Chris Cornell e do Chester Bennington: Sobre as reações às mortes

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Por Rodrigo Contrera
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Antes de mais nada, deixem-me ressaltar que este é um site colaborativo, e que, tirante alguns editores contratados, todos os que escrevem aqui o fazem totalmente sem remuneração, e de boa vontade. Claro, sempre há e haverá quem considere haver algum critério maior, tirante o mérito, que faz com que alguém publique mais ou seja mais lido, mas isso, pelo que sei, é descabido. Eu mesmo só comecei a publicar aqui porque quis, sabendo das regras da casa.

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Irei aqui, contudo, abordar um fenômeno que surge no Whiplash com que alguns não se dão muito bem, que é a liberdade, a meu ver irrestrita, com que as matérias são comentadas e recomentadas por quem não gosta. Sob um ponto de vista bastante pessoal, que tem se tornado comum, que é dos comentários de notícias ou matérias que abordam roqueiros queridos por muitos (ou alguns), recentemente falecidos, em circunstâncias trágicas (refiro-me a Chris Cornell e Chester Bennington).

Eu mesmo publiquei artigos a respeito, e de forma geral não sofri muitos ataques pela minha forma de encarar os assuntos. Mas já outras matérias, seja pelo momento em que surgem publicadas, seja pelo tom que adquirem na hora ou com o tempo, passam ora a ser fruto de muitos elogios, choros ou encômios, ou, de outra parte, passam a sofrer ataques bem-humorados de gente que parece não estar nem aí para a dor dos outros. Há quem comente de forma ácida, outros querendo atingir os fãs da banda, e outros até publicam memes que para alguns podem ser de mau gosto, já outros riem às gargalhadas.

Ocorre que, como em qualquer situação, há o momento do choque, há o momento da reflexão, há o momento em que aquilo parece demais, e há o momento em que tudo parece meio que encher o saco. Pois é curioso como aqui, ao lerem as matérias, muitos não se dão conta disso. E também não se dão conta de que, como site colaborativo, o Whiplash vive dos cliques, então se por um lado pode encher o saco de quem não quer mais ouvir falar da morte de alguém, por outro lado serve de meio de informação de quem quer saber mais sobre a triste morte de seu ídolo.

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Eu mesmo, quando publico algo relativo a assunto desse tipo, tento corresponder ao momento, refletindo - do meu jeito - naquilo que está acontecendo e em todo o drama envolvido, de preferência falando algo de meu caso pessoal. Já outros preferem se ater ao noticiário curto e grosso, e aos outros resta comentar os comentários de gente famosa a respeito. Em todos esses casos, e momentos, há o momento de compartilhar o sofrimento, outro de olhar com maior distância, outro de olhar com desconfiança, e mesmo aquele momento - de defesa emocional - em que nos metemos a rir de piadas a respeito. Quem não se lembra de quando o Ayrton Senna morreu? Eu me lembro. Estava num campeonato de karatê, tudo ficou calmo, e de repente o mundo continuou. Lembro-me também das dezenas de piadas que surgiram a seguir, como contraponto à dor da morte do piloto, que chocou a quase todos, ou mesmo a todos. O episódio virou até parte de uma peça de teatro minha. Pois todo mundo que eu conheço (e que estava vivo naquela época) lembra muito bem de onde estava quando o Ayrton Senna morreu.

Ocorre, porém, que muitos fãs ficam revoltados com a reação que alguns caras, que não gostam, não gostavam e na verdade parece que odiavam a banda, parecem reservar à morte de gente como Cornell e principalmente Chester. Ficam tão revoltados que se metem a xingar os caras, falando que os sujeitos não têm compaixão, que brincam com algo sério demais, e coisa e tal. Mas eu, que já vi bastante morto na vida, como repórter, que já corri risco de morte pelo menos duas vezes, e que sei que tem tempo para tudo, acho que reações de tamanho ódio são exageradas. Caras, por vezes até converso com esses caras que espinafram o noticiário em inbox, e noto que eles têm motivos para aquilo. Ora acham que as pessoas choram demais por cantores, quando não ligam para suas famílias; ora acham que é perda de tempo chorar por alguém que provavelmente não estava nem aí para a própria família quando se matou; ou simplesmente acham que já deu.

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Uma vez, lembro-me bem de que uma pessoa aqui do site me disse que eu deveria ficar feliz porque os comentários às minhas matérias até que eram bons e comedidos. Logo depois, meio que para contradizer isso tudo, surgiram alguns sujeitos que encanaram com minha pessoa e que passaram a me perseguir no site, falando merdas sem fim; tudo bem, caras, eu simplesmente bloqueio e ponto. Mas eu também passei a comentar aqui e acolá, e a ser chamado de sem sentimentos por rir a respeito de determinadas coisas que atingem outras pessoas mais profundamente. Mas creiam-me, eu faço isso simplesmente porque aqui - e é um dos grandes méritos do Whiplash - a gente pode realmente falar o que quiser. E porque realmente de vez em quando eu quero simplesmente desabafar. Por outro lado, não por isso eu mereço ser xingado até não mais poder. O diálogo é uma forma, talvez a melhor, para o crescimento e autoconhecimento. Não peguem assim tão pesado uns com os outros. Isto é quase um chat em que podemos falar daquilo que mais nos toca. Uma puta conquista.

Este é o primeiro dos artigos que irei falar sobre os comentários que são jogados aqui, no Whiplash. Este meu comentário é quase uma bandeira branca, uma espécie de ato para que nos conheçamos e reconheçamos melhor. Uma espécie também de chamado para o bom humor, porque, convenhamos, não aguento mais ler tanta coisa sobre suicídio desses caras que pareciam ser muito legais, o Cornell e o Bennington. Outros, por outro lado, ainda sofrem, e compartilho das suas dores, se querem saber. Mas não levem tão a ferro e fogo as brincadeiras. Este lugar é o lugar em que nos encontramos e falamos nossas merdas. Aprendamos a ser mais tolerantes com elas - sejam nossas ou dos outros.




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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.

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