Alice Cooper revela quando se deu conta de que não era Alice Cooper
Por João Renato Alves
Postado em 01 de outubro de 2026
Durante entrevista ao Telegraph, Vincent Furnier falou sobre o momento em que seu conta de que não era a mesma pessoa que seu alter ego, o famoso Alice Cooper. Mais do que isso, o artista precisou reconhecer que era o real culpado por seus vícios para conseguir se manter sóbrio, como está há 43 anos.
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"Eu era uma espécie de Dean Martin do rock and roll. Nunca fui o bêbado insuportável. Estava sempre naquele estado de euforia agradável e sabia como mantê-lo. O problema é que era constante. E, logo, seu corpo avisa: 'Ei, estamos em apuros aqui', e foi isso que aconteceu. Comecei a vomitar sangue, e é aí que você percebe que não está no controle."
Mas o álcool não foi a droga que causou mais danos. O astro do rock começou a usar cocaína depois de lhe dizerem que ela não viciava se fosse fumada. "Isso foi bem no início do crack, que é de longe a droga que mais vicia. Foi isso, na verdade, que quase me matou."
A solução, após estabilizar os aspectos físicos, foi procurar um psiquiatra. Especialmente depois que sua esposa, Sheryl – com quem está até hoje –, ameaçou expulsá-lo de casa.
"O psiquiatra fez uma observação interessante. Ele perguntou: 'Quanto você bebe no palco?' Respondi: 'Eu nunca bebo no palco'. Aí ele disse: 'Bom, e quando você está no estúdio, quanto bebe?' Falei: 'Não bebo no estúdio'. E ele concluiu: 'Então o problema não é o Alice. É você'. Não é o monstro - é o médico quem está em apuros. E eu nunca tinha pensado nisso dessa forma, porque Alice era um personagem fácil de se depositar toda a culpa."
Sendo assim, Furnier propôs uma reflexão sobre o nosso trabalho não representar necessariamente quem somos. "As pessoas dizem que são carpinteiras, engenheiras ou qualquer outra coisa. Não, isso não é quem você é. É o que você faz para ganhar a vida. Alice Cooper é o que eu faço para ganhar a vida. Não sou ele. Ao colocar isso em perspectiva, você passa a ter uma visão muito mais saudável de quem é de verdade. Hoje consigo interpretar Alice com um certo tom de brincadeira e me divertir muito. Mas ser o Alice Cooper é apenas algo que faço. Não é quem eu sou."
"Devil on My Shoulder", autobiografia da dupla Vincent Furnier e Alice Cooper, sai no próximo dia 8 de outubro – na versão em inglês. Na obra, o músico promete um relato honesto sobre como as duas personas se completam, revelando tanto o lado bom quanto o ruim.
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