Bush: Em San Francisco, mais do que um clone do Nirvana
Resenha - Bush (San Francisco, California, 17/04/2002)
Por Bruno Romani
Postado em 17 de abril de 2002
Desde sua chegada ao sucesso, logo no primeiro álbum, o Bush sempre foi considerado por críticos e leigos (inclusive este que vos escreve) como uma cópia escarrada do Nirvana. Para reverter essa situação a banda teve que trabalhar duro; e o fez da maneira que as melhores bandas fazem: tendo excelentes performances ao vivo. Conscientes dessa fama e tendo recebido bem o último álbum da banda, os fãs do Bush lotaram o aconchegante teatro Warfield em San Francisco, Califórnia para poder acompanhar a "Golden Sate Tour".
A abertura da noite ficou por conta do fraquíssimo Default, mais uma dessas bandas da geração Creed. A resposta das pessoas para tamanho desastre foi o silêncio, talvez a reação mais temida e odiada por um músico. Para sorte de todos, o show terminou rapidamente deixando território livre para o Bush. Às 9:30 em ponto as luzes do teatro se apagaram, enquanto luzes roxas e azuis iluminavam o palco.
A estrutura do palco que contava com torres horizontais de luz começou a se mover, enquanto os primeiros acordes de "Solutions" podiam ser ouvidos. Para surpresa de alguns, o guitarrista Nigel Pulsford não entrou no palco. Ele está na Inglaterra junto de sua esposa que recentemente deu a luz a um menino, sendo assim substituído por Chris Traynor. A segunda música da noite e única representante do fraco álbum "The Science of the Things" foi o hit "The Chemical Between Us". Diga-se de passagem que música ao vivo essa canção ganha muito em qualidade.
O teatro já ardia em chamas quando Rossdale anunciou a quinta música da noite, "Everyting Zen". Nessa música o cara provou o porquê da boa fama de palco que a banda tem. Durante o meio da canção Gavin sumiu do palco, e, para surpresa de todos, apareceu no andar de cima do teatro, possibilitando assim uma chance para os fãs que lá estavam de ter um contato mais de perto. Ele terminou de cantar a música no segundo andar mesmo, guiando-se talvez pela boa acústica do local. Tudo isso feito sob os olhos cuidadosos de Gwen Stefanni, que aproveitou uma folga na turnê do No Doubt e resolveu ir para junto do namorado.
Na volta para o palco, músicas como "Greedy Fly", "Inflatable" (single mais recente) e "Superman" foram responsáveis para o mantimento da animação das pessoas. O ponto alto dessa primeira parte de concerto foram as execuções de "Machinehead" e "Comedown". A primeira ganha mais ainda em energia e chegou a empolgar até mesmo Gwen Stefanni, que até então vinha assistido a performance do namorado estaticamente. A segunda ganha em peso. O baixo do discreto Dave Parsons fez-se presente. Ao final do primeiro ato, quando tudo já era microfonia, Rossdale debruçou-se sobre seu amplificador Vox, tendo sua guitarra entre seu corpo e o mesmo, e simulou movimentos sexuais (era o que aparentava ser).
A volta para o bis começou com a leve batida eletrônica da intimista "Out of This World". Os teclados, até então desapercebidos pelo grande público e responsáveis por certa consistência e sofisticação no som da banda, finalmente fizeram-se notados. Enquanto isso, imagens no telão reproduziam os destroços do World Trade Center (pelo visto a cultura pop em geral não nos poupará disso tão cedo). O show teve seqüência com a ovacionada e também intimista "Glycerine". Esta porém ganhou um final diferente, com direito a baixo, bateria, bastante distorção na guitarra e um andamento mais rápido em sua batida.
Isso foi o suficiente para injetar novo ânimo nas pessoas, que logo em seguida teriam "Swallowed" pela frente. Depois desta, Rossdale largou a guitarra e passou a portar apenas o microfone em mãos até o final do concerto. O Bush executou o cover "Just What I Needed" do The Cars. O refrão final foi usado pelo o vocalista para declarar-se a Stefanni. Enquanto cantava "You are Just What I Needed", Rossdale apontava para a vocalista do No Doubt, que estava no andar de cima do teatro e sorria com o gesto de carinho do namorado.
Após tudo isso, ainda houve tempo para a derradeira canção. "Little Things" foi tocada de maneira insana, com o batera Robin Goodridge descendo o braço em sua DW, Rossdale indo de encontro a platéia, e Parsons and Traynor empolgando-se tanto quanto o público. Despedida melhor não poderia haver. Se havia ainda alguma dúvida sobre as qualidades do Bush em cima do palco, estas foram desfeitas logo após o último acorde do grande show. Empolgação e energia não faltaram. Vida longa à cópia escarrada do Nirvana.... digo, vida longa ao Bush!!! E esqueçam dessa história de cópia escarrada…
SET LIST
-Solutions
-Chemical Between Us
-The People That We Love (Speed Kills)
-Head Full of Ghosts
-Everything Zen
-Insect Kin
-Greedy Fly
-Inflatable
-Superman
-Machine Head
-Comedown
Bis
-Out of This World
-Glycerine
-Swallowed
-Just What I Needed (The Cars Cover)
-Little Things
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