Santana: No auge, o guitarrista sessentão ainda impressiona
Resenha - Santana (Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, 18/03/2006)
Por Rafael Carnovale
Postado em 31 de março de 2006
Ao chegar na Apoteose para mais uma apresentação do guitarrista Carlos Santana no Brasil, me assustei... e olha que foi um susto pesado. Não foi pela histeria dos fãs ou mesmo pela faixa etária daqueles que ali estavam e sim pelo número de pessoas que se aglomeravam nos portões esperando a abertura dos mesmos: exatas 7 pessoas. Pensei comigo mesmo: será que agora, no auge de sua popularidade (marcada pelos álbuns "Supernatural", "Shaman" e o mais recente "All That I Am") o guitarrista iria tocar para uma Apoteose vazia?
O tempo iria mostrar que eu estava errado, já que aos poucos os fãs foram chegando (eram todos fãs mesmo?), e até a meia noite eram computadas 16 mil pessoas no local. Santana vive uma grande fase, mas trabalhou para tal. Desde 1969, quando lançou seu primeiro álbum, até a mais recente fase, ele explorou como poucos sua habilidade na guitarra e na fusão de ritmos latinos com o pop, embora o pop tenha prevalecido nos últimos anos. A platéia era composta por fãs da antiga, fãs mais novos, e pessoas que sequer conheciam o trabalho do guitarrista em questão, mas que queriam aproveitar a fusão de ritmos latinos para dançar e curtir.
Às 21h05, as luzes do imenso palco se apagam e uma intro começa a ecoar no ambiente, enquanto os membros vão entrando um a um, e o fenomenal batera Dennis Chambers (como esse cara toca!) dá início à antiga "Jingo". Santana entra e já vai mostrando seus dotes como guitarrista. Se não é virtuoso e rápido como outros, tem um feeling incomparável e um bom gosto fantástico para executar suas bases. A nova "I Am Somebody" vem em seguida e enfatiza os bons vocais de Andy Vargas e a percussão segura de Karl Perazzo e Paul Rekow, que esbanjavam talento. Seguem-se "Love Of My Life", "Africa Bamba", aonde destaca-se o sax de Bill Ortiz, além da bonita "Victory Is Won".
Nesse momento a platéia permanecia um tanto apática em alguns pontos, agitada em outros, com pessoas dançando e algumas aplaudindo. Aqui fica o grande porém do Santana do novo milênio: a guinada pop de seus últimos trabalhos lhe deu sucesso (merecido) e ressaltou seu talento, mas a execução de "Foo Foo", "Samba Pa Ti" e até mesmo "BMW" (emendada com "Gypsy Woman" – com direito a um trechinho genial de "Owner Of A Lonely Heart" do Yes) soam repetitivas. É muita batucada, guitarras discretas e teclados em profusão, que acabam por ofuscar a grande estrela, Santana. O mesmo não se preocupa com isso e vai mandando músicas atrás de músicas, como "Oye Como Va", que encerrou o set normal. O show não estava ruim, mas particularmente faltaram alguns momentos aonde pudéssemos apreciar mais o talento deste fenomenal guitarrista e não apenas ficar dançando como se estivéssemos em alguma ilha do Hawaii tomando água de coco.
Após um pequeno intervalo a banda retorna para a execução de "Soul Sacrifice" e "Smooth" (emendada com "Corazón Espinado"), que deu uma aquecida na galera (afinal muitos ali só conheciam a trilogia "Supernatural","Shaman" e "All That I Am"). "Evil Ways" e "Love Supreme" encerraram o set de 2:30.
Apesar dos momentos mais cansativos, o show foi interessante. O guitarrista se mostrou comunicativo (mantendo o tradicional discurso anti-bush – até quando – em "Gypsy Queen") e pedindo união ao fim do evento. Quem é fã saiu extasiado. Eu particularmente me satisfaria com mais músicas antigas e um set mais enxuto. Mas vale a pena ver que o sessentão Santana (que tocou em Woodstock) ainda tem a guitarra nas mãos, deixando muito velocista das seis cordas sentado observando seu talento.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O membro do Iron Maiden que "não aguenta mais e quer sair", segundo Regis Tadeu
Confira o Line-Up completo do Bangers Open Air 2027
Cinco bandas do Bangers Open Air 2027 que fogem do óbvio e merecem sua atenção
A banda que Max Cavalera considerava a "versão brasileira do Iron Maiden"
Geezer Butler não dava muita atenção à carreira solo de Ozzy Osbourne
A música que Corey Taylor gostaria de deixar como ensinamento para o filho
O clipe mais barato da história do Iron Maiden, segundo Dave Murray
Regis Tadeu revela por que Robert Plant se recusa a ressuscitar o Led Zeppelin
Ozzfest confirma retorno com edições em três países para 2027
A condição de Ricardo Confessori para voltar ao Shaman: "Se quiser trabalhar comigo, senta aí"
Jairo Guedz sobre as regravações dos Cavalera: "A magia, para mim, está no original"
Bruce Dickinson quer novo disco do Iron Maiden, Steve Harris não sabe, diz Nicko McBrain
Quando Mick Box, do Uriah Heep, passou horas tentando tocar uma música que continha um truque
Tom Morello cita o que considera seus quatro maiores fracassos musicais
A briga com Bruce Dickinson que quase faz Nicko McBrain largar o Iron Maiden


"Smooth" do Santana virou sombra para o Matchbox Twenty, e banda tem resposta afiada
10 discos dos anos 90 que são perfeitos, segundo o Classic Rock History
Os 5 músicos com quem Gene Simmons comprou algumas das maiores brigas de sua carreira
O guitarrista que Prince achava que "tocava mais bonito" que Jimi Hendrix
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


