Resenha - Monster & Henceforth (Manifesto, São Paulo, 13/05/2006)

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Por Maurício Dehò
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O show prometia. MonsteR e Henceforth. A primeira, lançou o terceiro álbum "Harder, Thicker & Longer" em dezembro e vem atraindo um bom número de espectadores para os shows da nova turnê. Já o Henceforth tem em sua formação nada mais nada menos do que os irmãos Luís e Hugo Mariutti e lançou o seu debut homônimo também no final de 2005. No entanto, as bandas paulistanas tiveram que amargar um público muito inferior ao esperado no Manifesto Bar, em São Paulo. "Os organizadores esperavam 300, 400 pessoas no show", disse o vocalista e baixista do MonsteR Paul-X. O motivo da falta de público estava bem longe do mundo da música.

Fotos: Rafael Solano

Na noite anterior e no próprio sábado do show (13), uma série de atentados cometidos pelo crime organizado assolou o estado de São Paulo causando mortes e rebeliões. Mirando a polícia, eles aconteceram em protesto à transferência de presos que estariam planejando uma série conjunta de rebeliões em cadeias da capital e do interior do estado de São Paulo. "Tinha gente que tinha confirmado, dado certeza de que ia aparecer, mas por causa dessas coisas, acabaram não vindo", disse Renato Stone, guitarrista do MonsteR.

Ainda assim, alguns corajosos resolveram ir ao Manifesto e prestigiar as bandas. No final, quem veio teve uma boa noite de rock/metal.

O MonsteR entrou no palco pouco depois da meia-noite e fez um show bem parecido com o que tem feito depois do lançamento do terceiro trabalho. Apresentando o seu característico trash metal com influências do metal tradicional, o MonsteR não conseguiu atrair todo mundo para a frente do palco, mas quem ficou afastado não os desprezou. "Gostamos bastante do show, tinha várias pessoas que não conheciam a banda ou que eram de fora mesmo, mas todos ouviram com muito respeito", disse Paul-X.

O show começou com a nova "Evil By Nature". A bateria do excêntrico E.V. Sword estava bem mais alta que os demais instrumentos, mas pouco depois o problema foi resolvido e o som se manteve bom. O trio paulistano vem tentando variar o set list, como demonstra a escolha da primeira música e a inclusão de "No One Gets Out Alive". Aliás, uma das coisas que é pregada por eles é que as bandas devem ter espontaneidade. E é isso que se vê em seus shows. Errou? Volta ao começo. Esqueceu alguma letra? Dê risada! Mesmo dando liberdade a isso, a banda é bastante coesa e as novas músicas tem um bom desempenho ao vivo.

A banda tocou músicas como "Why Don't You Wake Up", primeira do debut da banda, The Nightmare Continues..., e uma das melhores que já fizeram, a nova "That's Why I've killed the President", ainda mais simbólica nesse dia, e "At Last", outra música matadora (com ritmos, e riffs poderosos), presente no segundo álbum, "No One Can Stop Us!!!".

O que sempre é bom destacar é a simpatia com o público. Paul-X adora falar, Sword esmurra a cabeça e berra de trás de sua bateria e Stone, um pouco mais tímido, parece que vai se soltando cada vez mais. Aliás, Stone e Paul ainda tiveram que dar um exemplo de superação para fazer o show. O primeiro, mesmo com sinusite não se abateu. Agitou, fez backing vocals e tocou como se estivesse 100%. O gripado Paul-X também cantou e tocou normalmente. Após o show, era só trocar algumas palavras com ambos pra ver a real situação.

Para finalizar o show, com cerca de uma hora e meia de duração, o clássico "MonsteR", "The Show Is Not Over Yet" e duas rapidinhas com aquela pegada bem punk: "The New, The Best" (com participação de uma pessoa do público nos vocais - e que mandou muito bem, com um vocal mais agressivo que casou bem com a música) e "Metal Boy", concorrente a novo hino da banda. Ah, e uma das cenas mais legais do show foi ver Luís Mariutti se divertindo na música "Monster", em que Paul-X pára tudo e põe a galera pra cantar junto.

Depois de trocar as baterias e ajeitar tudo para o seu show, o Henceforth subiu ao palco pouco depois das 2 da manhã. A banda, também paulistana, ainda não é muito conhecida do público. Formada em 1993, tem como membros daquela época o guitarrista Hugo Mariutti (Shaaman), Fábio Elsas na batera e o tecladista Cristiano Altieri. Completando a formação, entraram o vocalista Frank Harris (que, pelo nome, não é americano nem nada, é mineiro e criado no Rio) em 2000 e da lenda do metal nacional Luís Mariutti (baixo, Shaaman) em 2003. Luís, ou simplesmete "Jesus", era um dos produtores do primeiro álbum da banda e, com a saída de André Nakiris assumiu a vaga.

