Viper: Comemorando duas décadas e trazendo novidades

Resenha - Viper (Manifesto Bar, 09/04/2005)

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Por Bruno Sanchez
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Fotos por Fábio Garófalo

Após as comemorações de 20 anos do Sepultura com o show especial para a gravação de um DVD há algumas semanas, quem também aproveitou 2005 para comemorar duas décadas de existência e trazer diversas novidades aos fãs, foram os paulistanos do Viper,a a veterana banda de Heavy Metal que lançou um dos melhores álbuns da história da música pesada nacional, o Theatre of Fate em 1989, e revelou grandes nomes do Rock/Metal como o vocalista Andre Matos, os irmãos Passarell e o guitarrista Felipe Machado.

Como parte das comemorações, também tivemos um show especial, marcado para o bar Manifesto, local que há pouco tempo foi totalmente reformado e reestruturado, com um bom espaço para seus freqüentadores mas ainda uma estrutura de palco pequena se comparada aos outros bares de São Paulo, o que sempre complica bastante o trabalho dos roadies.

A noite era de festa e várias caras conhecidas apareceram para prestigiar o novo Viper. Entre elas, Edu Falaschi do Angra (super simpático e atencioso com todos que foram pedir fotos ou autógrafos) e Andria Busic do Dr. Sin. No geral, o bar recebeu um bom público – bem heterogêneo, com bangers de todas as idades - mas não lotou como se esperava para um momento destes.

Um dos grandes problemas dos shows que ocorrem em bares é o horário divulgado e o horário real do evento: pela agenda da página oficial do bar, o show estava marcado para as 22 hs, mas na verdade este era o horário de abertura do Manifesto e a apresentação só começou mesmo depois das 00:30 hs o que gerou uma certa impaciência.

Quando todos já se amontoavam em frente ao palco em busca de uma boa visão e gritando o nome da banda, um funcionário da casa foi ao microfone e avisou que antes do show rolaria um vídeo especial nos televisores (localizados no canto oposto ao palco) com momentos dos 20 anos de carreira do Viper. Algumas pessoas preferiram garantir o lugar em frente ao palco enquanto outras correram para assistir as gravações dos momentos raros, entre eles, alguns dos primeiros shows e a entrevista que a banda concedeu no programa do Jô Soares, ainda no SBT no final dos anos 80.

Após o vídeo, um efeito de fumaça e, agora sim, a famosa introdução Illusions começa a sair dos P.As e a nova formação da banda – Ricardo Bocci nos vocais, Felipe Machado e Val Santos nas guitarras, Pit Passarell no baixo (o outro irmão Passarell – Yves – infelizmente se encontra no péssimo Capital Inicial) e Guilherme Martin na bateria - desce as escadas para delírio geral e a apresentação começa quente com Prelude to Oblivion (do Theatre of Fate), seguida de Knights of Destruction (do Soldiers of Sunrise) e To Live Again (novamente do Theatre). Esse começo já mostrou que a banda optou por um setlist com os maiores clássicos da carreira, especialmente músicas dos dois primeiros (e melhores) discos. Para quem ainda não conhecia o trabalho do novo vocalista, Ricardo Bocci (Ex – Rei Lagarto), é um alívio saber que sua voz é muito parecida à do ex-vocalista, Andre Matos (atual Shaaman e Ex-Angra) e, finalmente, os clássicos dos primeiros álbuns ganham excelentes versões ao vivo. Nada contra o vocal de Pit Passarell, mas a qualidade que o Viper ganhou com o novo músico não tem nem comparação.

Após esse começo matador, a banda manda, Dead Light, a primeira música da noite do disco Evolution (1992). Essa versão no vocal de Ricardo também ficou ótima e o músico mostra que é bem versátil tanto nas composições mais voltadas ao Metal Melódico quanto nas mais pesadas.

A música seguinte é outro grande clássico do Theatre of Fate, A Cry From The Edge, em mais uma interpretação magistral de Ricardo (o cara realmente é muito bom) seguida por The Shelter, música sem tanto brilho do disco Evolution, mas em um momento legal que contou com a participação especial de Renato Graccia, o ex-baterista da banda.

