Metal brasileiro: Os verdadeiros heróis do Heavy Metal

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Por Richard Navarro, Fonte: BMU / ASE Press Music
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Quem diria que um dia um brasileiro viraria guitarrista do Megadeth? Quem diria que um dia uma banda brasileira fosse lotar uma arena no Japão? Quem diria que bandas da pacata Minas Gerais se tornariam referências para ícones do Thrash e Metal extremo mundial? Por mais pagodes, sertanejos universitários e funks que a grande mídia continue enfiando goela abaixo do "povão", o Brasil é ainda sim um celeiro de Heavy Metal. Muito além de Sepultura, Sarcófago, Angra e Krisiun, a verdade é que existem vários outros grupos e músicos emergentes desbravando e levando a bandeira do Metal brasileiro aqui e pelo mundo afora.

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Bandas como Hibria e Nervosa, só para citar alguns exemplos, estão pavimentando sua carreira no exterior, até já bem mais consolidadas que por aqui. Outras como Noturnall e Shadowside apostam em incluir integrantes gringos em sua formação, para talvez agregar status e possibilidades ao grupo, vide estratégias adotadas por grupos brasileiros mais conhecidos. Já o Soulfly ou o Cavalera Conspiracy, dos irmãos Cavalera, continuam sendo parte do nosso Metal lá fora.

Ao mesmo tempo, alguns músicos trilham esse caminho de forma "solitária", e o exemplo mais atual e conhecido seja o 'guitar hero' brasileiro Kiko Loureiro, hoje no Megadeth, conquista mencionada no primeiro parágrafo deste artigo. Outro que galga uma carreira internacional há um tempo é seu ex-companheiro de banda Aquiles Priester, que já chegou a acompanhar músicos como Tony McAlpine, fazer teste no Dream Theater, e ser, por algum tempo, anunciado como baterista oficial da banda alemã Primal Fear.

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Temos músicos brasileiros chamando a atenção e atuando de bandas em todas as partes do mundo, como Bill Hudson (Trans-Siberian Orchestra, Jon Oliva's Pain, Circle II Circle), Marcelo Moreira (Circle II Circle/EUA), Carlos Zema (Immortal Guardian/EUA), BJ e Edu Cominato (Jeff Scott Soto/EUA), Rodrigo BVevino (Last Joker, Abaddon, ex Avenger/UK), Simon Daniels (Autograph/EUA) e Dario Seixas (Firehouse, Jack Russell's Great White, Stephen Pearcy/EUA). Temos também aqueles que não estão atuando no exterior neste momento, mas já deixaram sua marca por lá, como Fabricio Ravelli (ex Hirax/EUA), Carl Casagrande (ex Stormborn, Dangerous Breed/UK) e Davis Ramay, que já acompanhou nomes como Joe Lynn Turner, Tony Martin, John Lawton, Ted Poley e Paul Di'Anno.

Já o vocalista Gus Monsanto, foi um dos primeiros a batalhar uma carreira no exterior. Atuando fora do Brasil desde 2001, já passou por bandas como Adagio (França), Revolution Renassaince (Finlândia) e Takara (EUA). No momento, faz parte do Human Fortress (Alemanha), com quem acaba de lançar seu segundo álbum, está em turnê com a Grand Media Blackout (França) e ainda está envolvido em um novo projeto (ainda sem nome) ao lado de Rolf Pilve, baterista do Stratovarius, em Helsinki (Finlândia).

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Outro que vem despontando lá fora é o vocalista carioca Rod Rossi, que acaba de voltar de sua primeira tour na Europa, que durou 15 dias, acompanhando o compatriota Edu Falaschi. Rossi, que seria apenas um "convidado especial" da turnê de comemoração dos 25 anos de carreira de Falaschi, e iria de quebra promover em caráter de pré-lançamento seu álbum de estreia, "Rec/All", se transformou num dos protagonistas do "Metal for Kids United". Trata-se de um importante festival beneficente na Itália, que contou com a presença de Fabio Lione (Angra/Rhapsody), Aldo Lonobile (Secret Sphere), Andrea Torricini (Vision Divine) e outros dos maiores nomes do Metal italiano. "Eu não estava escalado para o show, mas após cantar uma música no ensaio geral para ajudar a produção, eles me pediram para participar do evento. Além disso, o vocalista americano Brian O'Connor, ex-Vicious Rumors, também me convidou para participar com ele em uma música", explica o vocalista brasileiro.

O próprio produtor do festival, Faber Troy, endossou o talento do até então anônimo vocalista brasileiro: "Rod não fazia parte dos planos e foi uma grata surpresa quando nós o conhecemos durante os ensaios na véspera do show. Brian O'Connor tinha curtido tanto o Rod que o convidou pra cantar a 'Electric Eye', do Judas Priest, com ele. Rod foi uma surpresa incrível para todos os presentes naquele estúdio, porque os dois estavam fazendo uma versão devastadora do clássico do Judas Priest! Logo ficou muito claro pra mim, e para o Brian, que nós queríamos que ele estivesse no palco com a gente. Ele também cantou a 'Rising Force', do incomparável Yngwie J. Malmsteen em dueto com o vocalista da Timestorm. Nós não poderíamos deixar tanto talento fora daquele palco. Eu acho que o público adorou a performance dele e, com certeza, se surpreenderam. Foi uma grande descoberta para todos, e todos os artistas o receberam muito bem no backstage".

