dúvida foi muito comemorada. Nesta música vale ressaltar que o Edu melhorou muito e, claro, destaque para Fábio Laguna, que nunca decepciona. Em seguida, a última música deste primeiro set, a belíssima “Heroes of Sand”, que não deixou nada a desejar, destacando-se o solo final de Rafael.

Para surpresa da maioria, o show teve um intervalo para a montagem de um set acústico. Sim, o show comemorativo foi completo! Para os fãs da banda, foi um presente e tanto, para os headbangers mais “xiitas” foi uma quebrada violenta do show.

Agora, um parágrafo pessoal para falar do público: em todo show do Angra o público se anima a ser chato e inconveniente. Felizmente pararam com comparações entre Shaaman e André em corinhos, pois há alguns shows que não ouço essas bobagens. “Carry On” e “Nova Era” foram tocadas no início, e não havia o que mais fazer para testar nossa paciência, certo? Errado!!! Ainda tem “Saint-Seya”!!! (ou, o nome correto: “Pegasus Fantasy”). Deste momento em diante, este público não parou de encher o saco com isto!!! Eu me recuso a acreditar que “"Pegasus Fantasy” seja uma música melhor ou mais importante do que as que seriam tocadas!!! Outra coisa, é show do ANGRA, porque alguém em sã consciência pediria uma música de desenho animado, que nada tem a ver com a banda, exceto pelo fato de o vocalista ter gravado por fora??? Um dia eu ainda vou entender o que se passa na cabeça destes seres. Mas o ponto é: que vontade de ser inconveniente esse público tem!!!

Voltando ao show... Enquanto o público estava se divertindo pedindo “saint-seya”, rolou um vídeo nos telões, como um pequeno documentário dos membros da banda falando sobre como começou, os “novos” membros sobre como entraram para a banda e agradecendo aos fãs por estes 15 anos de apoio. Após isso, a cortina se abre novamente e o set acústico está montado, com banquinhos, uma bateria reduzida e violões. A primeira música foi “Whishing Well”, que ficou um pouco estranha, mas obteve boa resposta do público. “No Pain For The Dead” ficou muito boa como acústica, encaixou-se perfeitamente, os arranjos ficaram muito bons. A próxima, “Abandoned Fate” foi a menos cantada devido a muitas pessoas não a conhecerem bem. Como última do set acústico, “Late Redemption” fechou com chave de ouro. Foi até difícil de ouvir o vocal do Edu e do Rafael (fazendo as partes do Milton Nascimento), com o pessoal cantando. Realmente foi muito bonito. No geral, alguma coisa estava um pouco estranha no set, ouvia-se estalos e, de repente, não me lembro em qual música, Edu simplesmente atirou o microfone longe e recebeu outro logo em seguida. Embora a idéia tenha sido muito boa e a intenção também, neste set parecia que as coisas não estavam muito sincronizadas ou ensaiadas.

Enquanto o palco era desmontado para o show continuar, Kiko fez-se de mestre de cerimônias, falou algumas coisas, agradeceu e chamou ao palco 15 fãs para cantar “Parabéns” para a banda. Um parabéns heavy metal, com uma introdução de “Painkiller”. Excelente forma de se comemorar 15 anos! Após jogar os fãs do palco (fazendo um stage dive forçado neles), a banda retoma o show, e inicia o set final com “Ego Painted Gray”. A música é boa e ao vivo ficou bem legal, mas depois de um set acústico, foi um balde gelado. A resposta do público foi fraquíssima. Em seguida, “Salvation: Suicide”, embora pouco conhecida, também deixou claro, de uma vez por todas, como o Edu está cantando bem as músicas deste álbum e como ao vivo funcionam bem. (e mais gente pedindo “Saint-Seya”) “Angels And Demons” parece que “reiniciou” o set finalmente, para então “Nothing To Say” terminar de acordar o público. O Angra anda acumulando muitas baladas, está até difícil não tocar tantas, porque ainda faltava “Rebirth”, que foi executada, quebrando completamente o ânimo. Mas, como é uma musica praticamente unânime, todos cantam muito animados este “hino” do renascimento da banda. “The Course Of Nature” mostrou dinâmica pura e foi totalmente aprovada! (mais corinho de “Saint-Seya”) Pra fechar o set, “Deus Le Volt!” e “Spread Your Fire” que não tem nem o que comentar quanto à reação do público e à execução da banda.

Bem, um show desses não poderia terminar por aí. O público carioca ainda ganhou dois bônus. Mas antes... lembram daqueles fãs muito “sensatos”? Aqueles que pediam “Saint-Seya”? Então, pelo visto o Rafael viu que não adianta tentar lutar, e falou pro Edu finalmente dar uma palhinha pra satisfazê-los. Edu então, cantou e tocou na guitarra, sozinho e sem nenhum ânimo, “Pegasus Fantasy” pra eles pararem pelo menos. De bônus então, executaram “Come Together” numa versão mais vigorosa, diga-se de passagem, muito mais pesada, no entanto com as posições trocadas: Kiko no vocal, Edu e Rafael nas guitarras, Aquiles no baixo e Felipe na bateria. Por fim, tocaram “Smoke On The Water” com Rafael nos vocais, Felipe e Edu nas guitarras, Kiko na bateria, Aquiles no baixo e Fábio no teclado em ambas as musicas. Destaque pro Felipe, que tocou guitarra muito bem! Despediram-se assim do público carioca ao som de fundo de Gate XIII. Sem dúvida um show como esse, do Angra, não se via há tempos. Teve seus altos e baixos, mas no geral torcemos para que durem muitos anos mais.

Set:
Unfinished Allegro
Carry On
Nova Era
The Voice Commanding You
Waiting Silence
Wings of Reality
Z.I.T.O.
Acid Rain
Angels Cry
Heroes of Sand

Set acústico:
Whishing Well
No Pain For The Dead
Abandoned Fate
Late Redemption

Parabéns

Ego Painted Gray
Salvation: Suicide
Angels And Demons
Nothing To Say
Rebirth
The Course Of Nature
Deus Le Volt!
Spread Your Fire

Come Together
Smoke On The Water

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Sobre Sylvia Helena D`Antonio

24 anos, carioca. Sylvia é luthier no Rio de Janeiro. Estudou luthieria na B&H Guitar Craft School, em São Paulo. Fez faculdade de Produção Fonográfica, e além de ter sua oficina no rio, atua também fazendo produção executiva e técnica de shows, roadie, guitartech, e stage manager free-lancer. Show é sua vida! Escuta rock desde 12 anos, e é uma “viúva” chorosa dos tempos áureos do Metallica. Curte desde Hard Rock até um bom Thrash Metal, com preferência para o Heavy Tradicional e Prog Metal. Bandas preferidas: Metallica, Megadeth, Dream Theater, Mr. Big, Angra, Dio... entre muitas outras.

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