Shaman: Encerrando a sua primeira turnê do álbum "Ritual"

Resenha - Shaman (DirecTV Music Hall, São Paulo, 23/11/2003)

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Por Bruno Sanchez
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Em uma bela noite de Domingo na cidade de São Paulo, o Shaman encerrou a sua primeira turnê do álbum Ritual. O Directv Music Hall recebeu um bom público para acompanhar a despedida da banda, que agora só deve retornar aos palcos Paulistanos em Agosto ou Setembro de 2004, e vale destacar a alta quantidade de jovens abaixo dos 15 anos que estava presente.

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O show começou às 19:40 com a abertura dos paulistanos do Holy Sagga. O som estava muito bom (fato que iria se confirmar durante toda a noite) e a banda (formada em 1994) tocou um Heavy Metal Melódico empolgante, extremamente competente. Fizeram um show curto, porém excelente com destaque para as músicas "Dagger Words" (presente no primeiro trabalho da banda, o álbum Planetude de 2002, e também no megaprojeto "WILLIAM SHAKESPEARE'S HAMLET") , para o cover do Manowar "Hail and Kill" e para a soberba versão de "Flight of Icarus", um dos eternos hinos do Iron Maiden. Incrivelmente, quando a banda começou a tocar "Flight of Icarus", pouquíssimas pessoas agitaram, pareciam desconhecer a música, talvez devido a faixa etária dos presentes, algo realmente constrangedor.

Após o Holy Sagga, um intervalo de 15 minutos e o Viper subiu ao palco. Os paulistanos têm uma história curiosa: foi a primeira banda de André Matos e, nos anos 80, eles lançaram dois dos melhores cds Brasileiros de Metal, o Soldiers of Sunrise e o Theatre of Fate (simplesmente obrigatórios para qualquer fãn de Metal). Após os dois trabalhos, André saiu da banda e os integrantes remanescentes, basicamente os irmãos Passarell, continuaram com a banda alternando bons e maus momentos com trabalhos deixando um pouco o Heavy Metal de lado e apostando em sonoridades mais variadas que iam desde o punk até um som mais pop que em nada lembrava o poderoso Viper dos anos 80.

Abriram o show com um dos maiores clássicos do Metal nacional: "To Live Again" do "Theatre of Fate", e conseguiram uma boa resposta do público. Daí para frente tocaram músicas de todas as épocas da banda: "Coma Rage", "Evolution", "Knights of Destruction", "I Fought the Law" (cover do The Clash) e fecharam com "Rebel Maniac". O público ora aplaudia (mais nas músicas antigas), ora vaiava a banda e pedia pelo Shaman (especialmente na cover do Clash). No final das contas o show foi correto e serviu como aquecimento para o que viria pela frente.

Mais um rápido intervalo, as luzes se apagaram, a cortina subiu e... um telão estava no palco na frente da bateria! Começa então um longo vídeo tirado do Ritualive, DVD que a banda estará lançando em breve, mostrando trechos da turnê do Shaman pelo mundo, momentos dos shows, bastidores, comentários sobre os integrantes, uma verdadeira análise sobre estes primeiros anos da banda que já faz parte da história do Metal nacional.

O telão sobe, e começa a bela introdução "Ancient Winds". Finalmente a banda entra no palco com a porrada "Here I Am". O público agitava sem parar e o Shaman correspondeu às expectativas tocando de forma impecável "Distant Thunder", "Time Will Come" (em uma versão simplesmente soberba, aliás essa música é o clássico do Shaman) e "For Tomorrow".

Uma bela introdução de teclado e começa a bela música "Ritual" seguida por "Fairy Tale", que tendo em vista a empolgação do público pode ser considerada a "Bard's Song" do grupo.

A partir daí começaram as surpresas que o Shaman havia preparado. Primeiramente, uma introdução de teclado bem familiar e a banda toca "Mr. Crowley" do mestre Ozzy Osbourne. Era o começo de um sensacional tributo ao mestre, onde André Matos fez um discurso aplaudidíssimo contra a palhaçada dos "Osbournes" e contra a MTV. A banda emendou em seguida com "Bark at the Moon", dois clássicos absolutos do Black Sabbath (e do Heavy Metal), "Sabbath Bloody Sabbath" e "Symptom of The Universe", "Crazy Train" com Hugo Mariutti inspiradíssimo na guitarra, e a sempre clássica "No More Tears". Foi uma justa homenagem ao homem que praticamente definiu os parâmetros do Heavy Metal e que anda sendo tão injustiçado pela mídia.

A banda saiu do palco e o telão desceu novamente, desta vez mostrando imagens do antológico show que serviu para a gravação do DVD e que contou com participações de Michael Weikath e Andi Deris do Helloween, além do Tobias Sammet, do Edguy, mentor do projeto Avantasia, e também do produtor e amigo da banda Sascha Paeth. O Telão mostrou na íntegra as versões de "Sign of The Cross" (do Avantasia) e de "Eagle Fly Free" (do Helloween) tocadas naquele show.

O telão sobe e o Shaman volta já emendando a música "Pride". As luzes se apagam e quando acendem, mais uma surpresa na noite: o Viper volta ao palco com o Shaman e as duas bandas começam a tocar "Living for the Night", a música mais conhecida do Viper na fase André Matos, que ganhou um instrumental belíssimo com três guitarras (Yves Passarell, hoje no Capital Inicial, também voltou para essa Jam).

Em seguida eles tocaram "Prelude to Oblivion" e a fantástica "A Cry from the Edge" (nunca achei que ouviria essa música ao vivo com o André nos vocais, foi soberbo), todas do "Theatre of Fate". Uma bela e justa homenagem ao Viper e a todos os fãs "das antigas" que estavam presentes no show.

As luzes se apagam, e a banda encerra o show com o clássico dos clássicos Carry On tocada de forma impecável (mas curiosamente sem a introdução "Unfinished Allegro"). Aliás essa foi a única música do Angra tocada na noite, o que mostra que a banda realmente quer esquecer um pouco o passado.

Um show maravilhoso de uma banda que está amadurecendo muito. André Matos é um frontman perfeito, sabe agitar a galera e canta muito. A cozinha formada por Ricardo Confessori e o eterno Luís "Jesus" Mariutti tem uma precisão sem igual e estão MUITO afiados. O tecladista Fábio Ribeiro, apesar de meio escondido, cumpriu muito bem o seu papel e foi perfeito em todo show. Mas o grande destaque da noite foi sem dúvida o guitarrista Hugo Mariutti. Atenção para este nome, fãs da guitarra, porque Hugo com certeza está trilhando o caminho para se tornar um dos melhores guitarristas brasileiros: ele tem talento, técnica, feeling, agressividade quando precisa e além de tudo tem uma excelente presença de palco, agitou o tempo inteiro e foi extremamente simpático! Quem acompanhou os primeiros shows do Shaman e vê sua performance agora, nota uma melhora absurda!

Finalizando, parabéns e obrigado ao Shaman por ter deixado a nossa noite de Domingo mais alegre! E que venha o segundo CD!




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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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