Santana: No auge, o guitarrista sessentão ainda impressiona

Resenha - Santana (Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, 18/03/2006)

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Por Rafael Carnovale
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Ao chegar na Apoteose para mais uma apresentação do guitarrista Carlos Santana no Brasil, me assustei... e olha que foi um susto pesado. Não foi pela histeria dos fãs ou mesmo pela faixa etária daqueles que ali estavam e sim pelo número de pessoas que se aglomeravam nos portões esperando a abertura dos mesmos: exatas 7 pessoas. Pensei comigo mesmo: será que agora, no auge de sua popularidade (marcada pelos álbuns "Supernatural", "Shaman" e o mais recente "All That I Am") o guitarrista iria tocar para uma Apoteose vazia?

O tempo iria mostrar que eu estava errado, já que aos poucos os fãs foram chegando (eram todos fãs mesmo?), e até a meia noite eram computadas 16 mil pessoas no local. Santana vive uma grande fase, mas trabalhou para tal. Desde 1969, quando lançou seu primeiro álbum, até a mais recente fase, ele explorou como poucos sua habilidade na guitarra e na fusão de ritmos latinos com o pop, embora o pop tenha prevalecido nos últimos anos. A platéia era composta por fãs da antiga, fãs mais novos, e pessoas que sequer conheciam o trabalho do guitarrista em questão, mas que queriam aproveitar a fusão de ritmos latinos para dançar e curtir.

Às 21h05, as luzes do imenso palco se apagam e uma intro começa a ecoar no ambiente, enquanto os membros vão entrando um a um, e o fenomenal batera Dennis Chambers (como esse cara toca!) dá início à antiga "Jingo". Santana entra e já vai mostrando seus dotes como guitarrista. Se não é virtuoso e rápido como outros, tem um feeling incomparável e um bom gosto fantástico para executar suas bases. A nova "I Am Somebody" vem em seguida e enfatiza os bons vocais de Andy Vargas e a percussão segura de Karl Perazzo e Paul Rekow, que esbanjavam talento. Seguem-se "Love Of My Life", "Africa Bamba", aonde destaca-se o sax de Bill Ortiz, além da bonita "Victory Is Won".

Nesse momento a platéia permanecia um tanto apática em alguns pontos, agitada em outros, com pessoas dançando e algumas aplaudindo. Aqui fica o grande porém do Santana do novo milênio: a guinada pop de seus últimos trabalhos lhe deu sucesso (merecido) e ressaltou seu talento, mas a execução de "Foo Foo", "Samba Pa Ti" e até mesmo "BMW" (emendada com "Gypsy Woman" – com direito a um trechinho genial de "Owner Of A Lonely Heart" do Yes) soam repetitivas. É muita batucada, guitarras discretas e teclados em profusão, que acabam por ofuscar a grande estrela, Santana. O mesmo não se preocupa com isso e vai mandando músicas atrás de músicas, como "Oye Como Va", que encerrou o set normal. O show não estava ruim, mas particularmente faltaram alguns momentos aonde pudéssemos apreciar mais o talento deste fenomenal guitarrista e não apenas ficar dançando como se estivéssemos em alguma ilha do Hawaii tomando água de coco.

Após um pequeno intervalo a banda retorna para a execução de "Soul Sacrifice" e "Smooth" (emendada com "Corazón Espinado"), que deu uma aquecida na galera (afinal muitos ali só conheciam a trilogia "Supernatural","Shaman" e "All That I Am"). "Evil Ways" e "Love Supreme" encerraram o set de 2:30.

Apesar dos momentos mais cansativos, o show foi interessante. O guitarrista se mostrou comunicativo (mantendo o tradicional discurso anti-bush – até quando – em "Gypsy Queen") e pedindo união ao fim do evento. Quem é fã saiu extasiado. Eu particularmente me satisfaria com mais músicas antigas e um set mais enxuto. Mas vale a pena ver que o sessentão Santana (que tocou em Woodstock) ainda tem a guitarra nas mãos, deixando muito velocista das seis cordas sentado observando seu talento.



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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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