Kreator e Tristania: Em curitiba, diversão para alguns, terror para outros
Resenha - Kreator e Tristania (Espaço Callas, Curitiba, 22/03/2005)
Por Clóvis Eduardo
Postado em 22 de março de 2005
Fotos: Makila Crowley (www.makilacrowley.com.br)
O penúltimo show da turnê brasileira do Kreator e do Tristania teve dois aspectos distintos. O primeiro é positivo. Casa cheia, som de ótima qualidade, bandas muito empolgadas e público enlouquecido (pasmem!) para as duas bandas. O aspecto negativo foi (vem sendo, e provavelmente será sempre) a grande confusão pela união de shows agitados e uma enorme quantidade de gente amontoada. Diversão para alguns, terror para outros.
Os organizadores comemoravam com largos sorrisos a venda de 1500 ingressos. Número que se revela uma displicência pela capacidade do Espaço Callas já que essa grande quantidade de pessoas no corredor já apelidado de "abatedouro" teria conseqüências presumíveis. Em 20 minutos do show do Tristania, meninas desmaiavam em virtude do calor e do aperto. Os seguranças, como sempre em Curitiba, tiveram muito trabalho.
O Tristania surpreendeu os que imaginavam uma desastrosa apresentação. O público thrash doidão vaiaria os noruegueses? A resposta foi eminente logo nos primeiros minutos de Libre, que abriu o show. Ao vivo, as canções ganham energia e a banda ao contrário da premissa, agita muito no palco. Vibeke Stene e Kjetil Ingebrethsen nos vocais, Anders Hidle na guitarra, Kenetth Olson na bateria e Rune Ostherus no baixo mandaram um set dinâmico e muito bom, baseado principalmente no último álbum Ashes. Porém o agito foi intenso com Angellore, última música da apresentação. O público aplaudia e vibrava a cada ação da banda, principalmente de Vibeke, que é uma estrela a parte.
Acabou o Nightwish? Disse um infeliz enquanto os roadies carregavam os intrumentos. Consideradas ignorâncias e ironias, durante o show de abertura, já se via uma enorme imagem do cd Enemy of God do Kreator atrás do palco. Muita gente se espremia próximo à grade (sim, ao contrário de como foi no show de Paul Di´anno, ela existia), e os mais conservadores buscaram refúgio nos camarotes que também estavam lotados. A festa tinha tudo para ser muito boa, e realmente foi.
O cd Enemy of God é um primor, e as composições novas ao vivo, nem se fala! A própria música título do cd, que abriu o show, foi ovacionada. Um berreiro e uma agitação tão grandiosos que ninguém mais pensava em calor, empurra-empurra ou segurança. Mille Petrozza no vocal e guitarra, Jürgen "Ventor" Reil na bateria, Christian "Spessy" Giesler (de camiseta de manga comprida!), no baixo e Sami Yli-Sirniö na guitarra fizeram uma terrível zona na pista. As rodas se abriam com facilidade música após música.
Por mais de uma 1h30min, o Kreator despejou a maioria dos destaques da discografia. Pleasure to Kill, Violent Revolution (mais acelerada), Extreme Agression, Betrayer, People of The Lie, Renewal e Reconquering the Throne foram esplêndidas, assim como Impossible Brutality e World Anarchy do novo cd, arregaçaram com pescoços de todo mundo. A banda no palco não tem grande movimentação, mas os caras dão conta no som e na agitação. O set foi idêntico ao da turnê de 2002 (que passou por Recife, Salvador e São Paulo) e havia até certa expectativa se a música Ripping Corpse – previamente anunciada no set – entraria, e no caso, fica para a próxima vez.
Mille é muito simpático, provocativo e irônico. Durante Phobia, algum idiota jogou uma camiseta que colou no rosto dele. Bem rápido, o vocalista a coloca de lado e continua a cantar sem reclamar. Talvez isso tenha deixado com mais raiva ainda, já que as músicas eram urradas com ferrenha vontade.
Na batalha, digo, na pista, uma verdadeira rebelião tomava conta. Particularmente acho ridículo correr e dar empurrões nos outros, isso quando não são outras agressões. Daí quando um dos figuras cai no chão, todos param e o ajudam a levantar como perfeitos cavalheiros. Pedem se está bem, se acaso está machucado e tal e coisa. Mas o objetivo dessa tolice toda não é derrubar ou machucar o outro? Francamente, ou estou ficando muito velho, ou meus conceitos sobre metal estão completamente errados. Lógico que em um show desses, uma pessoa de braço cruzado também se tornaria ridícula, mas essa manifestação de "amor à música" é exagero.
E Mille se importa com isso? Nem um pouco. Ele até faz ironias com o público, ao dizer que Curitiba está dormindo ou quer ir para casa. Realmente o cansaço era geral, mas bons "energéticos" eram despejados a todo o momento. Para finalizar, Flag of Hate e Tormentor encerraram uma noite de muito trabalho para o pescoço. Todos no palco demonstraram muita vontade e carisma, e o público agradeceu à altura.
Tomara que nos próximos shows, os seguranças sejam menos estúpidos e que os organizadores sejam conscientes com o número de pessoas no local. É obrigação também de cada expectador respeitar o outro, e ser menos violento senão um dia a coisa vai ficar preta, mais do que já está. Peço desculpas pela pouca quantidade de fotos, mas a condição de trabalho realmente foi deprimente.
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