Chegamos à metade do show onde o Viper tocou a nova Do It All Again, faixa que remete ao trabalho mais pesado do terceiro disco. Logo após a sua execução, Pit foi ao microfone e prometeu um novo trabalho de estúdio em breve, além de elogiar bastante a nova formação, em especial Ricardo Bocci, o grande destaque da noite. Em seguida, a banda mandou a música Evolution e um medley das músicas Theatre of Fate e Wings of The Evil, que eles não tocavam ao vivo há bastante tempo.

Mesmo não contanto com o total apoio dos fãs, o Viper não esqueceu sua fase Punk/Hardcore. Ricardo sai do palco e Val vai ao microfone cantar com muita propriedade o cover de Ramones, Blitzkrieg Bop, o mesmo que Felipe e Guilherme tocaram com o Paul Di´anno há cerca de 3 meses, também no Manifesto. Pit também assume os vocais na seqüência e tivemos o clássico Hardcore – Coma Rage – seguida pelo cover de The Clash, I Fought The Law onde o irmão de Felipe, Nando, assumiu o baixo e Passarell apenas cantou. Apesar de muitos torcerem o nariz para essas últimas 3 músicas, o público teve um comportamento exemplar e respeitou a banda no palco.

A animação volta quando mais uma música da fase jurássica aparece: Soldiers of Sunrise (com ótima recepção), seguida pela balada The Spreading Soul e pelo momento obrigatório da noite em Living for The Night, sendo que a primeira parte da composição foi levada sozinha pelos bangers, sem nenhum instrumento acompanhando. Antes da execução do clássico, Ricardo prestou uma homenagem a Andre Matos, que eternizou a versão de Living no Theatre of Fate e nos shows da banda.

A apresentação normal fechou com mais um clássico: Rebel Maniac do disco Evolution e a banda se despediu do público.

Na volta para o bis, os integrantes trouxeram algumas champanhes para estourar no palco (e encharcar quem estava mais próximo) em comemoração ao aniversário de 20 anos. Ricardo agradeceu a presença de todos e avisou que eles tocariam mais uma música bem antiga: a ótima Nightmares, do primeiro disco. A surpresa foi geral já que nunca ouvi essa música ao vivo, mas a considero uma das melhores composições do Viper de todos os tempos, especialmente pelo seu refrão pegajoso, mas bem exigente do gogó do vocalista. A versão na voz de Ricardo ficou muito boa e não deveu nada à original do Soldiers of Sunrise. A propósito, realizei um antigo sonho ao ouvir esta música no show, agora só faltam Bestial Devastation do Sepultura e Stained Class do Judas Priest para ter meu sonho metálico completo. ;-)

Na seqüência, eles mandaram uma versão bem competente de Aces High do Iron Maiden e, para fechar o show com chave de ouro, Felipe foi ao microfone contar um pouco da história da banda e a primeira apresentação, em 8 de abril de 1985 no Clube Paulistano abrindo para a banda Platina de Andria Busic. Para comemorar a data, Felipe chama todos os convidados especiais ao palco (inclusive Busic) e tocam a primeira composição do Viper, HR (Heavy Rock), com todos cantando e Pit Passarell visivelmente emocionado.

O som durante toda a apresentação estava decente tendo em vista que estamos falando de um bar e não de uma casa de show profissional, mas em diversos momentos o microfone de Ricardo falhou, especialmente nas primeiras músicas.

Um ótimo show para os fãs e acredito que todos que foram ao Manifesto se sentiram satisfeitos com o setlist. Parabéns à banda pelas duas décadas de estrada e vamos torcer para que essa volta do Viper seja definitiva, com novos trabalhos de estúdio e muitos shows que coloquem a banda novamente no lugar de destaque que merece. A nova formação é bem entrosada, com destaque ao ótimo Ricardo Bocci e seu timbre de voz, que lembra bastante Andre Matos e não é à toa, já que Ricardo foi aluno de Andre em aulas de canto há alguns anos. Outro destaque vai para a empolgação de Pit e Felipe nas músicas. Esses se divertem de verdade no palco e não param um minuto de agitar.

Como parte das comemorações, além deste show no Manifesto, o Viper lança ainda este ano o DVD Living For The Night - 20 Years Of Viper, que trará shows antigos e um documentário com todos os integrantes que passaram pela banda além de diversas raridades.