Não gostar do "Black Album" é uma coisa, negar sua importância é outra
Por Mateus Ribeiro
Postado em 22 de agosto de 2026
No último dia 12 de agosto, o disco autointitulado do Metallica, também conhecido como "Black Album", completou 35 anos. O trabalho em questão serviu como minha porta de entrada para o mundo da música pesada, no final da longínqua década de 1990, quando eu ainda era um jovem rapaz.
Metallica - Mais Novidades
Do riff marcante de "Enter Sandman" ao clima sombrio da intensa "The God That Failed", passando pela atmosfera épica que permeia "The Unforgiven", tudo nesse registro me encantou. E continua me encantando, mesmo que, depois que me tornei fã de metal, eu já tenha ouvido, seguramente, mais de mil bandas.
O Metallica e seu álbum homônimo possuem um lugar em meu coração. Por outro lado, existem pessoas que encaram o lançamento com menos entusiasmo. Há algumas, inclusive, que apontam o título como uma espécie de último ato do quarteto.
Enquanto "Black Album" aposta em uma sonoridade acessível e cadenciada, os seus antecessores são pautados por composições velozes e frenéticas. Uma parcela radical dos fãs não digeriu muito bem essa mudança.
Compreendo perfeitamente quem prefere a fase mais pesada do Metallica. Para falar a verdade, meu disco favorito da banda é "...And Justice for All" (1988). Ainda assim, uma preferência pessoal não me impede de reconhecer a importância e a qualidade de um disco que ajudou a mudar a história do heavy metal.
"Black Album" emplacou hits atemporais, caso da balada "Nothing Else Matters", que ultrapassou 1,5 bilhão de reproduções tanto no Spotify quanto no YouTube. "Enter Sandman", por sua vez, passou de 2,2 bilhões de plays no Spotify.
Por falar em dados impressionantes, "Black Album" vendeu cerca de 30 milhões de cópias. Tal número coloca "Metallica" como o disco mais vendido da história do heavy metal. Naturalmente, nem tudo se resume a estatísticas. Mas dificilmente uma obra ruim alcançaria tantas pessoas.
Apesar de todas as credenciais apresentadas, "Black Album" não é unanimidade, o que é natural, pois cada um tem suas preferências. No entanto, por vezes, algumas críticas direcionadas ao disco soam desmedidas, na falta de um termo mais ameno. Uma delas, que li esses dias, me chamou a atenção.
Enquanto navegava pelo insalubre universo das redes sociais, cheguei a uma postagem dedicada a "Black Album". Mesmo sabendo que poderia ler algumas atrocidades, resolvi abrir a caixa de comentários. Eis que vejo um perfil se referindo ao trabalho como "fraco".
Cada um gosta do que bem entende, mas vamos aos fatos: "Black Album" mostrou que o metal poderia flertar com o mainstream. Gostar ou não é opcional, mas tachar o disco de "fraco" ou negligenciar seu impacto beira o absurdo do negacionismo.
Vale citar que "Black Album" é reverenciado não apenas por fãs, mas também por músicos. Entre eles, estão Bill Ward, baterista original do Black Sabbath, e Kerry King, guitarrista do Slayer. Em uma busca rápida pela internet, é relativamente fácil encontrar artistas de diferentes estilos elogiando "Metallica".
No fim das contas, não vejo problema algum em alguém dizer que prefere "Master of Puppets" (1986), "Ride the Lightning" (1984) ou qualquer outro trabalho do quarteto. O que me parece exagerado é tratar "Metallica" como um trabalho menor simplesmente porque sua sonoridade se afastou daquilo que o conjunto fazia antes.
"Black Album" não precisa ser o seu favorito do Metallica. Mas, depois de 35 anos, talvez seja a hora de deixar o radicalismo de lado e simplesmente admitir que se trata de uma obra revolucionária, que qualquer banda gostaria de ter em sua discografia, até mesmo aquelas desconhecidas que os fãs "true" defendem com unhas e dentes.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
Os dois guitarristas britânicos que dominaram o blues, segundo Slash
Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
A canção que Renato Russo escreveu e a Legião Urbana preferiu esconder do público
Mastodon se pronuncia sobre ação movida por espólio de Brent Hinds
Elton John mantém tradição de tocar hit que "só é conhecido no Brasil" com show no Rock In Rio
O melhor baterista de todos os tempos, segundo Lito Sousa, do Aviões e Músicas
Angra celebra a força dos palcos em novo videoclipe de "Lisbon"
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
10 músicas de rock e metal diretamente inspiradas pelo 11 de setembro
A música que coloca Elton John no topo do Rock in Rio 2026, segundo Estadão
Rafael Bittencourt explica por que o Angra voltou a olhar para a fase Andre Matos
Mike Portnoy relembra álbum do Dream Theater que traz Torres Gêmeas em chamas na capa
Palheta de ouro de "Dark Side of the Moon", do Pink Floyd está à venda por R$ 32 mil
A tocante opinião de Bill Ward sobre "Black Album", do Metallica
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer
Os 2 membros do Metallica que planejaram outra banda no auge do "Black Album"
A banda de metal que Slash colocou acima das demais e chamou de "obrigatória"
Kirk Hammett defende os piores discos: "uma discografia perfeita deixa as pessoas entediadas"
Scott Ian achava que o Metallica já era gigante no início da carreira
Lars Ulrich relembra como foi o primeiro encontro do Metallica com o Iron Maiden
A banda que fez James Hetfield lembrar do vocalista que o Metallica tentou contratar
De Sepultura a Madonna, os melhores discos lançados em 1986, segundo Scott Ian
Os Headbangers não praticantes
Rock, Pop, Jazz, Metallica, Lulu: Quando o radicalismo cega


