Saxon: Poucos mineiros compareceram a um show histórico

Resenha - Saxon (Lapa Multishow, Belo Horizonte, 18/05/2002)

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Por Thiago Sarkis
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É complicado dar uma explicação lógica para a mudança de comportamento dos fãs mineiros frente à música pesada. Um estado com a fama e história de Minas Gerais no cenário metálico, e não só neste, mas também no rock progressivo, alternativo, entre outros, de maneira alguma pode se limitar à cerca de quinhentas pessoas em pleno sábado, num show de uma banda expressiva como o Saxon.

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Podemos alegar a falta de opções, o pouco incentivo e a hibernação pela qual passou a região durante anos de poucas apresentações e revelações, os quais foram acabar ainda recentemente, com um certo retorno de investimento no estilo. Todavia, nada que realmente justifique um público que pede incessantemente por eventos, e pula fora na hora "H" de comparecer e fazer jus a seus requerimentos.

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Por último, se alguém vier a reclamar da questão do preço dos ingressos, sinto ter que contradizê-lo, pois menos de vinte reais para um conjunto estrangeiro vai ser difícil de achar em qualquer canto do globo. Omissões à parte, vamos à apresentação, que é o nosso interesse factual.

Dá pra acreditar que o início do show foi condizente com seu horário previsto? Pois é verdade. O Allegro, banda de abertura, iniciou sua boa exibição antes do horário previsto, o que acabou possibilitando aos ingleses uma entrada por volta das onze da noite, e um set list longo, mas que poderia ter sido ainda maior.

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Logo às primeiras notas da introdutória "Prelude To War", os presentes mostraram uma energia capaz de suprir a ausência da facção omissa. Aliás, hora de abrir um parêntese e observar o efeito do Saxon ao vivo, que é algo de espantoso. Se você desmembra a imagem e o som, não consegue acreditar que aqueles já senhores, quase parados no palco - à exceção de Nibbs Carter, o mais agitado de todos – conseguem gerar alguma animação numa platéia. O fato é que eles produzem isso sim, e numa explosão de carisma e empolgação, deixam o tempo todo vidrados aqueles que comparecem às suas exibições.

Na seqüência o conjunto bretão detonou uma série de clássicos e também músicas novas, que soaram arrebatadoras ao vivo, infinitamente melhores que em suas versões de estúdio. Quase tudo rolando perfeitamente, com falhas apenas na terceira música, "Dallas 1PM", a qual passou um bom tempo sem vocais, já que o microfone de Biff Byford rateava incessantemente.

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Os timbres fabulosos encontrados por Paul Quinn e Doug Scarratt para suas guitarras ficaram prejudicados com a altura excessiva do som, por vezes visivelmente desregulado. Alguns solos, por essa causa, pareciam rasgados, verdadeiras britadeiras musicais literalmente falando.

Bom, mas volume máximo nunca foi problema e os fãs provaram isso, enlouquecendo com pancadas como "Killing Ground", "Dogs Of War", "Conquistador", "Heavy Metal Thunder", "Princess Of The Night", "The Eagle Has Landed", "Dragon’s Lair" e a cavalar "Metalhead". Sem falar nos emocionantes coros para "Broken Heroes" e "Court Of The Crimson King".

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Infelizmente o espetáculo terminou de maneira bem estranha. Depois de aproximadamente duas horas em cima do palco e um bis sensacional com "Wheels Of Steel", "Denim And Leather" e "Crusader", o Saxon se retirou novamente, porém com tudo em cima e aparentemente pronto para um novo retorno. Nada de roadies, músicas de fundo, luzes acesas, ou seguranças saindo de cima do elevado. Conseqüentemente, criou-se uma grande expectativa no auditório que, louco para ouvir ainda "747 (Strangers In The Night)", "Solid Ball Of Rock", entre outras, não se retirava e gritava o nome da banda. Contudo, após mais de cinco minutos de espera, numa provável decisão de última hora, os holofotes cegam os olhos, os profissionais começam a desmontar a bateria e arrumar o local, e uma maldita faixa do Rose Tattoo (com todo respeito que este excelente grupo mereça), é colocada no som pra animar a saída da galera. Resultado: fãs com cara de tacho.

Detonar uma apresentação de cento e dez ou mais minutos, na qual a carreira fantástica de um dos maiores expoentes da NWOBHM foi passada a limpo, é um absurdo. No entanto, que esse incidente poderia ter sido evitado e tudo ficaria ainda melhor a partir de então, isso sem dúvida alguma.

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Saxon – http://www.saxon747.com
Cogumelo Records – http://www.cogumelo.com




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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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