Shaman: E o ritual finalmente chegou ao Rio de Janeiro

Resenha - Shaman (ATL Hall, Rio de Janeiro, 29/09/2002)

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Por Rafael Carnovale
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Fotos: Anderson Guimarães (Show do Rio de Janeiro)

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E o ritual chegou ao Rio. Depois de começar sua turnê mundial, com shows no interior do País e em São Paulo, o Shaman chegava para sua primeira apresentação na cidade maravilhosa. Um Atl Hall não muito cheio (cerca de 1800 pessoas) esperava ansiosamente pela banda.

A abertura coube aos cariocas do Allegro, que entraram em cena às 21 horas com "Sweet as Wine, Holy as Blood", de seu primeiro (e único) cd, seguida de "Enigma". A banda apresentou seu novo baterista, Fabiano Martins, e o vocalista Ilton Nogueira homenageou a também banda carioca SIGMA 5, vestindo sua camiseta durante boa parte do show. Levaram ótimas músicas, como "Stormy Nights", "Third Millenium", "As one Will Survive" (aonde Ilton vestiu a camisa de seu time favorito, o glorioso "Tabajara Futebol Clube") e um cover maravilhoso para "Eyes of a Stranger" do Queensryche. Embora o Allegro demonstre a competência de sempre, e a agitação total, boa parte da platéia permaneceu o show todo apenas observando, chegando à heresia de não reconhecer o cover do Queensryche (QUALÉ GALERA?), mas o Allegro deu conta do recado, se firmando como um dos grandes nomes do heavy nacional, embora o show tenha soado um tanto morno.

Uma rápida pausa para a preparação do palco para o show principal e somos brindados com o clipe de "Fairy Tale" nos telões do Atl Hall, com a belíssima Pietra Ferrari. Rapidamente a Intro "Ancient Winds" rola nas caixas de som e a galera se agita. E o Ritual começa. O Shaman entra com tudo com "Here I Am", seguida de "Distant Thunder" e "Time Will Come". Uma pausa para André saudar o público carioca e a banda toca "For Tomorrow" e o que aconteceu no show do Allegro se repete: parte da platéia fica apática, apenas observando. Para quebrar o clima a banda manda dois sons do Angra, que são recebidos com euforia pelo público: "Wings of Reality" e "Lisbon". A galera cantava junto e de longe notamos a competência do quarteto e do tecladista de apoio, Fábio Ribeiro. Hugo Mairutti consegue dar conta nas músicas do Angra com extrema competência, e Luís está mais solto no palco. Ambos fazem bons backings para André, que de longe é o destaque, com sua voz cada vez melhor e explorando timbres diferentes, desde o mais agudo ao mais rasgado.

Um solo de Hugo, muito bom por sinal, com interação com a galera foi a deixa para uma rápida "jam" com Ricardo e Luís, seguida de um solo de bateria curto, mas super eficiente de Ricardo, que dispensa comentários. Para fechar esse momento de total improviso da banda, emendam "Nothing to Say". Mas era hora de voltar aos sons do Shaman e "Over Your Head" invade o Atl, seguida do hit "Fairy Tale" que contou com Hugo na percussão e com a euforia da galera."Pride" e "Ritual" fecham a parte séria do show, já que o Shaman nitidamente busca sua identidade ao vivo. Afinal, são os primeiros shows com o cd lançado, e a banda não demonstra medo de recomeçar,tanto que André avisa que "Vamos tocar uma música setentista" e levam "Burn" do Deep Purple (e a galera de novo apática....) e "Living for the Night" (o "maiden brasileiro" segundo André) com a participação de Yves Passarel. Este foi o único momento negativo da noite. Yves estava totalmente deslocado e a música se extendeu por vários minutos, ficando entediante, valeu apenas pelo clima de festa.

André não se cansou de elogiar o público carioca, chamando o Rio de Janeiro de "A segunda casa do Shaman". Mas faltava alguma coisa e "Carry On" veio para esquentar a galera, que finalmente agitou como deveria (o que houve amigos cariocas????). Aí tudo virou diversão. André foi para a bateria, Ricardo assumiu a segunda guitarra e levaram "Paranoid" (com Luís no vocal,que, ao ouvir os insistentes pedidos por "Painkiller" avisou "se tocar Painkiller agora é a última!") e "Ace of Spades", com Luís incorporando o espírito de Lemmy (inclusive na inclinação do microfone!). "Painkiller", muito bem executada com apenas uma guitarra, fechou a noite.

Podemos ver que o Shaman ainda está acertando muita coisa no seu show ao vivo, mas a produção foi de primeira qualidade, com efeitos de laser perfeitos e explosões de "Glitter". Mas é uma atitude corajosa e digna de aplausos da banda, que não mostra medo de se divertir e procurar encaixar suas músicas ao vivo, sem renegar o passado. Mais alguns shows e o Shaman vai se tornar (se já não o é) uma das melhores bandas de heavy metal do Brasil.




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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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