Resenha - Setembro Negro Festival (Led Slay, São Paulo, 06/09/2003)
Por Drustan
Postado em 06 de setembro de 2003
Previsto para começar às 20:00, esta 2ª edição do Setembro Negro teve seu início por volta das 21:00, tendo como banda de abertura os catarinenses do MALICE GARDEN.
Apesar da qualidade de som não estar das melhores, o grupo demonstrou muita garra, executando com precisão um Death/Black muito veloz, pesado e além de tudo dotado de muita técnica, com grande destaque para os vocais guturais, bem semelhantes ao de Dave Ingran, do BENEDICTION.
Depois se apresentaram os cariocas do AVEC TRISTESSE, que já de cara mandaram um cover de "Roswell 47" do HYPOCRISY, que seria perfeito se não fossem os teclados que a princípio estavam muito altos.
Solucionado este problema, deram continuidade a seu set, baseada em seu debut CD "Ravishing Beauty", com músicas que mostram um estilo bem particular, que varia desde o Black Metal mais veloz até partes mais atmosféricas, com vocais limpos e climas repletos de melancolia.
Depois de mais de meia hora acertando a regulagem dos instrumentos (pelo menos resultou numa melhora do som em relação aos seus antecessores), teve início a apresentação da banda de Black Metal mineira AGAURES.
Apesar da grande competência apresentada pelos integrantes em seus respectivos instrumentos e da execução precisa de seu Black Metal rápido e bem trabalhado, em minha opinião, assim como na de muitos lá presentes, a banda decepcionou um pouco um relação à postura de palco e no visual de alguns de seus integrantes.
Não que eu seja tão radical, mas penso que algumas coisas são inaceitáveis, principalmente em uma banda dita de Black Metal mas, enfim, há gosto para tudo...
Já com uma maior concentração em frente ao palco, a próxima atração a se apresentar foram as garotas do VALHALLA, que não deixando se intimidar em momento algum com os "elogios sexuais" proferidos por parte da platéia, detonaram um set perfeito, tocando sons do CD "Petrean Self" e do LP "... In The Darkness Of Limb", gravado em 1994.
Além de muito profissionalismo, demonstraram uma presença de palco marcante, principalmente a vocalista Carol, que berrava como se estivesse possuída por algum demônio.
Mesmo sendo um set curto, e marcado por um problema técnico durante uma música, quando o microfone da vocalista foi simplesmente "desligado", o que a banda apresentou foi o suficiente para sentir seu poderio ao vivo, ao contrário do que algumas pessoas comentam por aí (com certeza são alguns imbecis que se ofendem pelo fato de se tratar do "sexo frágil" fazendo um som de alto nível).
Depois de uma pequena pausa, sobem ao palco os americanos do AVERSE SEFIRA. Confesso que estava muito curioso para ver esta banda ao vivo e fiquei realmente impressionado com o visual e a presença de palco apresentada.
É incrível como eles conseguem ao vivo fazer de seu Black Metal ríspido algo ainda mais avassalador que no CD, principalmente a precisão e velocidade atingida pelo baterista The Carcass, que de tão rápido nos passava a impressão que suas baquetas possuiam vida própria!
O vocalista Sanguine se comunicava todo o tempo com o público, assim como o baixista Wrath, que inclusive em um de seus diálogos teceu duras críticas ao governo americano, finalizando por mandar um belo "Fuck You George Bush!".
A satisfação de estar tocando no Brasil ficou nitidamente visível no momento em que o vocalista exibiu com orgulho a Bandeira Brasileira, e ao final da apresentação, quando o baixista pegou sua câmera e bateu algumas fotos dos Bangers, que a esta altura se mostravam totalmente enlouquecidos e igualmente satisfeitos com o que acabavam de presenciar, ou seja, uma grande apresentação, comprovando o fato do AVERSE SEFIRA estar sendo considerado como um dos maiores (senão O MAIOR) representante do Black Metal da Terra de Tio Sam!
Depois de um intervalo de mais de 40 minutos para a preparação do palco, ao mesmo tempo em que a aglomeração se tornava mais e mais intensa, a ponto de ser impossível chegar mais próximo, eis que adentram, por volta de uma e meia da manhã, a grande atração da noite: Lord Ahriman e sua máquina de destruição denominada DARK FUNERAL, que foram aclamados clamorosamente pelos Bangers.
Assumindo em definitivo somente o posto de vocalista, que resultou numa movimentação no palco ainda mais assustadora, Emperor Magnus Caligula comandou por cerca de uma hora um verdadeiro massacre sonoro, provando que possui um dos vocais mais infernais dentro do Black Metal da atualidade.
Sem muita falação, apresentaram um set baseado em praticamente todas suas fases, começando com "The Arrival of Santan’s Empire", e prosseguindo com hinos como "Vobiscum Satanas", "Armageddon Finally Comes", "Open The Gates", "The Secrets Of The Black Arts" e outros, executados com extrema maestria.
Sem contar os clássicos "Hail Murder", "An Aprentice Of Satan" e "My Dark Desires", ocasião em que boa parte do público cantou junto com o vocalista, um momento que ficará na memória de todos que lá estavam presentes.
O DARK FUNERAL pode até não ter o mesmo carisma do AVERSE SEFIRA, mas impossível negar que sua apresentação beirou à perfeição, que com certeza transformou muitos que compareceram apenas como apreciadores em verdadeiros fanáticos pela horda!
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