Então, me pergunto: Com tantos músicos e bandas promissoras num país de dimensões continentais como o Brasil, se houvesse mais espaço e apoio da mídia...

Será que o público de uma forma geral se interessaria, valorizaria e apoiaria mais as bandas nacionais como um todo, não apenas aquelas mesmas duas ou três (excelentes por sinal) de sempre?

Será que este mercado já estaria mais "e$truturado" e nossos músicos e bandas conseguiriam viver de Heavy Metal no nosso próprio país?

Será que existiriam mais profissionais (não aventureiros) da área, empresários e produtores investindo e mais casas de shows e eventos abrindo as portas para "bandas nacionais" de Metal?

Será que esta "exportação" e intercâmbio de músicos brasileiros seriam ainda mais acentuados?

Será que bandas como Sepulttura e Angra (a exemplo da primeira), ao invés de terem recrutado um frontman gringo, teriam se (e nos) dado a chance de revelar um novo talento brasileiro ao mundo?

Ou ainda,

Será que "a maioria" das nossas bandas continuaria investindo no paradigma do idioma inglês, ou, a exemplo da forte cena metálica em países como Argentina, Espanha e França, haveria mais bandas adotando nosso idioma natal nas músicas?

Mas como todos "serás" são hipotéticos, para não dizer (ainda) utópicos, são perguntas muito relativas (ou óbvias) para se responder...

Certa vez, durante um trabalho de produção com o Kiko Loureiro, que estava de passagem pelo Brasil, após um tempo morando na Finlândia, ele me confidenciou que naquele pequeno e gélido país nórdico, o Heavy Metal "era a música popular". Chegou a me dar como exemplo que bandas como Stratovarius e Nightwish apareciam em programas populares como "Hebe", que, quando ele falou isso, ainda estava viva. Talvez também por coisas desse tipo, um país tão pequeno tenha revelado essas e tantas outras bandas relevantes ao mundo.

Em alguns países como Alemanha, o estudo da música faz parte da grade curricular das crianças, tal como matemática, biologia ou qualquer outra matéria obrigatória. Já aqui no Brasil, quem decide aprender música, sobretudo Heavy Metal, tem que "fazer o corre" por conta própria. Na raça! E digo mais, como o estilo não é "comercial" por aqui, todo mundo que faz Metal no Brasil o faz motivado por pura paixão!

Alguns fãs de pensamento mais raso poderiam temer que a "popularização" do Metal no nosso país banalizasse seu estilo de cabeceira, mas com certeza muitos dos nossos músicos iriam preferir "se apresentar no Gugu" e poder viajar pelo Brasil e pelo mundo tocando "Metal universitário" (que seja), que trabalhar 8 horas por dia numa profissão que odeia para, nas horas livres, se dar ao luxo de ter o Metal como "hobby". Ou ainda, como "esperança", que os mais céticos classificam como mera "ilusão".

Seja como for, acredito que a grande maioria iria preferir ver uma criança bangeando ao som de um "Heavysaurus" (por acaso também da Finlândia, com franquia na Argentina), que cantando baixarias e fazendo dancinhas sensuais ao som do funk de um "MCfudeu" qualquer. Preconceitos ou preferências musicais à parte, sempre ouvi dizer que "funk não é música" e que "quem ouve Metal costuma ter o cérebro mais desenvolvido".

Desculpe, mas aquela história de que "tamanho não é documento" se aplica ao nosso gigante Brasil. Não adianta um país de "dimensões continentais" (novamente), se preocupar tão pouco (ou nada) com a educação e cultura dos nossos pequeninos, que, entre outras coisas, ficarão a mercê da nossa "música popular brasileira" até que alguns deles tenham a sorte de ter um amigo (como eu e muitos de nós tivemos) que os mostre que existe uma coisa chamada Metal, e que isso sim é arte, paixão e música de verdade.

Por tudo isso, sempre fui, sou e continuarei me declarando um eterno fã e admirador dos nossos músicos e bandas de Heavy Metal nacionais. Vocês, músicos de Heavy Metal brasileiros são "os verdadeiros heróis do Metal"!




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Sobre Richard Navarro

Jornalista e Produtor de Eventos, responsável pelo festival ¨BMU¨ (Brasil Metal Union) e o antigo fanzine Heavy Melody. Foi co-fundador da Brasil Music Press, e por muitos anos colaborador oficial da revista Roadie Crew, onde se especializou em matérias com bandas nacionais.

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