Eles chegaram a lançar duas demos - The Last Day e In the Garden, mas o primeiro álbum, Henceforth, só saiu mesmo ano passado. Embora tenha começado a ser gravado em 2001, vários problemas dificultaram o processo. Agora, com tudo pronto, inclusive o CD lançado, a banda pode decolar.

Quem lê os nomes dos irmão Mariutti e pensa que vai encontrar um som que lembre o Shaaman, se engana. A banda faz um som díficil de definir, um 'heavy rock progressivo'. O vocal é rasgado e grave, a bateria vai de partes cadenciadas a passagens rápidas (com bumbo duplo e tudo). As passagens de baixo são bastantes caracterísiticas, típicas de Luís e a guitarra também mescla vários estilos, velocidades e efeitos (haja pedais na frente Hugo). O que mais faz a diferença, junto com o vocal, são os teclados. Cristiano usa desde piano a efeitos tipicamente eletrônicos e dá um clima muito próprio para as músicas. "A repercussão do nosso CD está muito boa, as pessoas com que falei gostaram, que é algo bem diferente do que tem no mercado, bem próprio, tanto que a gente não consegue definir muito o que parece. É uma salada de coisas que a gente gosta pra caramba". Isso é inegável, o Henceforth faz um som que não se ouve por aí, variando do peso a um som mais comercial.

Segundo Luís Mariutti, as influências vêm desde Genesis, até Black Sabbath e sons mais modernos, como alguns covers mostraram durante o show. Para Frank, os grandes mestres são Ozzy Osbourne, principalmente nos tempos de Black Sabbath, e André Matos.

Durante o show, os músicos mandaram todas as músicas lançadas no debut. Depois de uma introdução, abriram com "In the Garden". O público se aproximou do palco e pareceu gostar bastante do que viu. A banda já tem até fã-clube e o vocalista atrai o público feminino (e bem barulhento). Seguiram com "I.Q.U." e "Rise Again".

O primeiro cover da noite foi do Nine Inch Nails, com "Head Like a Hole", mostrando que as influências da banda são um real caldeirão. O que se percebia do som é que o instrumental estava se sobressaindo em relação ao vocal, mas o show não foi prejudicado. A banda tem uma boa presença, principalmente por conta dos irmãos e de Harris.

Entre outras, tocaram mais próprias (como "The Pain" e "White Addictions") e duas covers, “Say Just Words” (Paradise Lost) e, antes da saideira, "Only", um cover do Anthrax que tem um significado diferente para a banda, já que é um dos sons mais 'comerciais' dos americanos e combina com o som do Henceforth.

Antes de irem embora, fecharam com "Nervous Breakdown". O grupo, que "ainda está iniciando" a sua carreira, precisa conquistar o seu espaço e aparecer para o público. A melhor coisa a fazer, principalmente devido ao tipo de som que produzem, é gravar um clipe e tentar emplacá-lo na MTV. É claro que o(s) nome(s) Mariutti abre porta, mas isso deve ser usado como algo positivo. Outro ponto importante é que a banda depende do Shaaman para definir as suas datas, mas isso não impede que eles possam crescer. "Cada um tem o seu lugar ao Sol, o Shamaan já tem e a gente, se for pra ter, também vai ter, é possível conciliar as duas, afirmou o Frank Harris.

Pelo lado do MonsteR, há vários planos para o futuro. Em junho, o primeiro álbum, The Nightmare Continues, deve ser relançado. Segundo Renato Stone, os planos para o lançamento de um novo trabalho deve ser já para novembro, apenas 11 meses após Harder Thicker & Longer. É esperar e torcer! Além disso, o principal objetivo da banda é cair na estrada e fazer mais shows por todo o Brasil do que já fizeram em 8 anos de MonsteR.

A conclusão que se pôde chegar ao fim da madrugada é que as duas bandas ainda têm muito chão para percorrer. O MonsteR buscando um espaço entre os grandes do metal nacional (coisa que o Torture Squad conseguiu). Já o Henceforth têm que investir. Fazer-se ver e criar uma identidade (a música dos caras, por si só já a tem), em busca do seu lugar no cenário.

Set List: MONSTER

Evil By Nature
Why Don't You Wake Up
If You Can Trust Me
At Last
That's Why I've killed the President
Shut the Fuck Up
Us Against the World
No One Gets Out Alive
A Toast To Your Life
Worst Nightmare
Monster's On The Loose
Monster
The Show Is Not Over Yet
The New, The Best
Metal Boy

Set List: HENCEFORTH

Intro
In the Garden
I.Q.U.
Rise Again
Higher Ground
Head Like a Hole (Nine Inch Nails)
Both Sides
The Pain
Issues
Say Just Words (cover Paradise Lost)
Parallels
White Addiction
Opened Door
Only (cover Anthrax)
Nervous Breakdown

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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