Internet e a Evolução do Mercado Musical
Por Fabio Reis
Postado em 16 de dezembro de 2015
Há tempos, o mercado fonográfico não sobrevive mais da vendagem de CD’s, DVD’s e LP’s. As grandes gravadoras demoraram pra perceber que os MP3 se estabeleceriam independentemente do esforço despendido para que isso não ocorresse. Não se prepararam de forma adequada para a era dos downloads, perderam espaço, dinheiro e por isso a música como negócio, é hoje diferente do que era a 20 anos atrás. A forma como se consome música mudou e as pessoas envolvidas nesse mercado só tem uma alternativa: Se adaptar!
A principal responsável pelo bom funcionamento de uma das maiores indústrias do mundo nos dias de hoje se chama Internet. As bandas de menor porte e as bandas iniciantes, aprenderam rapidamente a se utilizar dos recursos que estão a sua disposição e conseguem alcançar um público que jamais teriam aceso na década de 80. Este caminho encurta a distância entre artista e fã e os grupos finalmente aprenderam na pratica, o conceito de que "o conteúdo é rei, mas a distribuição é rainha". Isto quer dizer que além da qualidade ser imprescindível, o material precisa chegar ao consumidor final de forma atrativa.
A música além de boa, tem que estar literalmente em todos os lugares possíveis. As pessoas precisam falar da banda, conhecê-la e ter boas referências sobre o seu material. Somente desta maneira, um grupo sem o suporte financeiro de um grande investidor, será reconhecido nos dias de hoje e talvez, através de muita luta e sorte, consiga um lugar no almejado mainstream.
Mesmo divulgando amplamente os seus respectivos trabalhos, acredito que existem apenas 3 maneiras de uma pessoa comum se deparar com uma música de um artista novo e ser fisgada instantaneamente. A primeira delas é o acaso, você praticamente "tropeça" em um link, acaba escutando a música sem qualquer perspectiva e se surpreende com a qualidade. A segunda maneira é através de pesquisa. Isso requer tempo, paciência e boa vontade. Além disso, precisa-se ter a facilidade de peneirar os bons dos ruins e estar realmente no propósito de se permitir gostar do novo. O terceiro, que é o mais comum e o mais eficaz, é através de indicações.
Blogs, mídias sociais, Youtube, Soundcloud, Spotify e outros, se mostram dia após dia, mais poderosos, eficazes e verdadeiramente indispensáveis na missão de levar o produto ao seu consumidor. O artista que não enxergar e não tirar proveito de tais meios, fatalmente terá o seu público alvo muito reduzido e corre o sério risco de não ter longevidade em sua trajetória.
Um outro ponto a ser mencionado é o compartilhamento de arquivos MP3. Isto é uma realidade e por mais que algumas pessoas se posicionem contra ou sigam a tradição de adquirir material físico, cada vez mais essa prática será tratada como um hobby. Querendo ou não, a quantidade de bons lançamentos é cada vez mais alta e a maioria esmagadora do público, é constituída de trabalhadores assalariados. Portanto, além de possuírem diversas prioridades, estas pessoas não tem condições financeiras para comprar uma grande quantidade de álbuns, produtos oficiais e ainda conseguir ir a shows como querem alguns defensores do Underground.
Vivemos uma situação de crise e a não ser que você seja parte do pequeno e seleto grupo que está em uma situação financeira muito boa, não existe a menor possibilidade de comprar todo bom registro que seja lançado. Hoje em dia os bangers selecionam bastante os trabalhos que vão adquirir e a maior parte dos novos discos estão fadados a ganhar uma vaga no HD do computador. Não é o ideal, porém já vem acontecendo há um bom tempo e não será essa prática que vai matar ou causar a erradicação do metal. Se fosse, com toda a certeza ele já estaria morto e enterrado.
A questão chave não é "pirataria" e muito menos as trocas livres de arquivos MP3, o problema mais sério que vejo é a luta contra o que já está consolidado. Os downloads não irão cessar pois as pessoas não vão parar de ouvir música por estarem sem dinheiro pra comprar CD’s. Quem luta nessa guerra, luta por uma causa que está perdida. O que precisa ser feito é mudar o foco, fazer com que o os downloads efetuados, de alguma forma convertam-se em algo bom e proveitoso para o artista.
Antigamente a música era tratada de uma outra forma. Existia todo um ritual que consistia em ir comprar o álbum, chegar em casa, parar tudo simplesmente pra ouvi-lo, encarte em mãos para acompanhar as letras e realmente apreciar a musicalidade. Ouvia-se o mesmo CD por semanas a fio (as vezes meses). As composições iam sendo digeridas aos poucos e fixando-se no nosso subconsciente. Hoje os processos são outros, ouvimos Rock/Metal fazendo uma série de outras coisas, a internet facilitou tudo e em poucos cliques temos acesso a qualquer banda do mundo. Não se tem mais o hábito de parar pra ouvir música e muito menos ocorre o ato de fixar a atenção em um único registro. Acabamos de escutar um lançamento e automaticamente pulamos para outro, depois outro e outro…
É um ciclo vicioso que de certa forma, banalizou e transformou a forma com que escutamos nossos estilos musicais preferidos. O mercado mudou e nós mudamos junto com ele, nos adaptamos a uma nova condição e a uma nova realidade. Com relação ao futuro, mesmo com a quantidade enorme de ótimos álbuns sendo lançados, serão poucos os que alcançarão o status de clássicos. Quanto menos se ouve um disco, menor a chance de ele se tornar marcante e isso acaba sendo preocupante. Em compensação, olhando por uma outra perspectiva, o mercado para o Metal se tornou mais competitivo e honesto, os artistas saíram das mãos das grandes gravadoras e com a ajuda de uma boa assessoria, conseguem fazer com que seu trabalho chegue a ao grande público sem que ocorra interferência na sua identidade musical.
"Quase todo mundo concorda que a moeda de troca para a música gravada será a atenção dos fãs. Se um artista atrair atenção, será capaz de vender ingressos para os seus shows"
(Mike McCReady)
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