Questão educativa: Sociedade, sua raça louca!

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Por Normando Oliveira, Fonte: Questão Musical
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Quem já parou para assistir um dos filmes mais incríveis de 2007, intitulado Into the Wild (Na Natureza Selvagem), de Sean Penn? Creio que seja raríssimo encontrar quem não o viu ou sequer tenha ouvido falar sobre essa obra.

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Fazendo uma breve sinopse, o longa se inspira em uma história real e retrata acontecimentos do início da década de 90, quando Christopher McCandless (interpretado por Emile Hirsch), um jovem recém-formado, decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da liberdade, passando pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia, conhecendo pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas, sendo o seu objetivo maior a chegada ao Alasca.

Ok, um filme fantástico, mas o que isso tem a ver com a música, tema central deste blog e, de quebra, qual a questão educativa em cima disso tudo?

Aí é que entra a genialidade de uma das canções da trilha sonora do disco, a belíssima Society, escrita por Jerry Hannan, mas imortalizada na voz de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, que fora convidado por Sean Penn para compor a trilha sonora oficial do disco, tendo a liberdade de acrescentar algumas canções não autorais, como é o caso de Society.

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Essa canção nos faz refletir sobre valores que nos cerceiam e com os quais concordamos ou, muitas vezes, menosprezamos.

Oh, it's a mystery to me
We have agreed with which we have a greed
And you think you have to want more than you need
Until you have it all you won't be free

Os versos iniciais já nos colocam como seres humanos sedentos pelo consumismo, incapazes de controlar aquilo que somos capazes de fazer quando desejamos algo (ou até mesmo alguém). Agimos quase que com um instinto animal, por vezes de forma inconsciente, como se estivéssemos presos em gaiolas e só essa conquista seja capaz de nos dar a verdadeira liberdade da qual necessitamos.

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When you want more than you have
You think you need
And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
Because when you have more than you think
You need more space

Mais ênfase ainda é dada à questão da incontrolável ganância, pois em grande parte das situações o ser humano busca até mesmo o que não precisa, chegando ao ponto de surtar se não conseguir. Por vezes isso não se reflete apenas na obtenção da conquista material, mas também na ânsia de ser percebido em um grupo, ter todo o espaço sob seu domínio absoluto, quando muitas vezes são incapazes de dar conta de tarefas mais triviais.

There's those thinking, more-or-less, less is more
But if less is more, how you keeping score?
Means for every point you make, your level drops
Kinda like you're starting from the top
You can't do that

Nesse trecho entra a questão da humildade, ou como queiram, na questão do minimalismo, quando ouvimos dizer que "menos é mais", ou seja, nos pequenos gestos estão as grandes conquistas, o que traz certa verdade, adentrando na questão de que "aqui se faz, aqui se paga" ou de que "quem aqui planta, mais adiante colhe", mas tal teoria não adentra na mente de muitos, uma vez que estes se confundem, imaginando que se "menos é mais", então alguma ação maior seria, de forma inversamente proporcional, uma descida, uma queda de nível, uma perda de pontos, impedindo que o ser humano se mantenha equilibrado no controle de suas ações e reflexos positivos delas em si mesmo. E como é impossível iniciar do topo, tendo uma vantagem considerável, então essa teoria de humildade seria inválida.

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Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me
Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me

A canção traz em seus refrões um discurso direto entre o eu lírico e a sociedade na qual ele vive, quando ele se vê diante da loucura que é viver em sociedade, se adaptar a pessoas, hábitos, objetos, regras e proibições, chegando ao ponto de pedir perdão a ela, de forma irônica, caso não consiga atingir tal feito, implorando misericórdia no julgamento que possa vir a sofrer, mas plantando a dúvida na "mente da sociedade" se, após sua partida, ela quem, talvez, não consiga viver sem ele, uma vez que ele quer ser lembrado pelo seu heroísmo: esplêndido!

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No filme existe uma série de canções maravilhosas, mas quando a voz de Eddie começa a ganhar espaço em Society, a respiração trava, os olhos marejam e é impossível não se cantar junto, porque cada situação vivida pelo personagem, cada nova amizade conquistada, cada dificuldade passada, cada injustiça sofrida, cada surpresa recebida, enfim, cada detalhe dentro da obra acaba refletindo em nós mesmos. É inevitável que não paremos e pensemos:

- O que porra fazemos neste Mundo? Será que eu preciso de tudo isso para viver? Onde estão as pessoas que mais amo, para que eu possa abraçá-las agora? Como eu faço para dizer a aqueles que se foram, o quanto eu ainda os amo?

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