Bandas que perderam integrantes: O cara saiu, e agora?
Por Marcio Machado
Fonte: Marcio Machado
Postado em 12 de fevereiro de 2020
Após o lançamento do disco Quadra do Sepultura o que muito é falado é "esse não é o Sepultura, Max Cavalera é o rei supremo". O mesmo que vemos é, "Mike Portnoy não é mais o baterista do Dream Theater e nada do que Mangini fez é equivalente", "Joey Jordison não está mais no Slipknot e Jay Weinberg é um Zé Ninguém que erra todas as notas", e em casos até extremos, "Jerry Cantrell deveria mudar o nome do Alice in Chains sem Layne Staley". Afinal de contas, a pessoa se apega à banda ou ao integrante, seria assim tão impossível de se aceitar um novo chegado ou uma sonoridade que soe diferente, mesmo que mantendo sua identidade?
Sabemos que em todos os casos citados ali e outros demais há um vínculo da história da banda com o indivíduo, mas em casos como Portnoy e os Cavalera, ambos optaram por saltar do trem no meio do caminho, seja lá por quais razões foram, o fato é que suas saídas foram de livres vontades. Então seria direito os demais optarem por abandonarem este mesmo barco e deixar ele sumir no rumo do tempo em prol de uma vaidade fanática? Pois, analisando os dois casos em específico, ambas as bandas seguiram sua estrada, mesmo que no início à alguns trancos e barrancos para ajustes normais para depois engrenarem. É claro que também com a vinda de novas pessoas, estas carregam outras experiências, seus instrumentos soaram de uma forma diferente, mas isso seria somente um comodismo do fã ou até mesmo um egoísmo ao ver seu ídolo abandonar sua banda favorita?
O Sepultura já está no seu quarto candidato ao posto das baquetas, Eloy Casagrande é o cara da vez e mostra o porquê de ser escolhido para o cargo, ao estampar que é um dos melhores bateristas da atualidade, mas aos fanáticos da outra formação, dizem que o mesmo sempre soará como uma cópia do original. O mesmo se aplica à Mangini que mesmo lançando dois álbuns muito bons (o homônimo e o ótimo Distance Over Time) ainda o comparam ao antecessor e jamais chegaria à ser próximo dele ou quiçá lançar um disco que seja melhor do que a fase que o antecede. As comparações de William DuVall que trouxe suas próprias qualidades ao Alice in Chains nunca será nada comparado à Staley.
Vemos nesses casos todo uma forma de saudosismo que impede o espectador de incorporar o novo e nem muito menos o degustar os novos ares da sua banda favorita ou o grupo de seu ídolo maior. Tais atos acabam por degrenir um artista de uma forma barata e sem muitos argumentos que de fato se encaixem no trabalho que está sendo produzido. Esta mesma meia dúzia de "metaleiros donos da verdade"(famoso caga regras) que por ouvir a banda desde os anos 80 da o direito à frente de qualquer outro de ditar como se deve ouvir a banda, como se a mesma precisasse do aval desses mesmos para tocar ou não. Caso muito interessante que podemos ressaltar aqui foi quando John Corabi se juntou ao Motley Crue, lançando o homônimo da banda que é se não menos que o melhor disco da banda já registrado até hoje, mas se distanciava daquela farofa dos anos 80 e ninguém aceitou que a banda pudesse trilhar uma nova sequência.
Pessoas crescem, evoluem, há transição em todos os momentos e isso reflete nos seus trabalhos. Em músicos isso é algo visivelmente notado, os anos passam, eles crescem, se tornam pais, chefes de famílias e isso irá ser espelhado no que faz, porém, ao contrário disso, os fãs parecem nunca saírem da sua década dos 20 anos e acreditar por todos os santos do universo que suas bandas devam seguir a mesma atitude e qualquer curva fora disso é uma crucificação moral que recai sobre os mesmos que assombra à qualquer um com um mínimo de bom senso e que de fato goste de um determinado rumo.
Não, você não é obrigado à aceitar a nova fase de uma banda, você não é obrigado a nada. Mas ao tentar tecer uma crítica sobre isso, pense que aquela mesma banda teve uma pedrada maior que a sua com a separação de um membro, mas não se entregaram e criaram uma nova história e não escolheram um qualquer, existe ali um porquê de aquele humano estar ali. Dê uma chance, respeite a história passada e se abra ao novo, você pode estar de fato perdendo algo muito bom por uma vaidade simples e barata.
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