Primal Fear: Segunda vez no Brasil, e a primeira em Belo Horizonte

Resenha - Primal Fear (Lapa Multishow, Belo Horizonte, 10/06/2004)

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Por Thiago Sarkis
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Primal Fear pela segunda vez no Brasil, e a primeira em Belo Horizonte. Expectativa, bastante divulgação, preço razoável, e um bom local para se realizar o evento, o Lapa Multshow. Uma ótima chance aos mineiros de apreciar o heavy metal bem tocado e em seu formato original. Porém, a maioria preferiu ficar em casa, curtir as praias do litoral do estado (traduzindo: Espírito Santo), ou então rezaram, sabe-se lá, dia de Corpus Christi, Igreja de Lourdes e de Boa Viagem lotadas de fanáticos por metal orando pela boa atuação de seus ídolos. São possibilidades.

Sem muitos rodeios ou ironias, percebeu-se a ocorrência de erros graves, pois um público que lota as casas em shows de death, thrash, black e também melódico, power, & cia simplesmente desapareceu. Primeira falha: Primal Fear um dia antes do lendário Cannibal Corpse, cuja carreira tem quase uma década a mais que a dos "alemães". Segunda falha: a promoção, basicamente feita no "mainstream", incluindo a maior rádio de rock da cidade, a mesma que já trouxe Angra e Sepultura para o festival Pop Rock. Terceira falha: banda de abertura de outro estado. Esqueceram que mineiro é mais tradicional que a própria vertente em questão. Quarta falha: É a conclusão e ao mesmo tempo parte de todo o processo; o grupo foi tratado como grande atração, gigantes do estilo, sendo que para a maioria ainda não passa de um aperitivo.

No palco, um conjunto consistente para a abertura, o Thalion, apresentando seu debute "Another Sun". Provaram que não estão na mídia apenas pelas participações especiais no álbum de estréia, entre elas a do ex-Helloween Michael Kiske, e de André Matos (Shaman) para a versão japonesa do disco. Melódico eficiente ao vivo, o qual tem tudo para ir longe. Bem recebido pelos presentes, apesar das queixas de que agrupações locais poderiam abrir o dia com a mesma qualidade.

O Primal Fear vem então para sua estréia na capital mineira, e parece que pelo menos a reza dos ausentes foi boa, já que fica logo claro que não importava o número de pessoas presentes, iriam dar o que tinham de melhor. Têm suas razões. A maioria de suas músicas foi seguida em coro, como verdadeiros clássicos do metal. E algumas realmente são... "Chainbreaker", por exemplo, arrebenta ao vivo e tem execução perfeita.

"Devil's Ground" é um bom álbum, mas eles tocaram coisas demais provenientes de lançamento 'tão' recente. "Suicide And Mania", "Metal Is Forever" e "Visions Of Fate", pela qualidade e receptividade que tiveram já seriam suficientes. Contudo, incluíram outras composições como "Colony 13", "Heart Of A Brave" e "The Healer", as quais poderiam muito bem dar lugar a músicas de "Jaws Of Death", "Nuclear Fire" ou "Black Sun". "Church Of Blood", "Eye Of An Eagle", "Mind Control", "Armageddon" tinham seu espaço aqui fácil.

Sempre vai faltar aquele detalhe ou a música predileta de um ou outro, então, tudo bem. Apesar da discordância de um set list tão centrado no novo trabalho, não há como negar a competência destes músicos. Ralf Scheepers é impressionante! Detentor de um alcance vocal absurdo, grita com garra e mostra-se totalmente envolvido na música que faz. Como canta esse cara! E tem presença de palco, além de tudo. Ficou meio embaraçado com um fã que subiu e ajoelhou-se a seus pés, mas é um ótimo 'frontman'. Comanda e traz para próximo seus admiradores, os quais, decerto, levantaram sem voz no outro dia acompanhando-no como o fizeram. Toda vez que o nome "Primal Fear" vinha do público, ele completava com um "do Brasil" e fazia questão de valorizar a audiência, independente de seu número, como já sobredito.

Tom Naumann recebe críticas negativas demais para ser verdade. Não é o sujeito mais criativo do mundo, todavia ao lado de Stefan Leibing forma uma excelente dupla de guitarra. Um dos sons mais límpidos e sem mutretas que já ouvi no Lapa. Não foi preciso colocar o volume no último grau. Ralaram e conseguiram fazer cada nota de solos e bases claríssimas, mesmo aos mais sujos ouvidos.

Randy Black, ah... outro caso sério assim como o de Scheepers. Sem delongas, um cavalo! Melhor escolha possível para substituir Klaus Sperling. Perfeitamente integrado à banda, com performance irrepreensível e excelente solo por sinal.

Mat Sinner não necessita de grandes execuções no baixo para ter reconhecimento. Já é ganho vê-lo no palco, especialmente pelo carisma que possui. Ao lado de Scheepers, é a figura que entra em contato com a platéia, fala, impulsiona, mexe com os brios. Duas peças essenciais na estrutura do conjunto.

O fechamento do show foi em ritmo lento comparado aos momentos máximos como os já citados e "Angel In Black", "Running In The Dust", "Battalions Of Hate" e "Final Embrace".

Ótima apresentação, apesar da reivindicação de mais músicas de um passado recente no set list. São raras as oportunidades de vermos bandas como essa e, em tempos de crise então, nem se fala. Uma pena os espaços vazios que se viam por todas as partes do local. Para os que ficaram rezando, valeu, funcionou.

Set-List:
Devil's Ground
Angel in Black
Chainbreaker
Suicide and Mania
Running in the Dust
Visions of Fate
Nuclear Fire
The Healer
Battalions of Hate
Drum Solo
Silver and Gold
Under your Spell
Metal is Forever
Final Embrace
Tears of Rage
Heart of a Brave
Colony 13
Fear



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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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