Resenha - Brasil Rock Stars (São Paulo, 14/02/2006)

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Por Maurício Dehò
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Andreas Kisser não pára! Desta vez o guitarrista do Sepultura se apresentou com os seus amigos do Brasil Rock Star para gravar um CD ao vivo. A iniciativa veio de uma parceria entre Andreas e uma empresa apoiando-se em leis de incetivo fiscal do Ministério da Cultura. Para contar com esse apoio, Andreas resolveu gravar apenas músicas instrumentais para o CD, como manda a lei. A idéia surgiu pois "havia um amigo comum entre eu e a empresa", disse o guitarrista. Acertando todos esses aspectos legais, foi só ensaiar para o show (e olhe que foram apenas dois ensaios!).

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O Brasil Rock Stars começou em 2000 e a sua formação permaneceu praticamente constante: Daniel Latorre (teclado), Paulo Zinner (bateria), Vasco Faé (vocal e gaita) e Sílvio Alemão (baixo). Para completar, esta noite trazia um convidado especial , o baixinho Theo Werneck tocando guitarra, guitarra havaiana e cantando, sempre com o seu jeito bastante animado e até meio excêntrico. O lugar escolhido foi o Blen Blen, em São Paulo, no dia 14/02, uma terça-feira à noite. A escolha se deu pela tradição do local e pelo fato de ter sido um primeiros locais onde o Brasil Rock Star se apresentou.

Como é comum na carreira de Andreas fora do Sepultura, o público, que compareceu em grande número, não é feito pelos tradicionais metaleiros. Nesta noite o que se via era um público heterogêneo, mistura de homens mulheres, jovens e mais velhos, porém, unido em torno de um interesse, ouvir um bom rock. Para Andreas não importa a diferença com o Sepultura, "aqui eu não estou fazendo Sepultura".

Para começar, "Sunshine of Your Love", do Cream e "The Wizard", do Black Sabbath. Nesta última Vasco arrasou na gaita, o que foi uma constante no show. "Purple Haze", do Jimi Hendrix foi a próxima.

Foi então que o guitarrista anunciou que as músicas instrumentais do show seriam gravadas para um CD ao vivo. Foi "Wring That Neck" que teve o papel de abrir as gravações. A música do Deep Purple é muito boa e foi recheada de duetos de Latorre e Kisser. Foi uma ótima maneira de mostrar ao público que a idéia de um CD de covers, mas com músicas instrumentais, tinha sido muito boa.

Mas não foi apenas com músicas que originalmente não possuem vocais que o show continuou. Na verdade, a banda fez versões instrumentais mesmo de músicas que possuem letras. O responsável pelas harmonias vocais foi ora Andreas, com a guitarra, ora Vasco, com a gaita. Seguiram, então, com "Get Back", dos Beatles, "Jailhouse Rock", do Elvis Presley, e "Moby Dick", do Led Zeppelin. Foi aí que se pode ver um dos principais talentos da música brasileira.

Paulo Zinner fez um solo de arrasar! O baterista mostrou que não é preciso apenas de agilidade, mas de muita criatividade para fazer um solo de bateria. "Essa é a parte mais fácil do show", disse o simpático Zinner, "só fica difícil quando a galera bate palmas fora do ritmo, não sei se entro no ritmo deles ou tento fazê-los entrar no meu ritmo". O solo de Zinner é registrado como uma música, "Zinner’s Ritual". "Eu mudo algumas partes no meio, hoje fiz ritmos que nem sei o nome". Paulo, tanto quanto Andreas, é um tremendo workaholic, para se ter uma idéia, ele tem a Paulo Zinner Rockestra, participa do Golpe de Estado, de um trio de Jazz e do Devotos de Nossa Senhora Aparecida.

Saindo do palco sob aplausos, Zinner deu lugar a Daniel Latorre e o seu solo no Hammond. Latorre é tão famoso pelo instrumento que ajudou a Meteoro na produção de uma série de produtos que são réplicas das antigas caixas Leslie e a linha ainda saiu com o seu nome. O solo também foi aprovado pelo público. O tecladista é um grande fã de Zinner, com quem toca em mais dois projetos (Paulo Zinner Rockestra e um trio de Jazz), "Ele é o maior batera desse país, com certeza". Juntos, em 2003, eles tocaram com o grande ídolo Ian Paice, também no palco do Blen Blen.

Emendando com o solo de Latorre, a banda voltou ao palco para executar uma versão de "Lazy", mais uma do Deep Purple, também sem os vocais. Como o solo de Latorre teve problemas na gravação, tanto o solo quanto "Lazy" foram executadas novamente no final do show.

O que parecia, por si só, uma idéia original, foi reforçado nas próximas três músicas. A primeira foi "Balada do Louco", de Arnaldo Batista. E se você acha que houve algum preconceito contra a música, ledo engano. Enquanto Andreas fazia a melodia na guitarra, o público cantava, num dos momentos mais emocionantes do show. Essa música também teve problemas e foi repetida duas vezes.
A segunda foi Kaiowas. É claro que o público sempre pede para que Andreas toque algumas música do Sepultura, mas é difícil que sejam atendidos. Por se encaixar perfeitamente ao tema, a música foi uma boa escolha e ainda fez os fãs da banda irem à loucura.

A terceira e mais surpreendente foi o mega-clássico do Queem "We Will Rock You", apesar de a música originalmente ter apenas vocal, bateria e solo de guitarra, a banda fez uma bela versão, com Vasco fazendo a melodia na gaita e, no final, solos e a banda toda tocando.

Para fechar o show, outra de Jimi Hendrix, "Crosstown Trafic", desta vez com Theo Werneck cantando, e Black Night, do Deep Purple. Na verdade o show acabou apenas depois que "Balada do Louco" foi repetida duas vezes, para a alegria da galera, que ainda queria mais.

A experiëncia foi mais que aprovada e o CD tem tudo para obter destaque. Afinal, não é apenas mais um álbum de covers, mas um álbum de covers, ao vivo e instrumental, mesmo que a música originalmente não seja. Criatividade pouca!

Sobre o Sepultura, as novidades são o lançamento, em março, do DVD ao vivo da banda e do novo CD, Dante XXI, em maio. E para quem acha que a ausência de Igor Cavalera na próxima turnê européia, Toninho, presidente do fã-clube oficial do Sepultura e que prestigiava a festa, garante "ele pode fazer o que quiser, agora ele preferiu cuidar do filho [que acabou de nascer], mas ele é do Sepultura". É esperar que tudo ocorra bem.

Set List
Sunshine Of Your Love (Cream)
The Wizard (Black Sabbath)
Purple Haze (Jimi Hendrix)
Wring That Neck (Deep Purple)
Get Back (Beatles)
Jailhouse Rock (Elvis Presley)
Moby Dick (Led Zeppelin)
Lazy (Deep Purple)
Balada do Louco (Arnaldo Batista)
Kaiowas (Sepultura)
We Will Rock You (Queen)
Crosstown Traffic (Jimi Hendrix)
Black Night (Deep Purple)

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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